Empresas

Rio vai brigar para manter CSA

Comando da companhia pode ir para SP.

Valor Econômico
11/03/2013 10:10
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As negociações para a compra da siderúrgica Cia. Siderúrgica do Atlântico (CSA), disputa encabeçada pela Cia. Siderúrgica Nacional (CSN), de Benjamin Steinbruch, acirraram os ânimos do governo fluminense e do município de Volta Redonda contra o empresário. Steinbruch sofre hoje duas pressões. O sindicato dos metalúrgicos de Volta Redonda, onde está a principal usina da CSN, quer garantias de emprego para seus 12 mil trabalhadores caso o BNDES libere recursos para a CSN adquirir o controle da CSA. Já o governo do estado do Rio, segundo apurou o 'Valor', pretende impor condições para renovar os incentivos fiscais dados a CSA, como o diferimento de ICMS, para evitar que Steinbruch leve o comando da companhia para São Paulo, como fez com a CSN alguns anos atrás.
A relação entre o governador Sérgio Cabral e Steinbruch se deteriorou desde que o empresário passou a despachar com diretores da CSN na capital paulista. A fábrica da CSA, posta à venda no fim de 2012 pelo grupo alemão ThyssenKrupp, está instalada em Santa Cruz, no município do Rio, e foi desenhada para fazer 5 milhões de toneladas de placas de aço ao ano. O investimento na siderúrgica, iniciado em 2005, foi de US$ 7 bilhões, mas problemas e atrasos na obra e problemas ambientais, aliados à crise econômica global de 2008, levaram a ThyssenKrupp a optar por se desfazer do ativo junto com uma laminadora no Alabama, EUA.
A declaração de Steinbruch no ano passado de que iria fazer oferta pela CSA acendeu uma luz vermelha do governo do Rio.
A disposição da equipe de Cabral é partir para a briga para manter o centro de decisão da CSA no Rio de Janeiro caso Steinbruch vença o processo de venda da CSA contra a ítalo-argentina Ternium. A estratégia do governo Cabral é a de "colocar condições para fazer a anuência para a renovação dos incentivos da CSA" para Steinbruch. A renúncia fiscal do governo fluminense soma cerca de R$ 50 milhões ao ano.
Outro ponto que poderá constar da conversa entre o governo e o empresário é uma tentativa de Cabral de negociar a volta da sede da CSN para o Rio. Também deverá ser objeto do acerto a venda de ativos da CSN em Volta Redonda, para modernizar a cidade.
No caso dos metalúrgicos, a garantia de emprego envolve a busca de recursos do BNDES pelo empresário. Até agora, o banco não se pronunciou sobre a possibilidade de financiar a CSN. A área técnica do banco é contrária à participação do banco na operação. Cauteloso, Renato Soares, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Volta Redonda, já pediu em carta ao Ministério do Desenvolvimento (MDIC) que negocie uma cláusula de garantia de manutenção do emprego e das atividades da fábrica de Volta Redonda, caso dinheiro público seja usado para apoiar Steinbruch na aquisição da CSA.
Primeiro, Soares remeteu a carta à presidente Dilma, a qual acabou chegando às mãos de assessores do ministro Fernando Pimentel. O ministério confirmou que houve um encontro entre Soares e assessores da pasta no fim de janeiro. Foi acertado que, confirmada a participação do BNDES na compra da CSA, os trabalhadores serão chamados para reafirmar sua posição.
Algumas fontes do governo federal, porém, sinalizam que não há disposição, no momento, para que o financie a CSN no negócio. Por outro lado, o banco aguardava até a semana passada uma proposta de Steinbruch para tomar uma decisão final se apoia o empresário na operação de compra da CSA, que está combalida e deve R$ 2,4 bilhões de empréstimos ao BNDES. Até agora, o empresário foi apenas recebido pela cúpula do banco para uma conversa preliminar sobre a operação.
O temor dos metalúrgicos, explicou Soares, é que Steinbruch desative algumas unidades da usina de Volta Redonda usadas para fabricação de placas de aço, já que a especialidade da CSA é a produção direta desse produto para exportação. O sindicalista cita unidades como coqueria, pátio de matérias primas, sinterização, altos-fornos, aciaria e lingotamento contínuo, que poderiam ser prejudicadas. "É o coração da usina", disse ao 'Valor'.
O sindicato informa que a usina Presidente Vargas, em Volta Redonda, conta com 12 mil trabalhadores diretos e 8 mil indiretos. Soares acredita que se houver demissões, a redução seria de 50% deste contingente, direto e indireto.
O assunto pode terminar no Congresso Nacional. O deputado federal Wanderley Alves de Oliveira, o "Deley", ex-jogador do Fluminense, tenta realizar audiência pública na Câmara dos Deputados para discutir a possível compra da CSA pela CSN.
Os problemas da CSN no estado do Rio não terminam por aí. A questão ambiental também tem pesado na relação entre Cabral e Steinbruch. No dia 4, a Secretaria Estadual do Ambiente suspendeu a obra da usina de aços longos, em Volta Redonda, porque descumpriu compensação ambiental no parque de Pedra Selada, de R$ 2,2 milhões. O débito foi quitado na sexta-feira e o governo desembargou a obra. Segundo dados do Inea (órgão ambiental do Rio), a CSN responde a 90 ações ambientais no Estado e assinou um TAC de R$ 250 milhões.
Procurados, tanto o governo do Rio quanto a CSN não quiseram se pronunciar sobre o assunto.

As negociações para a compra da siderúrgica Cia. Siderúrgica do Atlântico (CSA), disputa encabeçada pela Cia. Siderúrgica Nacional (CSN), de Benjamin Steinbruch, acirraram os ânimos do governo fluminense e do município de Volta Redonda contra o empresário. Steinbruch sofre hoje duas pressões. O sindicato dos metalúrgicos de Volta Redonda, onde está a principal usina da CSN, quer garantias de emprego para seus 12 mil trabalhadores caso o BNDES libere recursos para a CSN adquirir o controle da CSA. Já o governo do estado do Rio, segundo apurou o 'Valor', pretende impor condições para renovar os incentivos fiscais dados a CSA, como o diferimento de ICMS, para evitar que Steinbruch leve o comando da companhia para São Paulo, como fez com a CSN alguns anos atrás.


A relação entre o governador Sérgio Cabral e Steinbruch se deteriorou desde que o empresário passou a despachar com diretores da CSN na capital paulista. A fábrica da CSA, posta à venda no fim de 2012 pelo grupo alemão ThyssenKrupp, está instalada em Santa Cruz, no município do Rio, e foi desenhada para fazer 5 milhões de toneladas de placas de aço ao ano. O investimento na siderúrgica, iniciado em 2005, foi de US$ 7 bilhões, mas problemas e atrasos na obra e problemas ambientais, aliados à crise econômica global de 2008, levaram a ThyssenKrupp a optar por se desfazer do ativo junto com uma laminadora no Alabama, EUA.


A declaração de Steinbruch no ano passado de que iria fazer oferta pela CSA acendeu uma luz vermelha do governo do Rio.


A disposição da equipe de Cabral é partir para a briga para manter o centro de decisão da CSA no Rio de Janeiro caso Steinbruch vença o processo de venda da CSA contra a ítalo-argentina Ternium. A estratégia do governo Cabral é a de "colocar condições para fazer a anuência para a renovação dos incentivos da CSA" para Steinbruch. A renúncia fiscal do governo fluminense soma cerca de R$ 50 milhões ao ano.


Outro ponto que poderá constar da conversa entre o governo e o empresário é uma tentativa de Cabral de negociar a volta da sede da CSN para o Rio. Também deverá ser objeto do acerto a venda de ativos da CSN em Volta Redonda, para modernizar a cidade.


No caso dos metalúrgicos, a garantia de emprego envolve a busca de recursos do BNDES pelo empresário. Até agora, o banco não se pronunciou sobre a possibilidade de financiar a CSN. A área técnica do banco é contrária à participação do banco na operação. Cauteloso, Renato Soares, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Volta Redonda, já pediu em carta ao Ministério do Desenvolvimento (MDIC) que negocie uma cláusula de garantia de manutenção do emprego e das atividades da fábrica de Volta Redonda, caso dinheiro público seja usado para apoiar Steinbruch na aquisição da CSA.


Primeiro, Soares remeteu a carta à presidente Dilma, a qual acabou chegando às mãos de assessores do ministro Fernando Pimentel. O ministério confirmou que houve um encontro entre Soares e assessores da pasta no fim de janeiro. Foi acertado que, confirmada a participação do BNDES na compra da CSA, os trabalhadores serão chamados para reafirmar sua posição.


Algumas fontes do governo federal, porém, sinalizam que não há disposição, no momento, para que o financie a CSN no negócio. Por outro lado, o banco aguardava até a semana passada uma proposta de Steinbruch para tomar uma decisão final se apoia o empresário na operação de compra da CSA, que está combalida e deve R$ 2,4 bilhões de empréstimos ao BNDES. Até agora, o empresário foi apenas recebido pela cúpula do banco para uma conversa preliminar sobre a operação.


O temor dos metalúrgicos, explicou Soares, é que Steinbruch desative algumas unidades da usina de Volta Redonda usadas para fabricação de placas de aço, já que a especialidade da CSA é a produção direta desse produto para exportação. O sindicalista cita unidades como coqueria, pátio de matérias primas, sinterização, altos-fornos, aciaria e lingotamento contínuo, que poderiam ser prejudicadas. "É o coração da usina", disse ao 'Valor'.


O sindicato informa que a usina Presidente Vargas, em Volta Redonda, conta com 12 mil trabalhadores diretos e 8 mil indiretos. Soares acredita que se houver demissões, a redução seria de 50% deste contingente, direto e indireto.


O assunto pode terminar no Congresso Nacional. O deputado federal Wanderley Alves de Oliveira, o "Deley", ex-jogador do Fluminense, tenta realizar audiência pública na Câmara dos Deputados para discutir a possível compra da CSA pela CSN.


Os problemas da CSN no estado do Rio não terminam por aí. A questão ambiental também tem pesado na relação entre Cabral e Steinbruch. No dia 4, a Secretaria Estadual do Ambiente suspendeu a obra da usina de aços longos, em Volta Redonda, porque descumpriu compensação ambiental no parque de Pedra Selada, de R$ 2,2 milhões. O débito foi quitado na sexta-feira e o governo desembargou a obra. Segundo dados do Inea (órgão ambiental do Rio), a CSN responde a 90 ações ambientais no Estado e assinou um TAC de R$ 250 milhões.


Procurados, tanto o governo do Rio quanto a CSN não quiseram se pronunciar sobre o assunto.

 

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