Petroquímica

Rio Polímeros analisa expansão

Valor Econômico
17/10/2006 00:00
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A Rio Polímeros (Riopol), primeira petroquímica a gás natural do Brasil, completou no dia 30 de setembro seis meses de operação regular - após entrega formal da unidade pelos construtores aos operadores- comemorando um recorde de produção, 40 mil toneladas de polietilenos no mês passado, equivalente a 89% de uso da capacidade instalada de 45 mil toneladas/mês. O atual nível de produção abre espaço para a ampliação, cuja intenção já foi manifestada pelos acionistas. O problema é a oferta de gás, pela Petrobras, uma das sócias da empresa, que ainda é um limitador.

O diretor-superintendente da Riopol, João Brandão, disse que em agosto a empresa alcançou o azul em termos operacionais, repetindo a performance em setembro, com a ajuda de um aumento de 10% nos preços das resinas. Em agosto a Riopol bateu o recorde de vendas, atingindo 39 mil toneladas, sendo 26 mil para o mercado interno e 13 mil para exportações. Em setembro, por causa do aumento do preço, as vendas caíram para 30 mil toneladas.

Segundo Brandão, o crescimento de 12% na demanda interna por resinas este ano favoreceu a absorção da Riopol pelo mercado, relativizando os temores que existiam quando da inauguração formal da empresa, em junho do ano passado. Havia o temor de que sua produção, próxima a 20% do total do mercado, poderia causar algum desequilíbrio entre oferta e demanda. "É possível que alguma empresa tenha precisado exportar um pouco mais, mas esse efeito foi pequeno", disse Brandão.

Segundo o executivo, a situação só não é melhor porque aconteceram dois efeitos desfavoráveis na área dos preços. De um lado, só agora em setembro os preços das resinas reagiram, atingindo uma média de US$ 1,5 mil por tonelada, contra US$ 1,15 mil em junho do ano passado. De outra parte, a matéria-prima, fustigada pela alta internacional do petróleo, aumentou excessivamente. Agora, Brandão considera que o quadro também ganhou contornos favoráveis à inversão desse efeito perverso sobre a rentabilidade da Riopol.

Primeiro, os preços das resinas melhoraram substancialmente. Depois, a baixa observada no mercado de petróleo, de níveis em torno de US$ 78 por barril para um patamar próximo a US$ 60, permite prever um comportamento semelhante na cadeia de hidrocarbonetos, no caso da Riopol, os preços do etano e do propano, derivados do gás natural produzidos pela Petrobras na bacia de Campos (RJ).

Além de fornecedora da petroquímica, a Petrobras detém 16,7% do seu capital, dividindo o controle com o BNDES (16,7%) e com os grupos privados Suzano e Unipar, cada um com 33,3% das ações. "Acredito que eles (os sócios) gostem da idéia da expansão", disse Brandão, ressalvando que ainda não existe nenhuma decisão formalmente tomada. E o principal limite a essa tomada de decisão vem da capacidade de oferta de matéria-prima pela própria estatal. A capacidade atual da unidade é de 540 mil toneladas de polietilenos/ano.

"O nosso período de infância vai bem", disse Brandão, afirmando que a fábrica, que tem 400 empregados próprios e 350 terceirizados, vem "melhorando mês a mês as margens de contribuição (para os balanços dos sócios)". O executivo disse confiar que a Petrobras, até por conta da pressão exercida pelo governo boliviano por aumento no preço do gás que o país exporta para o Brasil, agilize seus investimentos, como está programado, de modo a antecipar o aumento de oferta de gás das bacias de Campos e do Espírito Santo.

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