Etanol

Retomada de crescimento da economia do Brasil em 2019 pode elevar demanda por etanol

Redação/Assessoria Cepea
15/01/2019 11:12
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A esperada retomada do crescimento da economia nacional para 2019 (projeções do Banco Central indicam alta de 2,55% do PIB) pode resultar em aumento de renda das famílias, cenário que tende a aquecer as vendas de carros e, consequentemente, a elevar a demanda por combustíveis, de acordo com informações do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP. Com isso, o etanol deve continuar a ter uma participação expressiva nas vendas de combustíveis no País, tanto na forma de hidratado quanto no anidro (vale lembrar que, atualmente, o anidro corresponde a 27,5% da composição da gasolina C).

Do lado da oferta, para a safra 2019/20 do Centro-Sul, analistas projetam moagem e volume de Açúcar Total Recuperável (ATR) próximos dos verificados em 2018/19, em andamento. Por outro lado, a alocação da cana para açúcar e etanol deve ser reajustada na safra 2019/20 frente à verificada em 2018/19.

Usinas, incentivadas pelas sinalizações de aumento nos preços do açúcar - projeções indicam redução dos estoques e, até mesmo, déficit global da commodity -, devem aumentar o percentual de cana destinado à produção do adoçante e reduzir o de etanol. Mesmo com esse ajuste do mix, a safra ainda deve ser bastante alcooleira, com estimativas mostrando que aproximadamente 60% da cana será direcionada à produção do biocombustível.

A redução da oferta de etanol de cana, por sua vez, deverá ser compensada somente em parte pela maior disponibilidade do etanol de milho. Os desdobramentos decorrentes da conjuntura esperada podem alterar também a proporção de cana destinada à produção de etanol hidratado e anidro, aumentando a proporção desse último.

Preços do etanol

Os preços de etanol hidratado têm, ao longo do tempo, uma "linha de resistência" dada pelos valores do petróleo e derivados no mercado internacional. Assim, a média de preço do hidratado em um ano-safra está fortemente atrelada ao valor do combustível fóssil no período. Essa relação se estende ao preço do anidro, que, por força dos contratos exigidos pela legislação atual, é precificado com base no hidratado.

Em termos de combustíveis fósseis, o prognóstico é de elevação de preços, que caíram de forma expressiva nos últimos meses de 2018, devido ao aumento da oferta, ficando só maiores que os observados em 2014. Isso motivou a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) e os países aliados, liderados pela Rússia, chamados de "Opep+", em reunião realizada no início de dezembro, a decidirem reduzir a produção de petróleo em 1,2 milhão de barris diários por um período de seis meses a partir de 1º de janeiro, sendo prevista uma revisão dessa decisão em abril de 2019.

Caso se sustente o prognóstico de aumento de demanda de combustíveis, de que não haverá grandes alterações na moagem e na quantidade total de ATR no ano safra 2019/20 frente ao anterior e de que haja elevação da proporção de cana destinada à produção de açúcar, pode ocorrer aumento do preço de etanol hidratado. Assim, consequentemente, a margem de competitividade desse biocombustível frente à gasolina pode cair relativamente a 2018/19, dependendo dos patamares de preços externos dos combustíveis fósseis (e das políticas de repasses). Como as decisões da "OPEP+" de corte de produção serão reavaliadas em abril de 2019, podendo também outros fatores interferirem na definição da oferta mundial de fósseis, o ambiente em relação ao patamar de preços de etanol no mercado brasileiro e da margem de competitividade do etanol hidratado permanece incerto.

Investimentos

Quando se trata da retomada dos investimentos no setor sucroenergético, as atenções devem se voltar à evolução da implementação do RenovaBio. Nesse sentido, o setor espera avanços na implementação do programa em 2019.

Ressalta-se que a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) aprovou, em novembro de 2018, a resolução que regulamenta o Programa (a Lei nº 13.576/2017) quanto aos critérios para Certificação da Produção Eficiente de Biocombustíveis, à definição de requisitos para o credenciamento de firmas inspetoras responsáveis por tal certificação e aos cálculos da Nota de Eficiência Energético-Ambiental de produtor e importador de biocombustível certificado que aderiram ao RenovaBio.

Mesmo nesse ambiente de incertezas devido à mudança de governo, espera-se que prevaleçam políticas que possam dar suporte ao aumento da produção de etanol no médio prazo. Como o RenovaBio não requer subsídio e renúncia fiscal, supõe-se que o programa seja aderente às propostas do novo governo.

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