Pré-Sal

Retirada de barris do pré-sal custará mais de US$ 66 bi

A Petrobras deve gastar mais de US$ 66,14 bilhões para retirar os bilhões de barris que comprou do governo, mas que ainda estão na camada pré-sal da Bacia de Santos. Essa é a estimativa de custo que consta do laudo preparado pela consultoria DeGolyer and McNaugh

Valor Econômico
09/09/2010 10:30
Visualizações: 840
A Petrobras deve gastar mais de US$ 66,14 bilhões para retirar os bilhões de barris que comprou do governo, mas que ainda estão na camada pré-sal da Bacia de Santos. Essa é a estimativa de custo que consta do laudo preparado pela consultoria DeGolyer and McNaughton, a pedido da estatal, tendo em conta o cenário mais provável apontado.
 
 
Diferentemente dos 5 bilhões de barris previstos no contrato de cessão onerosa com a União, essa estimativa da DeGolyer supõe que a Petrobras retire 3,47 bilhões de barris das seis áreas que serão exploradas - Franco, Florim, Tupi Nordeste, Guará Leste, entorno de Iara e Tupi Sul. Dessa forma, chega-se a um custo de US$ 19,04 por barril.
 
 
Do total de gastos, US$ 18,88 bilhões, o equivalente a pouco menos de 30%, seriam despendidos com a exploração dos campos. Para isso está prevista a perfuração de 112 poços, parte deles para a produção de petróleo e outros para a reinjeção de água e gás. Esses custos se concentram num período que vai até o quinto ano de produção.
 
 
Conforme o laudo apresentado, nenhum barril começaria a ser retirado das áreas cedidas do pré-sal antes de 2015. Entre 2011 e 2014, haveria apenas a perfuração de poços em quatro dos campos - Franco, Florim, Tupi Nordeste e Guará Leste. Os investimentos estimados pela DeGolyer nesse período até 2014, prazo final do atual plano de negócios de US$ 224 bilhões da estatal, se limitam a US$ 1,44 bilhão. A exploração de Tupi Sul e do entorno de Iara só começaria perto de 2020, de acordo com o estudo.
 
 
A fatia mais pesada dos gastos seria na fase de produção, prevista para ir até 2040, com um total de US$ 47,26 bilhões. É o período mais caro porque envolve a utilização de plataformas e infraestrutura de escoamento do produto.
 
 
A área de Franco, que tem mais barris e deve começar a ser explorada primeiro, deve consumir US$ 9,60 bilhões em investimentos na fase de prospecção e outros US$ 27,71 bilhões na de produção, totalizando US$ 37,31 bilhões.
 
 
O estudo da DeGolyer aponta um custo fixo anual de US$ 966 milhões com o afretamento de três plataformas flutuantes de produção, armazenagem e escoamento (FPSO) que ela estima que serão usadas para explorar a área de Franco no cenário mais provável. Cada FPSO teria capacidade de retirar 150 mil barris por dia.
 
 
Os relatórios da DeGolyer não foram totalmente considerados na negociação que envolveu a Petrobras, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) e a União. A consultoria sugeriu uma taxa de desconto de 10% e a Petrobras acabou aceitando de 8,83%, o que eleva bastante o valor presente dos barris que serão comprados. Para definir os volumes e preços, o governo também utilizou dados do laudo da consultoria Gaffney, Cline, contratada pela ANP.
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