Biocombustíveis

Renovabio é tema de encontro reunindo distribuidores e representantes da ANP e do MME

Redação/Assessoria Somos Plural
31/05/2019 18:00
Visualizações: 1602

O workshop RenovaBio, promovido pela Plural, foi realizado no dia 22, no Centro de Convenções do Hotel Prodigy, no Rio de Janeiro. O objetivo do encontro foi tirar dúvidas sobre o programa RenovaBio - como é conhecida a Política Nacional de Biocombustíveis, instituída pela Lei nº 13.576/2017 - lançado pelo Governo Federal para expandir a produção de biocombustíveis.

Leandro Silva, diretor de Abastecimento e Regulamentação da Plural, foi moderador do evento, que contou com a presença de Paulo Costa, analista de infraestrutura do Ministério de Minas e Energia (MME), e Danielle Conde, superintendente adjunta da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), além de distribuidores e outros agentes do mercado de combustíveis.

O programa RenovaBio estabelece metas de descarbonização para os distribuidores de combustíveis e também atribui notas de eficiência energética para cada produtor, que refletem a contribuição de cada agente produtor para a mitigação de uma quantidade específica de gases de efeito estufa em relação ao seu substituto fóssil (em termos de toneladas de CO2). O produtor usa a nota de eficiência para computar a quantidade de Créditos de Descarbonização (CBio) que ele tem direito de receber para cada nota fiscal emitida. Os CBios funcionarão como ativos financeiros, comercializados na Bolsa de Valores. São estes CBios que deverão ser comprados pelos distribuidores para atingirem suas metas de descarbonização.

Conforme apontou Paulo Costa durante o evento, vários elementos construíram o cenário que motivou a criação do RenovaBio: o aumento das importações nacionais de combustíveis, a necessidade de cumprimento das metas ambientais do Acordo de Paris e a busca por uma política com instrumentos de mercado, já que não havia espaço para renúncia fiscal, nem recursos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) com taxas abaixo do mercado.

"O programa promove a competição entre os produtores e cada produtor vai buscar um nível maior de eficiência, já que tem um potencial ganho financeiro com a comercialização. Há um incentivo à busca pela competitividade, algo que uma tributação energética ambiental não promoveria", ressaltou Costa.

Para a construção de um mercado de créditos de descabornização (CBios), Costa destacou que foram convidadas entidades do setor financeiro, para a definição das regras de comercialização.

O analista mostrou ainda uma simulação de como seria uma negociação de CBios e destacou mais algumas regras: o CBio será comercializado de forma exclusiva na bolsa de valores e não tem vencimento, ou seja, o dono pode negociá-lo quando achar melhor. O CBio terá apenas um código de verificação e todos usarão a mesma plataforma de negociação simultânea. O boletim diário da bolsa de valores trará todas as informações, como quantidade em circulação, quantidade de CBios operados, preços etc. O distribuidor poderá operar por várias corretoras e acompanhar o processo no CEI (Canal Eletrônico do Investidor).

"Estamos em um momento de dar visibilidade e conhecimento para todas as entidades envolvidas, mostrando como o mercado vai funcionar. Agora é hora de perguntar e fazer propostas, não esperem as normas serem publicadas", frisou Costa.

RenovaCalc: ferramenta de cálculo oficial do RenovaBio

Na segunda parte do evento, Danielle Conde, da ANP, destacou mais alguns aspectos do programa, como o processo de certificação. A participação no RenovaBio é de caráter voluntário para os produtores, no entanto, uma vez tendo aderido ao programa, o produtor de biocombustível obriga-se a fornecer parâmetros técnicos do seu processo produtivo, para alimentação da RenovaCalc, ferramenta de cálculo oficial do RenovaBio. A partir dos dados, é calculada a Nota de Eficiência Energética-Ambiental. Essa nota tem que ser certificada por uma firma inspetora, que verifica se as informações inseridas pelos produtores estão corretas. A quantidade de CBios emitidos está diretamente relacionada ao resultado da Nota de Eficiência Energética-Ambiental.

"A RenovaCalc, desenvolvida por pesquisadores, contabiliza todo o ciclo de vida do biocombustível, resultando em uma nota específica para cada unidade produtora. A nota é comparada com a emissão do combustível fóssil comparável, que pode ser a gasolina ou diesel por exemplo, e a diferença gera a nota de Eficiência Energética-Ambiental, ou seja, o quanto o biocombustível reduziu a emissão de CO2. Isso incentiva as unidades produtoras a ter maior eficiência na emissão para garantir uma melhor nota e conseguir mais CBios. Quem não quiser participar do programa, não vai perder a autorização de funcionamento, mas, para participar, tem que atender os requisitos previstos. A partir de 2020, será possível, ao longo do ano, adquirir CBios. A partir do momento que se certificou, tem 60 dias para solicitar a escrituração do CBio referente a cada nota fiscal que emite. Se passar do prazo, caducou. Por isso aconselhamos que não deixem tudo para a última hora", explicou a superintendente adjunta.

Diferente dos produtores, a participação dos distribuidores de combustíveis é obrigatória. A meta individual anual dos distribuidores, que será definida e tornada pública pela ANP até 1º de julho deste ano, é montada com base nos volumes de venda de combustíveis fósseis do ano anterior. Para o estabelecimento da meta, são analisados também os dados informados no SIMP (Sistema de Informações de Movimentações de Produtos), e enviados pela ANP ao Tribunal de Contas da União. O não cumprimento da meta anual individual acarreta sanções, como multa de R$ 100 mil a R$ 50 milhões, prevista na Lei nº 13.576/2017.

"As metas poderão ser redefinidas pelo CNPE (Conselho Nacional de Política Energética) e pelo Comitê do RenovaBio, de acordo com a oferta de biocombustíveis certificados. Esse número será avaliado ano a ano", explicou Danielle.

RenovaBio Itinerante

No intuito de tirar dúvidas sobre o programa, a ANP está realizando o RenovaBio Itinerante, com representantes da instituição viajando pelo Brasil e explicando para produtores e distribuidores como o RenovaBio vai funcionar. Em junho e julho, estão previstos encontros no Paraná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul.

"Acreditamos que o programa colabora para a segurança do abastecimento nacional de combustíveis, considerando que somos grandes importadores de derivados de petróleo. O RenovaBio tem uma pegada ambiental também, com a redução das emissões. Ou seja, o programa contribui para a promoção do desenvolvimento, a inclusão econômica social e a ampliação da concorrência no mercado", completou a superintendente adjunta

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Firjan
PIB cresce, mas custo estrutural continua limitando o Brasil
01/06/26
Combustíveis
Petrobras ajusta preço da gasolina
01/06/26
Parceria
Grupo Bravante firma parceria oficial com a WISTA Brazil...
01/06/26
Combustíveis
Etanol encerra maio com mercado atento ao avanço da safra
01/06/26
Bacia de Sergipe-Alagoas
A SBM Offshore assinou contratos para as FPSOs SEAP-I e ...
31/05/26
BOGE 2026
Oil States reforça compromisso com inovação e excelência...
30/05/26
BOGE 2026
Bahiagás destaca protagonismo da Bahia na Transição Ener...
29/05/26
BOGE 2026
Benel marca presença no Bahia Oil & Gas Energy e anuncia...
29/05/26
Investimentos
Petrobras anuncia aportes de mais de R$ 70 bilhões em Se...
29/05/26
PPSA
PPSA publica Relato Integrado e Carta Anual
29/05/26
Royalties
Valores referentes à produção de março para contratos de...
29/05/26
BOGE 2026
PetroReconcavo discute futuro de Óleo e Gás na Bahia Oil...
29/05/26
BOGE 2026
Lumina Group marca presença na Bahia Oil & Gas Energy 20...
29/05/26
Gás Natural
Naturgy destaca importância do gás natural na matriz ene...
29/05/26
IBP
Manifesto em defesa da regulação adequada na valoração d...
29/05/26
BOGE 2026
Bahia reúne indústria, inovação e negócios na abertura d...
28/05/26
Biometano
Equinor, Embrapii, Unicamp e CNPEM lançam projeto para a...
28/05/26
Royalties
Valores referentes à produção de março para contratos de...
28/05/26
BOGE 2026
Expansão do óleo e gás amplia demanda por hubs de transf...
28/05/26
Combustíveis
ANP participa da "Operação Fluxo Oculto" para combater d...
28/05/26
Investimentos
Retomada dos investimentos da Petrobras no Amazonas
27/05/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

25