Combustíveis

Refinarias da Petrobras vendem R$ 1,5 tri sem lucrar um centavo

Perdas acumuladas dos últimos dez anos somam R$ 663 mi.

Valor Econômico
26/08/2013 11:25
Visualizações: 1030

 

Entre janeiro de 2003 e junho de 2013, as refinarias da Petrobras venderam R$ 1,55 trilhão em combustíveis aos distribuidores, sem que a estatal ganhasse um centavo sequer com essa atividade. Pelo contrário. A empresa teve perda acumulada de R$ 663 milhões com refino de petróleo nos últimos dez anos e meio.
Isso significa que todo o lucro acumulado nesse período pela estatal, de R$ 272 bilhões, veio dos demais segmentos da empresa, principalmente da exploração e produção de petróleo.
Por causa da política de preços imposta pelo governo, as refinarias da empresa, que possuem ativos de R$ 198 bilhões, não contribuíram com nada em qualquer comparação: nos últimos dois anos, três anos, cinco anos etc.
Os números derrubam o argumento de que as perdas recentes da Petrobras com a defasagem de preços estaria apenas compensando ganhos acima do que seria justo na época da crise financeira, quando o petróleo despencou no exterior e a companhia não reduziu seus preços.
Esse encontro de contas já ocorreu, e é a Petrobras que está no vermelho. A culpa não é da equipe da área de abastecimento da companhia.
De 2003 a 2010, as vendas das refinarias somaram R$ 1,01 trilhão e renderam lucro líquido acumulado de R$ 39 bilhões para a Petrobras, com uma margem modesta, mas positiva, de 3,8%.
Na sequência, em apenas dois anos e meio, do início de 2011 a junho de 2013, a venda de mais R$ 540 bilhões em derivados gerou prejuízo de R$ 39,6 bilhões para a estatal, jogando pelo ralo o lucro acumulado nos oito anos anteriores com essa atividade.
Se todo lucro de uma empresa mais cedo ou mais tarde vira caixa (com raríssimas exceções), a Petrobras queimou meio ano de investimentos e o equivalente a 17% do seu valor de mercado atual com essa situação.
Mas isso não preocupa a empresa. Em nota à reportagem, a Petrobras disse que, "por ser uma empresa integrada de energia, estabelece suas políticas de preços com base na análise dos resultados consolidados e não com base no resultado isolado de um segmento". Cabe lembrar que a empresa divulga voluntariamente o lucro por área de negócio desde 2003 e tem diretorias específicas para cuidar delas.
Segundo a estatal, o "resultado dessa política pode ser verificado nas demonstrações financeiras divulgadas ao mercado".
Ao se fazer isso, nota-se que o retorno sobre o patrimônio líquido da empresa como um todo ficou em 25% na média entre 2003 e 2010 e caiu para 10%, também na média, de 2011 até agora - como consequência não só da defasagem de preços, mas também da capitalização.
Mas o que explica a diferença de resultado entre os períodos, se a política de preços é a mesma?
Afinal, não é de hoje que os preços da gasolina e do diesel no mercado interno não acompanham a variação de curto prazo do petróleo no mercado externo. Os próprios executivos da Petrobras costumavam defender essa prática porque ela dá previsibilidade ao fluxo de caixa da companhia e facilita a execução de investimentos de longo prazo.
Contudo, houve uma mudança relevante nos últimos anos que não pode ser ignorada.
Enquanto a demanda no Brasil era inferior à capacidade de produção e de refino da Petrobras, a estatal só deixava de ganhar mais quando o preço cobrado pelo combustível no Brasil ficava abaixo da cotação internacional.
Num exemplo com números hipotéticos: no exterior a gasolina é comercializada pelo equivalente a R$ 10, enquanto a Petrobras vende no Brasil por R$ 7. Se o custo de produção for R$ 4, ela não chega a ganhar os R$ 6 que poderia, mas ainda embolsa R$ 3, o suficiente para ficar no azul.
Mas o crescimento da economia elevou bastante o consumo de combustíveis. Como a produção da Petrobras está estagnada há dois anos e a capacidade de refino não aumentou porque as obras estão atrasadas, isso obriga a empresa a importar cada vez mais gasolina e diesel.
No exemplo acima, ela passou a ter que comprar a gasolina por R$ 10 no exterior e vendê-la no Brasil por R$ 7. Aquilo que ela antes apenas deixava de ganhar se tornou uma perda efetiva.
A presidente Graça Foster tenta reduzir a distorção e conseguiu emplacar cinco reajustes de preços desde outubro de 2011, com elevações acumuladas de 26% para a gasolina e de 24% para o diesel. Mas o descasamento de preços não foi corrigido porque, embora o petróleo esteja estável, o dólar saltou 40% nesse período, saindo de R$ 1,70 em outubro de 2011 para a faixa atual de R$ 2,40.

Entre janeiro de 2003 e junho de 2013, as refinarias da Petrobras venderam R$ 1,55 trilhão em combustíveis aos distribuidores, sem que a estatal ganhasse um centavo sequer com essa atividade. Pelo contrário. A empresa teve perda acumulada de R$ 663 milhões com refino de petróleo nos últimos dez anos e meio.


Isso significa que todo o lucro acumulado nesse período pela estatal, de R$ 272 bilhões, veio dos demais segmentos da empresa, principalmente da exploração e produção de petróleo.


Por causa da política de preços imposta pelo governo, as refinarias da empresa, que possuem ativos de R$ 198 bilhões, não contribuíram com nada em qualquer comparação: nos últimos dois anos, três anos, cinco anos etc.


Os números derrubam o argumento de que as perdas recentes da Petrobras com a defasagem de preços estaria apenas compensando ganhos acima do que seria justo na época da crise financeira, quando o petróleo despencou no exterior e a companhia não reduziu seus preços.


Esse encontro de contas já ocorreu, e é a Petrobras que está no vermelho. A culpa não é da equipe da área de abastecimento da companhia.


De 2003 a 2010, as vendas das refinarias somaram R$ 1,01 trilhão e renderam lucro líquido acumulado de R$ 39 bilhões para a Petrobras, com uma margem modesta, mas positiva, de 3,8%.


Na sequência, em apenas dois anos e meio, do início de 2011 a junho de 2013, a venda de mais R$ 540 bilhões em derivados gerou prejuízo de R$ 39,6 bilhões para a estatal, jogando pelo ralo o lucro acumulado nos oito anos anteriores com essa atividade.


Se todo lucro de uma empresa mais cedo ou mais tarde vira caixa (com raríssimas exceções), a Petrobras queimou meio ano de investimentos e o equivalente a 17% do seu valor de mercado atual com essa situação.


Mas isso não preocupa a empresa. Em nota à reportagem, a Petrobras disse que, "por ser uma empresa integrada de energia, estabelece suas políticas de preços com base na análise dos resultados consolidados e não com base no resultado isolado de um segmento". Cabe lembrar que a empresa divulga voluntariamente o lucro por área de negócio desde 2003 e tem diretorias específicas para cuidar delas.


Segundo a estatal, o "resultado dessa política pode ser verificado nas demonstrações financeiras divulgadas ao mercado".


Ao se fazer isso, nota-se que o retorno sobre o patrimônio líquido da empresa como um todo ficou em 25% na média entre 2003 e 2010 e caiu para 10%, também na média, de 2011 até agora - como consequência não só da defasagem de preços, mas também da capitalização.


Mas o que explica a diferença de resultado entre os períodos, se a política de preços é a mesma?


Afinal, não é de hoje que os preços da gasolina e do diesel no mercado interno não acompanham a variação de curto prazo do petróleo no mercado externo. Os próprios executivos da Petrobras costumavam defender essa prática porque ela dá previsibilidade ao fluxo de caixa da companhia e facilita a execução de investimentos de longo prazo.


Contudo, houve uma mudança relevante nos últimos anos que não pode ser ignorada.


Enquanto a demanda no Brasil era inferior à capacidade de produção e de refino da Petrobras, a estatal só deixava de ganhar mais quando o preço cobrado pelo combustível no Brasil ficava abaixo da cotação internacional.


Num exemplo com números hipotéticos: no exterior a gasolina é comercializada pelo equivalente a R$ 10, enquanto a Petrobras vende no Brasil por R$ 7. Se o custo de produção for R$ 4, ela não chega a ganhar os R$ 6 que poderia, mas ainda embolsa R$ 3, o suficiente para ficar no azul.


Mas o crescimento da economia elevou bastante o consumo de combustíveis. Como a produção da Petrobras está estagnada há dois anos e a capacidade de refino não aumentou porque as obras estão atrasadas, isso obriga a empresa a importar cada vez mais gasolina e diesel.


No exemplo acima, ela passou a ter que comprar a gasolina por R$ 10 no exterior e vendê-la no Brasil por R$ 7. Aquilo que ela antes apenas deixava de ganhar se tornou uma perda efetiva.


A presidente Graça Foster tenta reduzir a distorção e conseguiu emplacar cinco reajustes de preços desde outubro de 2011, com elevações acumuladas de 26% para a gasolina e de 24% para o diesel. Mas o descasamento de preços não foi corrigido porque, embora o petróleo esteja estável, o dólar saltou 40% nesse período, saindo de R$ 1,70 em outubro de 2011 para a faixa atual de R$ 2,40.

 

Mais Lidas De Hoje
veja Também
Etanol
IA ajuda Raízen a antecipar riscos e combater incêndios ...
23/10/26
Descomissionamento
Painel dinâmico traz novas funcionalidades sobre ativida...
23/10/26
ANP
Encontro Nacional do PRH-ANP reúne 414 participantes com...
23/10/26
Gás Natural
Leilão da PPSA traz competitividade à indústria nacional
22/10/26
Firjan
Boletim Rio Exporta destaca que estado do Rio obtém cres...
21/10/26
Refino
Acelen assume naming rights e amplia presença da marca n...
21/10/26
Gás Natural
ANP adia audiência pública sobre o Gas Release para 19/11
21/10/26
Gás Natural
1º Leilão de Gás Natural da União tem 36 empresas habili...
20/10/26
BPC 2026
Eficiência, inovação e regulação dominam os debates hoje
20/10/26
ANP
Seminário da ANP debate desempenho da indústria de petró...
20/10/26
Biometano
White Martins amplia atuação em soluções energéticas com...
20/10/26
Pré-Sal
P-82 inicia viagem rumo ao Brasil
20/10/26
BPC 2026
Segurança energética e a nova onda da exploração
19/10/26
Evento
Brazilian Petroleum Conference (BPC 2026) começa na segu...
19/10/26
iBEM27
Terceiro encontro internacional de energia abre calendár...
19/10/26
Resultado
Produção de petróleo da União marca 313 mil barris por d...
19/10/26
Biometano
Necta destaca avanço do biometano em São Paulo durante a...
19/10/26
Fiscalização
ANP e Senacon fiscalizam mercado de combustíveis para co...
16/10/26
Energia Nuclear
Relatório global aponta que apoio à energia nuclear supe...
16/10/26
Pessoas
Presidente da ABiogás integra a lista "As 100 Mulheres P...
16/10/26
Resultado
Petrobras alcança R$ 800 bilhões em valor de mercado e r...
16/10/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

25