Refinarias

Refap fecha venda de propeno à Braskem

A Braskem anunciou ontem a assinatura de contrato com a Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), para o fornecimento de 70 mil toneladas de propeno por ano. Este é mais um capítulo da parceria entre a petroquímica do grupo Odebrecht e a Petrobras - controladora da refinaria com 70% das ações, ao l

Jornal do Commercio
03/04/2007 00:00
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A Braskem anunciou ontem a assinatura de contrato com a Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), para o fornecimento de 70 mil toneladas de propeno por ano. Este é mais um capítulo da parceria entre a petroquímica do grupo Odebrecht e a Petrobras - controladora da refinaria com 70% das ações, ao lado da Repsol (30%) - já concretizada através do projeto da Petroquímica Paulínia e agora da Petroquímica Ipiranga. Segundo a Braskem, o volume contratado pode subir para mais de 100 mil toneladas com os aumentos de capacidade previstos na Refap, que concluiu em setembro de 2006 um processo de expansão orçado em US$ 1,2 bilhão e que deu início à sua produção de propeno.

O contrato com a Refap é estratégico para a Braskem, que tem planos de investir cerca de R$ 700 milhões em projetos de expansão de suas unidades industriais no Pólo de Triunfo até 2009, além dos investimentos já anunciados em outros ativos. A empresa acaba de ampliar a sua participação no sul do país com a aquisição dos negócios petroquímicos da Ipiranga, em parceria com a Petrobras, e do controle da central de matérias-primas do Pólo Petroquímico do Sul, a Copesul.

Localizada em Canoas (RS), a refinaria é praticamente o último fornecedor com quantidades disponíveis da matéria-prima no país, já que os volumes produzidos nos crackers e em outras refinarias, como a refinaria da Araucária (Repar) e a Refinaria de Paulínia (Replan), já estão contratados. "Essa é uma matéria-prima estratégica para a produção de polipropileno e a produção da Refap era o grande volume que sobrava no mercado. Com esse contrato completamos nossa matriz de propeno, que cresce entre 10% e 15%. Há um grande potencial de aumento de produção na Refap e já deixamos claro que estamos alinhados e temos interesse", diz o diretor do negócio de polipropileno da Braskem, Rui Chammas.

O contrato com a Refap prevê o fornecimento inicial de 5,8 mil toneladas de propeno por mês, volume que vai complementar o suprimento das unidades atuais da empresa no Pólo de Triunfo e garantir o fornecimento de matéria-prima para futuras ampliações. O propeno será entregue para a Braskem por meio de duto, o que garante segurança e continuidade no fornecimento da matéria-prima.

Hoje a Braskem consome cerca de 600 mil toneladas/ano de propeno no sul, a maior parte fornecida pela Copesul. A outra parte vem de Camaçari (BA), via cabotagem. Chammas explica que, em um primeiro momento, a compra do propeno da Refap oferecerá o propeno de Camaçari para outros fins, como a exportação. Mais tarde ele pode ser utilizado na Ipiranga. "O desenho desses novos projetos está sendo feito e o acordo com a Refap era uma peça-chave para viabilizá-lo."

CAPACIDADE. Desde setembro de 2006 a Refap conta com uma capacidade produtiva de 100 mil toneladas/ano de propeno. O diretor-presidente da refinaria, Hildo Henz, explica que as outras 30 mil toneladas do produto foram contratadas com a Ipiranga, o que torna a Braskem, sua nova controladora, dona de todo o propeno da Refap. As duas empresas não revelam o valor e prazo do contrato, mas confirmam que ele é de longo prazo.

Segundo Henz, o aumento do volume de propeno produzido não acontecerá antes de setembro de 2007, quando finalmente atingirá a capacidade nominal de processamento de petróleo de 30 mil metros cúbicos/dia. Atualmente ela é de 26 mil metros cúbicos, contra 20 mil metros cúbicos antes do fim da expansão. Henz explica que quando o projeto foi desenhado, em 1999, o cenário era diferente para a gasolina e o diesel, carros-chefe da Refap. A empresa projetava uma participação de 90% nas vendas de gasolina da região sul, para um mercado previsto de 2240 mil metros cúbicos mês. A realidade este ano é uma participação de 65% em um mercado de 140 mil metros cúbicos/mês.

"Acreditávamos que toda a produção de gasolina iria para o mercado regional, mas hoje temos que exportar. Naquela época a gasolina tinha 15% de MTBE, hoje substituído por 25% de álcool, que aumentou sua fatia no mercado. Além disso, veio o GNV, a Copesul passou a fabricar gasolina e o PIB cresceu menos que o esperado", aponta. Por conta disso, só agora a empresa está investindo na logística para expansão dos dutos até o terminal de Tramandaí (RS), o que viabilizará o alcance da capacidade plena.

Com um faturamento projetado de R$ 12,5 bilhões para este ano, a Refap planeja novos investimentos, como a unidade de hidrodesulfurização de gasolina (retirada do enxofre, que aumenta a qualidade), orçada em US$ 90 milhões. Até julho deve ser realizada uma captação de cerca de R$ 250 milhões por meio de uma operação com Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI).

Fonte: Jornal do Commercio

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