Certificação

Raízen recebe selo global de açúcar e álcool

Valor Econômico
21/06/2011 09:50
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A Raízen, joint venture formada pela Cosan e Shell, anunciou ontem que recebeu a primeira certificação mundial exclusiva do setor de álcool e açúcar. Conhecido como Bonsucro, o selo é uma exigência da União Europeia para exportadores dessas commodities. Ele determina critérios ambientais, sociais e trabalhistas de produção.
 

De acordo com a empresa, foram certificadas 1,7 milhão de toneladas de cana-de-açúcar, 130 mil toneladas de açúcar e 63 milhões de litros de etanol, todos produzidos na unidade Maracaí, no interior de São Paulo. O volume representa aproximadamente 50% da produção da unidade paulista.
 

"A meta é certificar 100% de suas 24 usinas no Brasil em cinco anos", disse ao Valor o vice-presidente de Sustentabilidade e Relações Exteriores da Raízen, Luiz Osório. A empresa deverá levar a certificação este ano a outras quatro unidades em São Paulo, onde está concentrada a produção sucroalcooleira.
 

Para chegar a esse objetivo, Osório conta com o suporte de US$ 350 milhões previstos para melhoramentos em saúde, ambiente e segurança das usinas até 2015.
 

No momento, a empresa realiza a análise de "gaps" - exigências não atendidas segundos os critérios para a certificação. São 48 indicadores e cinco princípios, que visam reduzir impactos ambientais e sociais na produção de açúcar, etanol e energia provenientes da cana. Eles vão desde a manutenção da biodiversidade até o aperfeiçoamento contínuo do setor.
 

O executivo explica que os principais "gaps" hoje estão nos chamados critérios não essenciais - redução de emissões de efluentes e manejo da terra, por exemplo.
 

Para obter a certificação Bonsucro é necessária a aprovação de 100% dos critérios essenciais (basicamente o cumprimento da legislação nacional) e de, no mínimo, 80% dos critérios não essenciais.
 

O selo é essencial para os planos de expansão dos negócios da empresa, tanto no mercado interno quanto externo. Joint venture formada em abril, a Raízen pretende atingir uma capacidade de moagem de cana-de-açúcar de 100 milhões de toneladas até 2015. Hoje, sua capacidade de moagem é de 65 milhões de toneladas de cana.
 
 
Na mesma linha, almeja uma expansão dos atuais 4,4 milhões de toneladas de açúcar para 6 milhões, enquanto a produção de etanol subiria de 2,2 bilhões de litros para 5 bilhões em cinco anos.
 

"Nós não vamos conseguir isso só com as usinas atuais. Optaremos pela expansão das atuais, a construção de novas ou aquisições", afirmou Osório, reiterando planos da empresa já anunciados. E as novas usinas terão a certificação? "Estudaremos caso a caso".
 

O selo deverá facilitar a entrada dos produtos brasileiros na União Europeia, que exige desde o início do ano diretivas ambientais para os biocombustíveis produzidos e importados pelo bloco. A Diretiva de Energias Renováveis (Red, na sigla em inglês), aprovada pela Comissão Europeia, estabelece a adoção de 10% de energia renovável no setor de transportes da região até 2020, entre outros pontos.
 

"E uma das maneiras de se conseguir isso é através de biocombustíveis certificados", explica Luiz Fernando Amaral, gerente de sustentabilidade da Única (União da Indústria de Cana-de-Açúcar).
 

Com alguma razão, os europeus passaram a exigir a certificação da produção brasileira de etanol em meio a questionamentos sobre a sustentabilidade do etanol. Na época, a principal crítica foi de que a expansão da cana forçaria as demais culturas a se deslocarem para áreas ainda preservadas, como a Amazônia e o Cerrado brasileiros.
 

Por esse motivo, a certificação Bonsucro (inicialmente chamado de Better Sugarcane Initiative) foi trabalhada em detalhes e submetida à apreciação europeia, de forma que não houvesse dúvidas de que atendesse às exigências do bloco.
 

Única certificação voltada exclusivamente para a cana-de-açúcar, o Bonsucro começou a ser elaborado há cinco anos e reúne grandes produtores e consumidores de açúcar e álcool, como Coca-Cola, Shell e BP, além de financiadores (IFC, afiliada do Banco Mundial) e organizações não governamentais (WWF entre elas).
 

Apesar de envolver o maior número de membros e do alcance internacional, há outros selos para biocombustíveis aceitos desde o início do ano pela União Europeia.
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