Biocombustíveis

Questionada a viabilidade do etanol e do biodiesel

Entidades internacionais questionam a viabilidade do etanol e do biodiesel durante o Hart World Fuels Conference - Latin America e Caribbean 2005. Empresários e pesquisadores brasileiros defendem os biocombustíveis.


15/06/2005 00:00
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Embora os combustíveis renováveis tenham sido o tema central da Hart World Fuels Conference - Latin America e Caribbean 2005, algumas entidades internacionais apontam críticas a respeito da viabilidade do etanol e do biodiesel. Empresários e pesquisadores brasileiros defendem os biocombustíveis.
O co-diretor da SwissContact - Fundación Suiza de Cooperació para el Desarollo Técnico - Jon Bickel, afirma que o potencial do etanol é muito pequeno no mundo. Bickel questiona o desenvolvimento dos biocombustíveis em países onde não há segurança alimentar com o argumento de que áreas que deveriam ser destinada ao plantio de gêneros alimentícios acabam se tornando campos de combustível. "Se o país não tem nenhum problema alimentar e toda a população tem alimento suficiente, pode-se plantar gêneros para produzir combustíveis tranqüilamente", analisa.
O executivo, que está baseado na sucursal da SwissContact no Peru, considera ainda que "se há um fomento dos pequenos agricultores, para a produção do biodiesel está bem, mas se o incentivo vai para grandes produtores, reforça o monopólio e financia gente que tem muito dinheiro e muito poder político".
Além disso, o executivo questiona a eficácia dos biocombustíveis para a redução de CO2 na atmosfera. "Aumentar até 20% o percentual de biocombustíveis na mistura de combustíveis fósseis é mais caro do que incentivar a redução de consumo e a emissão continua porque os biocombustíveis também emitem CO2, menos mas emitem", destaca.
Outra visão crítica dos biocombustíveis foi da consultora Marisabel O. Grunewaldt, da Nexant Chem System, de Houston. Marisabel iniciou sua palestra informando que abordaria as más notícias sobre o biodiesel: a glicerina.
Segundo Marisabel, a glicerina é um subproduto indesejado decorrente da produção do biodiesel e que muitas vezes é mais caro purificá-la para diversos usos químicos do que produzir o próprio combustível. A consultora informa que conforme a produção de biocombustíveis aumenta significativamente na Europa, o execesso de glicerina fez com que o produto sobresse uma redução de aproximadamente 50% nos últimos anos, passando de aproximadamente US$ 0,60 por litro para US$ 0,30 pelo mesmo volume.
A sugestão da consultora é que as empresas de biodiesel busquem mercado para este subproduto por meio da ampliação dos mercados atuais e da ampliação de utilidades da glicerina. Como exemplo de novas utilizações, Marisbel destaca o uso da glicerina em células combustíveis à base do elemento, as chamadas GTBE e aplicações na medicina veterinária. 
Um alento às críticas foi apresentado pelo engenheiro químico e professor da UFRJ, Donato Aranda. O professor informou que o biodiesel produzido no Brasil, pela Agropalma, na região Norte, tem duas características que contrapõem algumas críticas e observações.
Aranda destaca que a tecnologia de catalisadores utilizada na produção deste biodiesel permite uma destilação heterogênea e resulta em muito menos resíduos de glicerina ao final do processo. O professor informa que a tecnologia é patenteada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). "Além disso, o Palmdiesel, produzido na Agropalma é muito barato. A matéria-prima utilizada na sua produção é formada por ácidos graxos decorrentes do processamento dos frutos para a produção de óleo de palma", explica.
Em defesa do estanol, o presidente da União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica), Alfred Szwarc, informou que a entidade tem o objetivo de fazer do álcool uma commoddity, com negociações em bolsa, como ocorre com o petróleo e outros combustíveis, para que o produto não seja tratado em negociações internacionais como produto agrícola, muito mais taxado e sujeito a cláusulas protecionistas.
Durante o evento, Szwarc destacou que o etanol ainda representa muito pouco do mercado da gasolina, apenas 2,5%, mas que tende a se tornar um combustível importante no cenário de diversificação energética mundialmente.
O Hart World Fuels Conference - Latin America 2005 foi realizado entre os dias 13 e 15 de junho, no Rio de Janeiro.

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