Brasil

Queda nos investimentos em energia e tarifas altas preocupam o governo

Valor Econômico
05/05/2011 10:37
Visualizações: 1671
Depois de autorizar mudanças nos aeroportos brasileiros, é a vez de o setor elétrico ocupar o primeiro lugar nas preocupações da presidente Dilma Rousseff. Ela reuniu-se na segunda-feira com o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, o secretário-executivo da pasta, Márcio Zimmermann, e o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Nelson Hubner, para traçar um amplo diagnóstico do setor, segundo informações de um assessor próximo.
 
 
Dilma questiona e pede soluções para o alto valor das tarifas de energia elétrica - quase metade composta por encargos incidentes sobre a conta - e a possibilidade de redução de investimentos às vésperas de megaeventos, como a Copa do Mundo de futebol de 2014 e a Olimpíada de 2016, no Rio de Janeiro.
 

Duas situações reforçam o temor do governo de uma diminuição no nível de investimentos privados ao longo dos próximos anos: a decisão da Aneel de reduzir de 9,95% para 7,15% a Taxa de Remuneração - o que as empresas ganham para investir no sistema e compensar os gastos com o risco Brasil e outras perdas econômicas - e o término, em 2015, da maioria das concessões de distribuidores e geradoras de energia, o que deixaria os investidores receosos de aplicar recursos sem a garantia de que continuarão operando no setor no futuro.
 

A mudança na Taxa de Remuneração está sendo avaliada pela Aneel dentro do 3º Ciclo de Revisão Tarifária, iniciado em setembro do ano passado. A redução já estava decidida e a agência deveria começar a aplicar a mudança de percentual nas primeiras distribuidoras, como a Companhia Elétrica do Ceará (Coelce). Mas as distribuidoras reclamaram que essa mudança significaria uma redução de R$ 5 bilhões anuais em seus cofres - algumas delas teriam um queda de aproximadamente 30% na receita - o que limitaria a capacidade de investimentos no setor.
 
 
Com a pressão, a Aneel prorrogou até o dia 27 de maio a consulta pública sobre o tema para buscar uma alternativa. A possibilidade de diminuição no ritmo de investimentos é uma notícia ruim. Dilma disse aos seus auxiliares que o país não tem problemas quanto às fontes de energia - a matriz nacional é limpa e renovável.
 

As condições da geração e distribuição, porém, não oferecem o mesmo grau de confiabilidade. A capital federal, Brasília, que será uma das 12 cidades-sede da Copa do Mundo de futebol de 2014, e o Rio de Janeiro - já escolhido para abrigar a partida final da copa e sediar a Olimpíada de 2016 - sofrem com apagões mesmo em dias em que não há chuva. Com o natural aumento no movimento de pessoas no país em eventos deste porte, o temor é que haja um colapso no sistema.
 
 
Dilma também está preocupada com o término do prazo de concessões das principais distribuidores e geradoras do país, previsto para 2015. Segundo dados da Aneel, vencerão em 2015 as concessões de 68 usinas que, juntas, têm potência instalada de 21,4 mil megawatts (MW). Isso equivale a cerca de 20% da atual capacidade instalada de produção de energia no país. Na área de distribuição, expiram, entre 2015 e 2016, os contratos de 40 concessionárias, muitas delas estratégicas, como as administradas pela Chesf.
 

O temor de que isso provoque uma paralisação nos investimentos não é injustificado. Em 2008, o então governador de São Paulo, José Serra (PSDB), tentou privatizar a Cesp - cuja concessão também vence em 2015. Não conseguiu, pois os empresários não quiseram comprar uma das principais distribuidoras do país diante da possibilidade de tê-la nas mãos por apenas sete anos.
 

As dúvidas quanto à concessão não são apenas políticas ou econômicas, mas também jurídicas. Especialistas do setor e do próprio governo divergem sobre a forma para se alterar o regime de concessão - caso seja essa a decisão a ser tomada. Para alguns juristas, seria preciso enviar ao Congresso um novo projeto de lei, alterando a legislação atual. Outros defendem que a situação poderá ser resolvida com um mero decreto presidencial.
 

Dilma também pressiona pela redução no preço das tarifas, considerado por ela alto demais. O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, apoia a medida, por considerar que a energia cara diminui a competitividade da indústria brasileira. Aproximadamente 45,3% da tarifa é decorrente de encargos que incidem sobre ela.
 
 
O governo, porém, não abre mão da Reserva Global de Reversão (RGR), prorrogada até 2035 pela Medida Provisória 517, em tramitação no Congresso. O governo afirma que a RGR mantém programas sociais, como o Luz para Todos. O fundo tem hoje R$ 15,6 bilhões e cerca de R$ 7 bilhões são usados para financiar o setor elétrico, principalmente projetos da Eletrobras.
Mais Lidas De Hoje
veja Também
Energia Elétrica
Abraceel inaugura autorregulação para reforçar segurança...
27/10/26
Mato Grosso
Além do agro, Sinop amplia espaço para serviços e novos ...
26/10/26
Pré-Sal
PPSA realiza 10º Leilão Spot na próxima quarta-feira
26/10/26
Etanol
IA ajuda Raízen a antecipar riscos e combater incêndios ...
23/10/26
Descomissionamento
Painel dinâmico traz novas funcionalidades sobre ativida...
23/10/26
ANP
Encontro Nacional do PRH-ANP reúne 414 participantes com...
23/10/26
Gás Natural
Leilão da PPSA traz competitividade à indústria nacional
22/10/26
Firjan
Boletim Rio Exporta destaca que estado do Rio obtém cres...
21/10/26
Refino
Acelen assume naming rights e amplia presença da marca n...
21/10/26
Gás Natural
ANP adia audiência pública sobre o Gas Release para 19/11
21/10/26
Gás Natural
1º Leilão de Gás Natural da União tem 36 empresas habili...
20/10/26
BPC 2026
Eficiência, inovação e regulação dominam os debates hoje
20/10/26
ANP
Seminário da ANP debate desempenho da indústria de petró...
20/10/26
Biometano
White Martins amplia atuação em soluções energéticas com...
20/10/26
Pré-Sal
P-82 inicia viagem rumo ao Brasil
20/10/26
BPC 2026
Segurança energética e a nova onda da exploração
19/10/26
Evento
Brazilian Petroleum Conference (BPC 2026) começa na segu...
19/10/26
iBEM27
Terceiro encontro internacional de energia abre calendár...
19/10/26
Resultado
Produção de petróleo da União marca 313 mil barris por d...
19/10/26
Biometano
Necta destaca avanço do biometano em São Paulo durante a...
19/10/26
Fiscalização
ANP e Senacon fiscalizam mercado de combustíveis para co...
16/10/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.