Internacional

Quatro possíveis finais antecipados para o acordo Opep-Rússia

Bloomberg, 05/01/2018
05/01/2018 15:20
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A Opep e a Rússia surpreenderam o setor com o sucesso de sua grande aliança e o petróleo atingiu o preço mais alto em três meses. Essa inesperada união, que agora entra em seu segundo ano, tem desafios pela frente. Estes são quatro cenários que poderiam colocar um fim a esse acordo antes do previsto.

Manifestações

Existem muitas tensões em dois países-membros da Organização de Países Exportadores de Petróleo, o Irã e a Venezuela, os dois que, segundo a RBC Capital Markets, apresentam o maior risco de interrupção de fornecimento. Se, como resultado, algum deles parar de extrair petróleo, os outros produtores poderiam decidir que as restrições já não são mais adequadas e aumentar a oferta para evitar um choque prejudicial de preços.

Missão cumprida

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, poderia ceder à pressão das maiores petroleiras de seu país para se retirar rapidamente do acordo. Embora a prorrogação do acordo tenha contado com sua aprovação, a Rosneft e a Lukoil alertaram que se as medidas durarem muito tempo, as empresas poderiam perder participação no mercado para as rivais. Como os preços do petróleo estão subindo e os estoques estão diminuindo, a Rússia poderia convencer os outros países a encerrarem o acordo antes do prazo previsto.

A tentação de trapacear

A maior fraqueza da OPEP é que "nós tendemos a trapacear", segundo a famosa frase de Ali AlNaimi, ex-ministro de Petróleo da Arábia Saudita.

No ano passado, o Iraque -- que no começou se resistiu a reduzir a produção porque estava se recuperando de anos de guerra -- demorou tanto para realizar os cortes prometidos que seu ministro de Petróleo foi chamado a Riad. As ambições muito públicas do país de expandir a capacidade o mais rapidamente possível só aumentam as dúvidas sobre o compromisso.

Embora a Opep tenha produzido menos do que os níveis prometidos nestes últimos meses, a Líbia e a Nigéria continuam sendo imprevisíveis. Tendo ficado fora do acordo no começo, os dois países aumentaram a produção a um ritmo tão rápido no ano passado que os outros países aplicaram um limite também a eles.

Vítima do próprio sucesso 

A estratégia Opep-Rússia sempre conteve uma contradição: ao impulsionar o preço do petróleo, eles se arriscam a desencadear uma nova onda de produção da fonte original do excesso de oferta -- o xisto dos EUA.

O petróleo bruto em Nova York atingiu o maior valor em três anos e nesta semana ultrapassou US$ 62 por barril. Está em um nível mencionado frequentemente pelo setor de xisto como rentável para fazer mais perfurações.

O Commerzbank afirma que se os EUA abrirem mais poços de xisto, a resposta lógica da Opep e da Rússia será abandonar sua estratégia e voltar à época de extrair tudo o que puderem. A inesperada irmandade poderia acabar sendo vítima do próprio sucesso.

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