Biocombustíveis

Produção do etanol tem pior momento em 11 anos

Agência Estado
29/08/2011 09:41
Visualizações: 1308
Mais que a queda de produção, as seguidas revisões para baixo da safra 2011/2012 revelam que a cadeia produtiva da cana-de-açúcar vive o pior momento dos últimos 11 anos. E a recuperação do setor para atender o descompasso entre demanda e oferta do mercado depende de um novo ciclo de desenvolvimento, semelhante ao ocorrido na década passada, ao custo de R$ 80 bilhões.

Ao contrário da crise de 1999/2000 - quando o setor enfrentava forte desregulamentação e o desafio era conter a oferta por causa da produção excedente e dos preços baixos - desta vez, o problema é oposto. A falta de matéria-prima eleva os preços dos produtos no Brasil e no exterior, colocando em dúvida a capacidade do setor de atender um mercado pressionado pela alta demanda de açúcar e de álcool combustível.

A possível quebra de 8% a 15% na safra de cana e de até 20% na produção de etanol na região Centro-Sul - responsável por 50% da cana e 60% do álcool produzido no país - embora atribuída diretamente ao envelhecimento do canavial, às adversidades climáticas e à queda de qualidade da matéria-prima, é fruto da conjuntura econômica pós-crise de 2008. "Vivemos hoje a soma de todos os males. Houve problemas de clima, de falta de investimento nas plantações e de falta de planejamento. A crise de 2008 não foi uma marola, mas uma onda gigante para surfistas profissionais, que surte até agora seus efeitos", afirma o vice-presidente da Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), Luiz Carlos Corrêa de Carvalho.

"Com a crise, os produtores e a indústria ficaram sem recursos para financiar a renovação do canavial", explica Carvalho, também sócio da Consultoria Canaplan, que recentemente divulgou revisão da safra com quebra de 14,38%. Ele lembra que o setor precisaria crescer de 7% a 8% ao ano e construir 15 novas usinas de médio porte por ano até 2020 para abastecer a frota de flex e o crescimento vegetativo 2% do consumo mundial de açúcar.

Representante da União das Indústrias de Cana-de-Açúcar (Unica) em Ribeirão Preto, Sérgio Prado, diz que o setor vinha de um crescimento de 10% ao ano com a instalação de 90 indústrias entre 2003 e 2008, mas que, após a crise de 2008, os investimentos acabaram por falta de crédito. Mesmo assim, a quebra de safra não era esperada. "Ainda em 31 de março de 2011, estimávamos um crescimento de 2% na safra deste ano", diz.

Na sua última revisão, a Unica previu uma queda de safra de 8,4%, de 557 milhões de toneladas de cana da safra passada para 510 milhões para a safra atual. A entidade estima que a produção de álcool hidratado caia em 20% e a de açúcar em 8%. "O problema é que pela primeira vez na história a produtividade da região Centro-Sul será superada pela do Nordeste", diz Carvalho.

"Em 60 anos de atividade, poucas vezes passamos por uma fase tão ruim como essa. Os últimos três anos foram de sofrimento, de total falta de recursos. Com isso, os produtores não cumpriram com suas obrigações com a renovação dos canaviais e não fizeram o manejo adequado", diz o agricultor José Coral, presidente da Cooperativa dos Plantadores de Cana do Estado de São Paulo, entidade que reúne 5 mil fornecedores independentes.

Para Coral, das 43 milhões de toneladas produzidas pelas 22 usinas e 5 mil produtores da região há três anos, a produção cairá, na safra atual, para 32 milhões de toneladas. "Isso demonstra que o desânimo e a falta de investimento no campo vêm caindo faz três safras", explica.

"O lado bom é que esta crise reajustou os preços da cana, melhorando a remuneração, o que dá um ânimo para que os produtores possam renovar os canaviais", diz. Segundo ele, o preço pago aos produtores, em torno de R$ 47,00 a tonelada na safra passada, deverá subir para R$ 65 a R$ 70 a tonelada na safra atual.
Mais Lidas De Hoje
veja Também
SOG 2026
ABPIP leva ao Sergipe Oil & Gas debate sobre o fortaleci...
28/07/26
GLP
Copa Energia reúne setor de GLP em ação nacional voltada...
27/07/26
Biodiesel
Volatilidade do petróleo reforça importância estratégica...
27/07/26
Fenasucro
ApexBrasil traz investidores internacionais de SAF e e-S...
27/07/26
Energia Elétrica
ENGIE contrata WEG para fornecimento de equipamentos da ...
27/07/26
Combustíveis
Etanol amplia perdas e encerra a semana pressionado
27/07/26
ANP
ANP aprova relatório de estudo sobre controle de queima ...
24/07/26
SOG 2026
Sergipe Oil & Gas 2026 impulsiona inovação e investiment...
24/07/26
Gás Natural
ANP aprova participação no Pacto Nacional para o Desenvo...
24/07/26
Combustíveis
ANP aprova Avaliação de Resultado Regulatório sobre ativ...
24/07/26
Evento
BR Aviation apresenta seu portfólio de soluções personal...
23/07/26
Royalties
Royalties: valores referentes à produção de maio foram d...
23/07/26
Combustíveis
Setor de combustíveis e lubrificantes registra queda 1,8...
22/07/26
Gestão
Constellation alcança paridade de gênero pela segunda ve...
21/07/26
IBP
Estudos apontam redundância do imposto de exportação e e...
21/07/26
Combustíveis
Queda do diesel puxa recuo dos combustíveis em julho e e...
21/07/26
PPSA
7º Leilão Spot: PPSA comercializa cargas de Atapu e de B...
20/07/26
Fenasucro
Bioenergia amplia aporte econômico e energético do Brasil
20/07/26
Combustíveis
Etanol fecha a semana em queda, mas mercado dá sinais de...
20/07/26
Negócio
ENGIE Brasil Energia conclui oferta subsequente de ações...
17/07/26
Resultado
Produção de petróleo da União chega a 244 mil barris por...
17/07/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.