Petroquímica

Primeiras estacas dão início à obra do Comperj

Valor Econômico
27/08/2010 09:39
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Do alto, vista de longe, parece uma enorme área devastada para fazer pasto, como tantas que brotam em algumas áreas da Amazônia. Quando o helicóptero se aproxima da área, limitada por rios ao norte e ao sul, vê-se máquinas - caminhões, tratores, escavadeiras - trabalhando, galpões aqui e ali, canais de drenagem... no meio de um grande trecho especialmente descampado um grupo de homens trabalha em volta de alguns equipamentos. Já em terra, o engenheiro Paulo Nascimento, da Alusa Engenharia, explica que são os preparativos para fincar as duas primeiras estacas da obra de instalação da unidade de hidrocraqueamento catalítico (HCC), um dos principais equipamentos da refinaria do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).
 

É o controvertido e refeito projeto passando da fase de terraplenagem para a de instalação de equipamentos, ganhando ares de irreversibilidade. Nascimento explica que serão 300 estacas para sustentar as fundações da unidade, primeira do gênero a ser instalada em uma refinaria da Petrobras. O HCC é um método de remoção de impurezas dos derivados de petróleo à base de elevadas pressões de hidrogênio. A unidade do Comperj foi contratada à Alusa por R$ 1,4 bilhão.
 

"Quando ficar pronta, esta obra vai mudar a história do Rio de Janeiro e da região", afirma o diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, que fez seu primeiro sobrevoo da área do Comperj em companhia da reportagem do Valor. A região é o município de Itaboraí, de características rurais muito degradadas na região metropolitana do Rio de Janeiro, e adjacências. O Comperj ocupa uma área de 45 quilômetros quadrados (km2) do distrito de Sambaetiba, limitada ao norte pelo rio Macacu, ao sul pelo rio Casseribu, a Oeste pela ruínas do Convento de São Boaventura (século 17) e a Leste pela estrada RJ-116 (Rio-Nova Friburgo).
 

A área industrial, já com 86% da terraplenagem pronta, ocupa apenas 12,4 km2, correspondente a um perímetro de 20 quilômetros (km), quase três vezes o da lagoa Rodrigo de Freitas (7,5 km) na Zona Sul do Rio de Janeiro. Com custo orçamentário de quase R$ 900 milhões, a terraplenagem gerou uma polêmica ainda não concluída entre a Petrobras e o Tribunal de Contas da União (TCU) que viu superfaturamento nos custos.
 

A obra só prosseguiu porque o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a incluiu no orçamento da União para este ano. A Petrobras argumenta que o TCU usa critérios próprios para estrada de rodagem para avaliar terraplenagem de uma área que receberá equipamentos superpesados. Agora, da terraplenagem faltam apenas alguns acabamentos e o levantamento de solo de uma das áreas. Dez lagoas artificiais coletam a água dos canais de drenagem para evitar alagamentos.
 

Costa explica que o atual estágio corresponde a 14,9% do total da obra da primeira fase do Comperj que, no desenho atual, prevê uma refinaria para processar 165 mil barris diários de petróleo. Embora a refinaria tenha equipamentos para gerar diretamente produtos petroquímicos básicos (eteno, propeno e outros), pelo cronograma atual ela entrará em operação no fim de 2013, mas as unidades de produção de resinas e outros produtos petroquímicos só deverão entrar em funcionamento em 2017.
 

A segunda geração petroquímica, que custará sozinha mais de US$ 3,5 bilhões, ainda é objeto de uma negociação entre a Petrobras e sua parceira Braskem (maior petroquímica do Brasil, da qual a Petrobras detém 40% do capital). Costa disse que espera para setembro o "sim" da Braskem para a assunção da linha de frente do polo petroquímico que originou todo o projeto do Comperj. A Braskem esclarece que entre o eventual "sim" e o "mãos à obra" ainda vai levar tempo.
 

A terceira etapa do complexo é a duplicação da refinaria, para 330 mil barris/dia de óleo, prevista para operar em 2018. A refinaria vai começar produzindo diesel de baixo teor de enxofre (S-10), querosene de aviação (QAV) e outros derivados, para atender a esperada demanda por combustíveis gerada pela expansão econômica. Embora postergada para 2017 (inicialmente seria para entre 2012 e 2013), a petroquímica já tem sua área assegurada e preparada dentro do complexo.
 

A maior parte da área do Comperj (23 km2) é formada por pastos, sítios de lazer e alguns capões de mata virgem que estão sendo objeto de um ambicioso projeto de reflorestamento a partir de um projeto feito por técnicos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O projeto prevê o plantio de um milhão de árvores nativas da Mata Atlântica dentro da área do Comperj e três milhões na área externa, esta última sob coordenação do governo do Estado do Rio de Janeiro.
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