Etanol

Pressão mundial encarece o álcool

Correio Braziliense
01/12/2009 09:44
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Uma boa e uma má notícia para quem usa o álcool combustível. A boa é que o preço do etanol - um dos mais caros da história (leia quadro ao lado) - tende a parar de subir a partir de dezembro. A má é que deve se estabilizar nesse patamar. Desde junho, o valor do produto só sobe - passou de R$ 1,17 o litro em São Paulo (usado como base porque é o maior produtor e consumidor do país) para R$ 1,559 na segunda semana de novembro, com alta de 33%.
 
 
Para a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Única), o pior momento já passou. Segundo Sérgio Prado, representante da Única em Ribeirão Preto, há duas semanas o preço no fabricante chegou a subir mais de 2% em apenas sete dias. "O preço é volátil e ainda está buscando o ponto de equilíbrio depois de sofrer bastante com a crise econômica iniciada nos últimos meses do ano passado", explicou.


Ele lembrou que, há dois anos, episódios externos afetam os preços do produto no Brasil. "No fim de 2007, as exportações de álcool caíram e houve uma oferta maior, fazendo os preços caírem. No ano passado, foi a crise que diminuiu a demanda e reduziu os preços. Agora, aparentemente, entramos em um período de normalidade."


Para a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), não é factível falar em escassez do combustível. "Com relação ao etanol hidratado, sua demanda, uma vez assentada em veículos bicombustíveis, pode, sem maiores obstáculos, migrar para a gasolina, frente à eventual paridade de preços desfavorável ao combustível verde. No caso do etanol anidro, sua oferta pode ser expandida a contento, a fim de atender ao teor de composição da gasolina C. Em última instância, tal teor poderia ser reduzido dos atuais 25% para o limite inferior de 20%", explicou Allan Kardec, diretor da ANP.


O motivo


O açúcar, aliás, tem sido apontado por especialistas do setor como o grande fator desestabilizador do mercado de etanol. De acordo com Bruno Bosz, analista de mercado da AgraFNP, consultoria técnica e econômica voltada para o setor de agronegócios, há um ano a Índia, o maior consumidor mundial de açúcar, teve uma quebra de 42% em sua safra de cana-de-açúcar.


De uma estimativa inicial de produção de 26 milhões de toneladas, a colheita totalizou 15 milhões. "Então, de exportadora a Índia passou a importadora do produto e isso sacudiu o mercado. Tanto que, no ano passado, a libra do açúcar estava cotada em 12 centavos de dólar. Subiu até um pico de US$ 0,24 e agora está sendo negociado a US$ 0,22.


O resultado foi que as usinas mistas brasileiras, que têm capacidade de produzir álcool e açúcar, redirecionaram a produção. "Mas essa mudança só afeta um máximo de 5% da capacidade instalada dessas usinas. Assim, se a usina produz 50% de álcool e 50% de açúcar, passou a produzir 45% de álcool e 55% de açúcar", contou Bosz.


Isso explica parte da história do aumento de preços do etanol, mas não tudo. "Outra parte é que houve um crescimento acentuado na venda de carros flex". Por fim, o terceiro fator que mexeu com os preços do álcool foi a chuvarada que caiu entre julho e setembro, prejudicando a colheita da cana.


"A tendência é que os preços devam se manter elevados", diz Bosz, porque a demanda pelo etanol continuará alta. "Além disso, estamos entrando na entressafra agora em dezembro, já que a colheita foi atrasad a pelas chuvas". E mais: a safra de cana na Índia será frustrada novamente em 2010. Refresco, só a partir de 2011.
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