Combustíveis

Preço do álcool deve subir mais no Brasil

Valor Econômico
07/10/2005 00:00
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A dois meses do encerramento oficial da safra 2005/06 no Centro-Sul - região responsável por 85% da produção nacional de açúcar e álcool no país -, os preços do combustível dão mostras de que podem subir ainda mais e permanecer firmes até o fim do período de entressafra de cana na região, em abril de 2006.

Os preços médios do álcool ao consumidor subiram em média 4,6% nas bombas do Sudeste somente na última semana, enquanto os da gasolina ficaram praticamente estáveis, segundo a Agência Nacional do Petróleo. E a demanda aquecida no país e no exterior continua sustentando esse mercado.

A produção de álcool para esta safra no Centro-Sul está estimada em 15,274 bilhões de litros, um aumento de 12,3% em relação ao ciclo anterior, segundo a consultoria Datagro. Apesar da maior produção, a demanda interna por álcool combustível cresceu 6,4% nesta safra, para 11,509 bilhões de litros, e as exportações também devem subir 2,5%, para 1,93 bilhão de litros. A expectativa no início da safra era de que os embarques caíssem.

No mercado internacional, são as recentes altas dos preços do petróleo que alavancam os embarques brasileiros. No país, é o consumo crescente derivado da explosão de produção e vendas de carros flexfuel (álcool e gasolina no mesmo tanque) que oferecem suporte.

No mês passado, o aumento dos preços dos combustíveis - com o anúncio do reajuste da gasolina - foi um dos fatores que ajudaram a pressionar a inflação. Segundo o coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), Paulo Pichetti, o peso do álcool no índice de preços da Fipe é de 0,55%, enquanto o da gasolina é de 2,65%. Pichetti explicou que a gasolina é proporcionalmente o produto com maior peso entre os 525 itens que compõem o índice.

"Como são produtos concorrentes, os preços do álcool sobem quando há reajuste na gasolina", disse. Segundo ele, o álcool poderá ter maior peso no índice de preços gerais da Fipe por conta do sucesso dos veículos flexfuel. No mês de setembro, as vendas de flexfuel somaram 91,210 mil unidades, aumento de 153% sobre igual período do ano passado, ou 65,8% do total dos veículos vendidos no mês. A comercialização de carros à gasolina totalizou 38,449 mil unidades, queda de 56,09% sobre setembro de 2004, de acordo com a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Atualmente 80% dos consumidores com carro flexfuel utilizam álcool como combustível principal, segundo a União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica).

As distribuidoras, representadas pelo Sindicom, disseram que fizeram os recentes reajustes como reflexo do aumento dos preços repassados pelas usinas.

Mesmo com os recentes aumentos dos preços do álcool, a paridade entre o combustível e a gasolina está favorável ao álcool. O mercado estabelece que o álcool está mais competitivo quando seu preço corresponde a até 70% da cotação da gasolina. Hoje essa relação em São Paulo - maior pólo produtor de álcool e consumidor de flexfuel no país - está em 50,8%, o que teoricamente, segundo analistas ouvidos pelo Valor , dá espaço para novos aumentos. Somente em sete Estados, todos os do Norte e em parte do Nordeste, a gasolina está mais barata que o álcool, segundo Giovana Araújo, da Datagro.

Nesta semana, boa parte das corretoras chegou a ofertar álcool anidro (sem imposto) e hidratado (com imposto) a quase R$ 1. Esta marca não é observada desde 19 de outubro de 2004, informou Ivan Bueno, da NovaFox corretora.

Para Antonio de Padua Rodrigues, diretor técnico da Unica, o setor precisa buscar um equilíbrio para evitar que a volatilidade dos preços - com pico de baixa no início da colheita e alta durante o encerramento da safra.

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