Combustíveis

Preço do álcool bate recorde na bomba


02/03/2006 00:00
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Produto já acumula alta de 40% desde dezembro e não deve recuar no curto prazo.

Os preços do álcool hidratado já atingem cotações recordes nos postos de gasolina de São Paulo - principal produtor do combustível país. Segundo levantamento do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo (Sincopetro), o preço alcançou R$ 2 o litro.

A expectativa é de que os preços não recuem no curto prazo e tenham até novos reajustes, mesmo com o início da safra de cana-de-açúcar no país, antecipada de maio para março, uma vez que os estoques nas mãos das usinas estão apertados e a intensificação da moagem de cana deverá ocorrer somente a partir de abril.

Dados da União da Agroindústria Canavieira de São Paulo (Unica) indicam que a moagem de cana deverá ser de 20 milhões de toneladas entre março e abril, de um total estimado para a safra 2006/07 de 363 milhões de toneladas. Dos 20 milhões de toneladas estimados para estes dois meses, as usinas deverão produzir cerca de 850 a 900 milhões de litros de álcool até o final de abril. O consumo mensal está em torno de 1,1 bilhão de litros. O estoque das usinas até a primeira quinzena de fevereiro era de 1 bilhão de litros.

Fontes dos postos de gasolina do Estado afirmam que não há desabastecimento, mas "especulação por conta dos preços firmes do produto" no mercado. "As distribuidoras de combustíveis estão repassando o álcool a R$ 1,70 para os postos. Com as margens dos postos, os preços nas bombas atingem entre R$ 1,98 e R$ 1,99 o litro", disse a fonte. "Não está faltando álcool. Está faltando álcool barato."

Desde dezembro do ano passado, início da entressafra da cana no Centro-Sul do país, os preços do álcool estão em elevação. Na emana passada, os preços do álcool hidratado posto-usina encerraram a R$ 1,1530 o litro (sem impostos), aumento de 7,5% em relação à semana anterior e de 40,7% na comparação com dezembro. O litro do anidro (misturado à gasolina) fechou a R$ 1,14934 (sem impostos), 7,13% acima do preço da semana anterior, e alta de 24,25% sobre dezembro.

A queda de braço entre usinas e distribuidoras e entre as distribuidoras e postos de combustíveis acirrou-se nas duas últimas semanas, quando o acordo fechado entre os usineiros com o governo foi oficialmente rompido.

Antonio de Padua Rodrigues, diretor técnico da Unica, credita os aumentos às negociações de mercado.

O Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis (Sindicom) informou que as distribuidoras não estão com dificuldades para comprar álcool. "O problema é que o produto está concentrado na mão de poucas usinas, o que atrapalha a logística de distribuição", afirmou Alísio Vaz, diretor de Sindicom.

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