Energia Eólica

Potência instalada na China é mais de três vezes superior a dos Estados Unidos

Valor Econômico
08/02/2011 10:10
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O panorama global de investimentos em energia eólica sofreu uma mudança drástica no ano passado. Até 2009, Estados Unidos e Europa lideravam o ranking de investimentos no setor. Em 2010, no entanto, a China atropelou os americanos e assumiu a primeira colocação do ranking mundial, investindo no ano passado três vezes mais que os EUA, antigo maior produtor. Foram 16,5 GW instalados pelos chineses, contra 5 GW dos americanos e 9,8 GW dos europeus. Sozinha, a China totalizou 42 GW instalados, o que equivale a 21,7% do total mundial, contra 40 GW dos EUA.
 

O crescimento do mercado de energia eólica coloca a China em posição de atingir 200 GW em produção até 2020. Ao mesmo tempo, o país asiático assumiu a liderança mundial na fabricação de turbinas eólicas, segundo dados da Secretária Geral da Associação Chinesa da Indústria de Energias Renováveis (Creia, na sigla em inglês).
 

Apesar do crescimento estrondoso da China, a Europa ainda é o continente com maior produção no mundo, com um total de 86 GW. A capacidade instalada avançou rapidamente. Em 2000, as eólicas espalhadas pelo mundo produziam 17 GW. Nos últimos dez anos, esse volume cresceu 1.000%. Em 2010, a potência global chegou a 194 GW. Apesar da forte alta mundial no ano passado, quando foram somados 35 GW, o recorde ainda é de 2009, quando o setor cresceu 38 GW. A capacidade instalada em 2010 equivale a US$ 65 bilhões em investimentos no mundo, segundo relatório do Greenpeace.
 

A Ásia, que instalou cerca de 4 GW em 2006, fechou o ano passado com quase 20 GW adicionais. Esse número supera com folga o aumento europeu, de 9,8 GW; e o americano, de 5,8 GW. No continente africano quase não existem turbinas eólicas. A taxa de crescimento nos últimos anos é insignificante. Egito e Marrocos são os principais produtores de energia eólica no continente. No Egito, já existem empresas que fabricam componentes para turbinas, mas a geração é tímida. O país encerrou 2010 com 550 MW, seguido pelo Marrocos com 286 MW e a Tunísia, com 114 MW. O total produzido pela África é de 1 GW.
 

O Brasil, a despeito de seu parque ainda limitado, aumentou em 50% sua capacidade em 2010, saltando de 606 MW para 931 MW, segundo a Global Wind Energy Council (Gwec).
 
 
Em entrevista ao Valor, o secretário geral da Gwec, Steve Sawyer, afirmou que o Brasil é hoje a bola da vez no setor e que, mantida a projeção atual de crescimento, o país deverá figurar em breve entre as dez maiores potências eólicas do mundo. "O Brasil é hoje um dos mercados mais atraente do mundo e está atraindo as grandes companhias do setor. Acredito que, até 2015, será um dos maiores atores desse mercado."
 

Nesta rota de crescimento, os ventos sopram mais forte nos Estados do Norte, em especial, no Rio Grande do Norte. "vamos instalar 69 parques eólicos até 2013, projetos que demandarão investimento de R$ 8 bilhões", diz Benito Gama, secretário de desenvolvimento econômico do Rio Grande do Norte. "Investiremos na criação de um centro tecnológico para formação de especialistas. Temos uma Itaipu do vento pela frente."
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