Rio de Janeiro

Porto da Impala vai influenciar mercado local

Porto Sudeste do Brasil, em Itaguaí, entra em operação em agosto.

Valor Econômico
07/04/2014 11:55
Visualizações: 1460

 

A entrada em operação do Porto Sudeste do Brasil, em Itaguaí (RJ), em agosto, deverá levar a uma maior concorrência no mercado doméstico de minério de ferro, podendo resultar, inclusive, em aumento de preço para os produtores locais. Mas qualquer alteração significativa no cenário interno vai depender também de uma recuperação do preço do minério de ferro na China, o grande consumidor mundial da commodity.
A expectativa é de que, a partir de 2015, o mercado brasileiro passe por mudanças uma vez que pequenos e médios mineradores independentes e também grandes grupos que investem no setor em Minas Gerais terão um novo porto de grande capacidade, agora sob o comando da Impala, subsidiária da trading Trafigura, para escoar a produção e exportar.
O Porto Sudeste nasce com capacidade de escoar 50 milhões de toneladas por ano, volume que será atingido de forma gradativa. Serão 7 milhões de toneladas este ano e 35 milhões de toneladas em 2015. Em 2016, o porto poderá superar a capacidade de 50 milhões de toneladas por ano inicialmente prevista na primeira fase, etapa que, quando estiver concluída, terá consumido investimentos totais de cerca de R$ 4 bilhões.
Mariano Marcondes Ferraz, membro do conselho de administração do consórcio Porto Sudeste, disse que investimentos adicionais em análise na retroárea do porto poderão permitir ampliar a capacidade do Sudeste para 70 milhões de toneladas por ano a partir de 2016. Essa capacidade deve ser suficiente para atender a demanda de escoamento de grandes mineradoras que têm projetos de expansão em Minas Gerais e dependem de porto de terceiros, incluindo Usiminas, ArcelorMittal, Ferrous, Gerdau e a MMX, agora minoritária no Porto Sudeste.
Em recente teleconferência com analistas, o presidente da MMX, Carlos Gonzalez, afirmou que há mineradoras vendendo no mercado à vista para aguardar qual será a estratégia da Impala. Em nota, a Gerdau afirmou: "A Gerdau ainda está avaliando essa mudança no mercado doméstico, mas espera que a entrada de um novo player portuário possa refletir em redução de tarifas." No ano passado, a Gerdau ampliou a capacidade de produção de minério de ferro de 6,5 milhões para 11,5 milhões de toneladas por ano. Até 2016, a empresa pretende atingir 18 milhões de toneladas de produção total.
"O Porto Sudeste é uma nova plataforma logística para o setor. Estamos em conversas com mineradoras [no país] e esperamos que elas se tornem clientes do porto", disse Ferraz. O consórcio que controla o porto é formado pela Impala, subsidiária da Trafigura, e por Mubadala, empresa de investimentos e desenvolvimento de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. Juntas as duas empresas pagaram US$ 400 milhões por 65% do Porto Sudeste. Os outros 35% ficaram com a MMX, de Eike Batista.
Um analista disse que há pequenos mineradores que vendem sua produção para Vale, CSN e MMX - as quais têm porto próprio - e que passarão a vender também para o Porto Sudeste. Ferraz disse que o plano do Porto Sudeste é acessar pequenos, médios e grandes produtores. Mas deverá haver tratamento diferenciado a pequenos mineradores como a Impala já fez no Peru e na Bolívia.
O diretor-executivo de ferrosos e estratégia da Vale, José Carlos Martins, disse que existe um volume substantivo de minério de ferro de produtores independentes sendo exportado pelo terminal da empresa - e também pelo terminal da CSN - no porto de Itaguaí, vizinho ao Porto Sudeste. Martins estima esse volume de minério comprado de terceiros em cerca de 20 milhões de toneladas por ano. "A Vale compra historicamente 10 milhões de toneladas por ano através de contratos de longo prazo e espera continuar comprando no futuro", disse Martins. Além disso, a empresa vende serviço portuário para mais 3 milhões de toneladas por ano. O executivo avaliou que se não houver aumento de produção na região Sudeste, haverá maior concorrência pelo minério e o preço tende a subir com o novo porto. "Mas o que vai comandar tudo é o preço final pago pela China. O que realmente pode determinar alguma mudança no mercado [doméstico] será a combinação de aumento da capacidade portuária com um preço maior do minério na China", disse Martins.
Sebastião Costa Filho, presidente da ArcelorMittal Mineração Brasil, avaliou que a entrada em operação do Porto Sudeste muda as condições do mercado mais pela capacidade de embarque para o mercado internacional. "Os operadores dos atuais portos em funcionamento já apresentaram uma postura diferente em 2014. Existe mais oferta do que ocorria antes, e os valores praticados têm sido menores. A nossa cadeia logística ainda é muito cara, pouco competitiva no cenário internacional", disse Costa Filho. Os grandes produtores brasileiros, donos ou sócios desta cadeia logística, ainda conseguem adquirir minério de produtores menores, a preço competitivo, desestimulando a ida desses produtores ao mercado externo, avaliou o executivo. Perguntado se a ArcelorMittal tem planos de fechar contrato para embarques via Porto Sudeste, ele afirmou que toda nova oportunidade tem de ser estudada. "Nossa busca será sempre pelo melhor negócio." A ArcelorMittal quer crescer na mineração no Brasil. Em 2013, produziu 4 milhões de toneladas de minério de ferro no país, número que deverá ser um pouco maior em 2014.
Usiminas e Ferrous não se pronunciaram. A Usiminas tem projeto avaliado entre US$ 2,5 bilhões e US$ 3 bilhões para produzir mais 17 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. Hoje a capacidade da empresa é de 12 milhões de toneladas. A Ferrous anunciou, em 2013, plano para produzir 15 milhões de toneladas de minério de ferro na mina de Viga, em Congonhas (MG), a partir de 2017.

A entrada em operação do Porto Sudeste do Brasil, em Itaguaí (RJ), em agosto, deverá levar a uma maior concorrência no mercado doméstico de minério de ferro, podendo resultar, inclusive, em aumento de preço para os produtores locais. Mas qualquer alteração significativa no cenário interno vai depender também de uma recuperação do preço do minério de ferro na China, o grande consumidor mundial da commodity.

A expectativa é de que, a partir de 2015, o mercado brasileiro passe por mudanças uma vez que pequenos e médios mineradores independentes e também grandes grupos que investem no setor em Minas Gerais terão um novo porto de grande capacidade, agora sob o comando da Impala, subsidiária da trading Trafigura, para escoar a produção e exportar.

O Porto Sudeste nasce com capacidade de escoar 50 milhões de toneladas por ano, volume que será atingido de forma gradativa. Serão 7 milhões de toneladas este ano e 35 milhões de toneladas em 2015. Em 2016, o porto poderá superar a capacidade de 50 milhões de toneladas por ano inicialmente prevista na primeira fase, etapa que, quando estiver concluída, terá consumido investimentos totais de cerca de R$ 4 bilhões.

Mariano Marcondes Ferraz, membro do conselho de administração do consórcio Porto Sudeste, disse que investimentos adicionais em análise na retroárea do porto poderão permitir ampliar a capacidade do Sudeste para 70 milhões de toneladas por ano a partir de 2016. Essa capacidade deve ser suficiente para atender a demanda de escoamento de grandes mineradoras que têm projetos de expansão em Minas Gerais e dependem de porto de terceiros, incluindo Usiminas, ArcelorMittal, Ferrous, Gerdau e a MMX, agora minoritária no Porto Sudeste.

Em recente teleconferência com analistas, o presidente da MMX, Carlos Gonzalez, afirmou que há mineradoras vendendo no mercado à vista para aguardar qual será a estratégia da Impala. Em nota, a Gerdau afirmou: "A Gerdau ainda está avaliando essa mudança no mercado doméstico, mas espera que a entrada de um novo player portuário possa refletir em redução de tarifas." No ano passado, a Gerdau ampliou a capacidade de produção de minério de ferro de 6,5 milhões para 11,5 milhões de toneladas por ano. Até 2016, a empresa pretende atingir 18 milhões de toneladas de produção total.

"O Porto Sudeste é uma nova plataforma logística para o setor. Estamos em conversas com mineradoras [no país] e esperamos que elas se tornem clientes do porto", disse Ferraz. O consórcio que controla o porto é formado pela Impala, subsidiária da Trafigura, e por Mubadala, empresa de investimentos e desenvolvimento de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. Juntas as duas empresas pagaram US$ 400 milhões por 65% do Porto Sudeste. Os outros 35% ficaram com a MMX, de Eike Batista.

Um analista disse que há pequenos mineradores que vendem sua produção para Vale, CSN e MMX - as quais têm porto próprio - e que passarão a vender também para o Porto Sudeste. Ferraz disse que o plano do Porto Sudeste é acessar pequenos, médios e grandes produtores. Mas deverá haver tratamento diferenciado a pequenos mineradores como a Impala já fez no Peru e na Bolívia.

O diretor-executivo de ferrosos e estratégia da Vale, José Carlos Martins, disse que existe um volume substantivo de minério de ferro de produtores independentes sendo exportado pelo terminal da empresa - e também pelo terminal da CSN - no porto de Itaguaí, vizinho ao Porto Sudeste. Martins estima esse volume de minério comprado de terceiros em cerca de 20 milhões de toneladas por ano. "A Vale compra historicamente 10 milhões de toneladas por ano através de contratos de longo prazo e espera continuar comprando no futuro", disse Martins. Além disso, a empresa vende serviço portuário para mais 3 milhões de toneladas por ano. O executivo avaliou que se não houver aumento de produção na região Sudeste, haverá maior concorrência pelo minério e o preço tende a subir com o novo porto. "Mas o que vai comandar tudo é o preço final pago pela China. O que realmente pode determinar alguma mudança no mercado [doméstico] será a combinação de aumento da capacidade portuária com um preço maior do minério na China", disse Martins.

Sebastião Costa Filho, presidente da ArcelorMittal Mineração Brasil, avaliou que a entrada em operação do Porto Sudeste muda as condições do mercado mais pela capacidade de embarque para o mercado internacional. "Os operadores dos atuais portos em funcionamento já apresentaram uma postura diferente em 2014. Existe mais oferta do que ocorria antes, e os valores praticados têm sido menores. A nossa cadeia logística ainda é muito cara, pouco competitiva no cenário internacional", disse Costa Filho. Os grandes produtores brasileiros, donos ou sócios desta cadeia logística, ainda conseguem adquirir minério de produtores menores, a preço competitivo, desestimulando a ida desses produtores ao mercado externo, avaliou o executivo. Perguntado se a ArcelorMittal tem planos de fechar contrato para embarques via Porto Sudeste, ele afirmou que toda nova oportunidade tem de ser estudada. "Nossa busca será sempre pelo melhor negócio." A ArcelorMittal quer crescer na mineração no Brasil. Em 2013, produziu 4 milhões de toneladas de minério de ferro no país, número que deverá ser um pouco maior em 2014.

Usiminas e Ferrous não se pronunciaram. A Usiminas tem projeto avaliado entre US$ 2,5 bilhões e US$ 3 bilhões para produzir mais 17 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. Hoje a capacidade da empresa é de 12 milhões de toneladas. A Ferrous anunciou, em 2013, plano para produzir 15 milhões de toneladas de minério de ferro na mina de Viga, em Congonhas (MG), a partir de 2017.

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