Combustíveis

Política energética dos EUA falha em conter a demanda

Valor Econômico
05/09/2005 00:00
Visualizações: 768

A crise energética provocada pelo furacão Katrina evidenciou o que analistas do setor já vinham apontando há algum tempo: a falta de incentivos para economia no consumo de energia e para o uso de fontes alternativas nos EUA.
A bancada republicana no Congresso começa a avaliar a partir desta semana uma emenda à lei de energia aprovada em julho. Mas o objetivo principal é elevar o benefício fiscal para a construção de novas refinarias, e não deve haver medidas drásticas para incentivar a economia de derivados do petróleo. Desde 1976 não se constrói uma nova refinaria nos EUA.
O furacão mais devastador da história dos EUA pode ter matado mais de dez mil pessoas nos três Estados do sul mais atingidos: Louisiana, Alabama e Mississipi. Até ontem, porém, não havia estimativa oficial. Centenas de milhares de pessoas estão desabrigadas, espalhadas em abrigos em outros Estados. O prejuízo total na região atingida pode chegar a US$ 100 bilhões, dos quais US$ 35 bilhões serão pagos por seguradoras. A taxa de desemprego na região deve chegar a 25%.
Apesar das medidas emergenciais de importação de gasolina da Europa e da liberação dos estoques de países da Agência Internacional de Energia, os preços da gasolina dispararam no mercado interno. Um galão de gasolina (3,79 litros), que custava em média US$ 2,20 há um mês (a gasolina é tradicionalmente barata nos EUA), subiu para até US$ 5 em algumas áreas. A produção de petróleo no Golfo do México começou a ser retomada, mas deve demorar alguns meses para voltar aos níveis normais.
O líder republicano na Câmara, Tom DeLay, e outros deputados querem fazer uma proposta reduzindo as exigências regulatórias para construção e operação de refinarias, possivelmente reduzindo exigências ambientais. Benefícios fiscais já foram concedidos na lei de energia, de julho, mas não foram suficientes para o anúncio de novos projetos pelas empresas.
A capacidade de refino nos EUA está crescendo 1% ao ano, o equivalente a metade da demanda.
Mas não parece haver pressão política para legislação exigindo maior eficiência no uso de derivados de petróleo. A lei aprovada em julho prevê gastos de US$ 1,3 bilhão para programas de economia e US$ 3 bilhões para fontes renováveis - principalmente energia eólica. É um valor pequeno considerando os totais envolvidos no setor. O escritório de orçamento do Congresso ainda não fez a estimativa final, mas acredita que só as mudanças previstas pela nova lei aumentem o déficit entre 2006 e 2010 em US$ 10 bilhões (US$ 2,2 bilhões em gastos do orçamento e US$ 7,9 bilhões em redução de receita com impostos). Estima-se que os subsídios e créditos fiscais permitidos pela lei cheguem a US$ 85 bilhões em dez anos.
Os incentivos a etanol são direcionados aos produtores de milho do meio-oeste, que já recebem subsídios agrícolas, e as importações do produto continuam barradas por tarifas altíssimas. Há um pequeno programa piloto de plantação de cana no Havaí.
A versão da lei de energia aprovada pelo Congresso deixou de fora uma proposta que exigia que se atingisse 10% da matriz energética com fontes renováveis em 2020. Também caíram propostas para aumentar a eficiência das utilitários esportivos, os veículos preferidos pela classe média americana.
Como não ratificou o protocolo de Kyoto contra o aquecimento global, os EUA não têm metas a cumprir de redução de emissões. De qualquer maneira, aprovar mudanças agora dificilmente terá efeito sobre a crise de curto prazo. Os esforços da Casa Branca parecem resumir-se ao conselho dado por George Bush durante o fim de semana à nação. "Não comprem gasolina se não precisarem", disse o presidente no primeiro dia do feriado prolongado do Dia do Trabalho, um dos mais movimentados nas estradas americanas.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
RenovaBio
Instituto Totum certifica produção de etanol da Diana Bi...
27/10/26
GNL
Edge e Compagas avançam em projeto de GNL para ampliar o...
27/10/26
Energia Elétrica
Abraceel inaugura autorregulação para reforçar segurança...
27/10/26
Mato Grosso
Além do agro, Sinop amplia espaço para serviços e novos ...
26/10/26
Pré-Sal
PPSA realiza 10º Leilão Spot na próxima quarta-feira
26/10/26
Etanol
IA ajuda Raízen a antecipar riscos e combater incêndios ...
23/10/26
Descomissionamento
Painel dinâmico traz novas funcionalidades sobre ativida...
23/10/26
ANP
Encontro Nacional do PRH-ANP reúne 414 participantes com...
23/10/26
Gás Natural
Leilão da PPSA traz competitividade à indústria nacional
22/10/26
Firjan
Boletim Rio Exporta destaca que estado do Rio obtém cres...
21/10/26
Refino
Acelen assume naming rights e amplia presença da marca n...
21/10/26
Gás Natural
ANP adia audiência pública sobre o Gas Release para 19/11
21/10/26
Gás Natural
1º Leilão de Gás Natural da União tem 36 empresas habili...
20/10/26
BPC 2026
Eficiência, inovação e regulação dominam os debates hoje
20/10/26
ANP
Seminário da ANP debate desempenho da indústria de petró...
20/10/26
Biometano
White Martins amplia atuação em soluções energéticas com...
20/10/26
Pré-Sal
P-82 inicia viagem rumo ao Brasil
20/10/26
BPC 2026
Segurança energética e a nova onda da exploração
19/10/26
Evento
Brazilian Petroleum Conference (BPC 2026) começa na segu...
19/10/26
iBEM27
Terceiro encontro internacional de energia abre calendár...
19/10/26
Resultado
Produção de petróleo da União marca 313 mil barris por d...
19/10/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

25