Economia

PIB zero vai provocar revisão para baixo das estimativas de crescimento da indústria este ano

A estimativa atual está em 2,2% para a indústria e 3,4% para o PIB. Os novos números vão ser fechados na semana que vem, quando a confederação divulgará o balanço anual do setor e as projeções para 2012. Analistas econômicos afirmam que este desempenho já era esperado.

Agência Brasil
07/12/2011 09:44
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O resultado do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre, que não avançou em relação ao trimestre anterior, fará com que a Confederação Nacional da Indústria (CNI) reveja para baixo as projeções de crescimento para este ano. A estimativa atual está em 2,2% para a indústria e 3,4% para o PIB. Os novos números vão ser fechados na semana que vem, quando a confederação divulgará o balanço anual do setor e as projeções para 2012.

Em nota, a CNI ressaltou que “tal recuo [do PIB em relação às expectativas] reflete a perda de competitividade crescente da indústria, provocada pela valorização cambial e pela falta de avanços substantivos nos custos de produção que atenuem essa desvantagem”. O documento também destacou que “os efeitos da crise internacional continuam atingindo a manufatura brasileira”.

A CNI demonstrou preocupação com o crescimento zero do PIB no terceiro trimestre, divulgado ontem (6) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para a entidade, o setor industrial é o que mais sofre com a piora do cenário internacional e com a falta de medidas de incentivo à produção. “O quadro atual é de alerta para o setor industrial. Se a piora da conjuntura externa dificulta ainda mais a já acirrada competição para o exportador, a pressão dos produtos importados, paralelamente, reduz a competitividade da indústria brasileira. Tudo isso reforça a urgência de ações mais eficazes para retomar o crescimento”, analisou a CNI na nota divulgada ontem.


Para analistas a estagnação do PIB já era esperada

A estagnação do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre do ano em relação ao trimestre anterior, não surpreendeu os analistas econômicos. “Para nós, esse desempenho já era esperado”, disse o economista Fábio Pina, assessor econômico da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio/SP).

Ele lembrou que, no início do ano, havia projetado para a economia brasileira crescimento em torno de 4%. No entanto, conforme salientou, os efeitos das medidas macroprudenciais adotadas pelo governo federal no fim de 2010 para enfrentar o recrudescimento da crise nos Estados Unidos e na Europa foram as responsáveis pelo freio no ritmo de crescimento. No terceiro trimestre, o PIB somou R$ 1,05 trilhão, praticamente o mesmo resultado do segundo trimestre e 2,1% acima da evolução no perído entre julho e setembro do ano passado.

De acordo com Pina, o país deve começar 2012 com crescimento em torno de 2% e encerrar o exercício com taxa de 4%. “Na média, estaremos com 3%, mas em um cenário melhor do que este ano, pois o grave problema da dívida soberana europeia será resolvido lentamente e [o continente] irá apresentar sinais de crescimento”, projetou o economista.

Para o professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) Samy Dana, embora o resultado nulo não seja bom, é preciso salientar que ele não é o pior resultado. "Eu não exergo como negativo. Na zona do euro, sempre um país ou outro surge com dificuldades e não para de ter problemas", observou.

Quanto à possibilidade recuperação da economia brasileira em 2012, o professor avalia que, apesar da trajetória de queda da taxa básica de juros (Selic) e das medidas de estímulo ao consumo, alguns obstáculos ainda fazem com que os consumidores paguem caro pelas compras. “O cheque especial e o cartão de crédito, que são as duas modalidades mais usadas, têm juros que atingem 200% ao ano”, disse ele, lembrando que o desenvolvimento da economia ainda carece de reformas estruturais.

A questão cambial também foi apontada por Dana como um fator negativo para a atividade industrial. Segundo ele, o governo deveria intervir mais no mercado para reduzir a valorização da moeda brasileira diante do dólar e, assim, estimular a produção voltada para as exportações.
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