Petroquímica

Petroquisa produzirá PTA sem a M&G

Valor Econômico
15/08/2006 00:00
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A Petroquisa, braço petroquímico do grupo Petrobras, e a Companhia Integrada Têxtil do Nordeste (Citene) decidiram tocar adiante o projeto de construção de uma fábrica de PTA, matéria-prima das garrafas PET e de fios de polyester, em Pernambuco, com investimento de US$ 500 milhões, sem esperar por uma definição do grupo italiano Mossi & Ghisolfi (M&G) na sociedade. "O projeto vai ser tocado assim como está, mas estamos abertos à entrada de outros sócios", disse o presidente da Petroquisa, José Lima de Andrade.

A Citene, associação dos grupos Vicunha, Polyenka e Filament Technology (FIT), fechou com a Petroquisa uma sociedade em partes iguais e formou a Petroquímica Suape para construção da fábrica de PTA, com capacidade para 550 mil toneladas por ano e inauguração prevista para 2010. As empresas formaram, no mês passado, outra sociedade para a fabricação de fios de polyester conhecidos como POY (filamento contínuo de polyester parcialmente orientados).

Na segunda unidade, com investimento de US$ 320 milhões e início de produção previsto para o final de 2008, a Petroquisa tem 40% de participação e a Citene, 60%. A empresa foi batizada de Companhia Têxtil Integrada de Pernambuco (Citepe) e receberá inicialmente matéria-prima da Refinaria Gabriel Passos (Regap), localizada em Betim (MG).

Sobre a fábrica de PTA, o ex-presidente do BNDES Andrea Calabi, membro do Conselho Consultivo da M&G no Brasil, disse que, apesar da sociedade entre Petroquisa e a Citene, "o projeto ainda não está fechado" e a empresa italiana mantém interesse em participar do empreendimento. Calabi destacou que da produção de PTA, de 75% a 80% deverão ser destinados a abastecer a produção de PET da M&G em Pernambuco.

O grupo italiano está construindo no município pernambucano de Ipojuca, na área do porto de Suape, uma unidade para a produção de 450 mil toneladas de PET. A fábrica deveria ser inaugurada em setembro, mas, segundo Calabi, o início das operações foi adiado para dezembro. Junto com a fábrica que a própria M&G possui em Minas Gerais e a da Braskem na Bahia, a nova fábrica vai assegurar, ao menos em um primeiro momento, a auto-suficiência do país em PET, resina cada vez mais usada em embalagens para produtos líquidos, principalmente refrigerantes.

A cadeia do PET e do polyester tem como matéria-prima o PTA que, por sua vez, deriva do paraxileno, produto da segunda geração da cadeia petroquímica. A Petroquisa chegou a projetar a construção de uma fábrica de paraxileno na Bahia para abastecer o pólo pernambucano. Mais recentemente, a estatal optou por importar no primeiro momento o produto e esperar pela construção do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro, o seu maior projeto, com inauguração prevista inicialmente para 2011 e já reajustado para 2012.

O projeto, a ser construído no município fluminense de Itaboraí, terá como unidade central uma refinaria petroquímica à base de óleo pesado e, junto com a segunda geração, vai absorver investimentos de US$ 6,5 bilhões.

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