Economia

Petróleo pode fazer balança comercial fechar com déficit

Déficit acumulado de agosto já é de US$ 4,39 bi.

Agência Brasil
19/08/2013 14:40
Visualizações: 844

 

O fechamento da balança comercial brasileira com saldo negativo faz parte das projeções de parte do setor privado. Até a segunda semana de agosto, houve déficit acumulado de US$ 4,39 bilhões, contra superávit de US$ 11,4 bilhões no mesmo período de 2012, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. O principal responsável pela diferença de cenário de um ano para o outro é o petróleo.
A parada programada para manutenção em algumas plataformas brasileiras, o aumento da demanda interna pelo combustível, a queda das importações de petróleo pelos Estados Unidos e o recuo dos preços no mercado internacional contribuem simultaneamente para que o Brasil esteja exportando menos e importando mais esse produto.
“[O cenário da balança comercial] é o mesmo de sempre, mas agravado por essa situação [do petróleo]. Se o déficit ocorrer de fato, deve-se exclusivamente ao petróleo. Sem essa questão, haveria superávit de US$ 7 bilhões a US$ 10 bilhões. O governo diz que vai voltar [aos patamares anteriores da produção de petróleo], mas a gente não sabe exatamente quando”, diz José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).
A entidade, que no início de 2013 previa superávit de US$ 14 bilhões para a balança comercial, reviu em julho a estimativa para um pequeno déficit de US$ 2 bilhões. José Augusto destaca que, mesmo com a normalização da produção nacional, a venda externa do combustível enfrentará situação adversa.
Além da queda nos preços em função da crise global, os Estados Unidos cederam à China o posto de maior importador do petróleo brasileiro. O país norte-americano recentemente aumentou sua produção do combustível. Graças à descoberta das reservas de gás de xisto, em médio prazo também deve tornar-se autossuficiente e o maior produtor mundial de gás e petróleo. “Aqueles anos dourados da década passada não são uma realidade. As commodities estão claramente se ajustando. O mundo passa por uma transformação”, avalia o presidente da AEB.
Para o diretor de Desenvolvimento Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Carlos Abijaodi, um possível déficit em 2013 precisa ser um estímulo para tornar mais competitivas as exportações brasileiras. “Tem que se ganhar mercado, incluir mais exportadores, compor a pauta com produtos de valor agregado, buscar acordos comerciais. Temos um programa para sensibilizar empresas a voltarem a exportar”, ressalta. Segundo ele, há necessidade de se buscar principalmente inovação e diferencial para os produtos brasileiros. De acordo com o diretor, sob a ótica estrutural, os problemas a serem vencidos são custo de produção, infraestrutura deficiente, burocracia em excesso e tributação elevadas.
Abijaodi vê a recente ascensão do dólar como favorável à retomada do fôlego das vendas externas. “Durante muito tempo o Brasil esteve com moeda muito forte, um desestímulo grande, principalmente para o exportador pequeno e médio. Parece que o dólar vai ficar em um patamar de R$ 2,20, segundo avaliação dos bancos. Já é um apelo para chamar de novo à exportação”, diz.
O diretor explica que, apesar das perspectivas desfavoráveis, a CNI não bateu o martelo sobre previsão de um resultado deficitário para a balança comercial brasileira. Para ele, pode haver surpresas, principalmente ligadas ao movimento de preços das commodities. Abijaodi citou como exemplo o minério de ferro, que terminou o ano passado cotado abaixo de US$ 90 a tonelada, mas ao longo deste ano, chegou a ultrapassar os US$ 140. “Ainda temos seis meses daqui para frente”, ressalta.

O fechamento da balança comercial brasileira com saldo negativo faz parte das projeções de parte do setor privado. Até a segunda semana de agosto, houve déficit acumulado de US$ 4,39 bilhões, contra superávit de US$ 11,4 bilhões no mesmo período de 2012, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. O principal responsável pela diferença de cenário de um ano para o outro é o petróleo.


A parada programada para manutenção em algumas plataformas brasileiras, o aumento da demanda interna pelo combustível, a queda das importações de petróleo pelos Estados Unidos e o recuo dos preços no mercado internacional contribuem simultaneamente para que o Brasil esteja exportando menos e importando mais esse produto.


“[O cenário da balança comercial] é o mesmo de sempre, mas agravado por essa situação [do petróleo]. Se o déficit ocorrer de fato, deve-se exclusivamente ao petróleo. Sem essa questão, haveria superávit de US$ 7 bilhões a US$ 10 bilhões. O governo diz que vai voltar [aos patamares anteriores da produção de petróleo], mas a gente não sabe exatamente quando”, diz José Augusto de Castro, presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).


A entidade, que no início de 2013 previa superávit de US$ 14 bilhões para a balança comercial, reviu em julho a estimativa para um pequeno déficit de US$ 2 bilhões. José Augusto destaca que, mesmo com a normalização da produção nacional, a venda externa do combustível enfrentará situação adversa.


Além da queda nos preços em função da crise global, os Estados Unidos cederam à China o posto de maior importador do petróleo brasileiro. O país norte-americano recentemente aumentou sua produção do combustível. Graças à descoberta das reservas de gás de xisto, em médio prazo também deve tornar-se autossuficiente e o maior produtor mundial de gás e petróleo. “Aqueles anos dourados da década passada não são uma realidade. As commodities estão claramente se ajustando. O mundo passa por uma transformação”, avalia o presidente da AEB.


Para o diretor de Desenvolvimento Industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Carlos Abijaodi, um possível déficit em 2013 precisa ser um estímulo para tornar mais competitivas as exportações brasileiras. “Tem que se ganhar mercado, incluir mais exportadores, compor a pauta com produtos de valor agregado, buscar acordos comerciais. Temos um programa para sensibilizar empresas a voltarem a exportar”, ressalta. Segundo ele, há necessidade de se buscar principalmente inovação e diferencial para os produtos brasileiros. De acordo com o diretor, sob a ótica estrutural, os problemas a serem vencidos são custo de produção, infraestrutura deficiente, burocracia em excesso e tributação elevadas.


Abijaodi vê a recente ascensão do dólar como favorável à retomada do fôlego das vendas externas. “Durante muito tempo o Brasil esteve com moeda muito forte, um desestímulo grande, principalmente para o exportador pequeno e médio. Parece que o dólar vai ficar em um patamar de R$ 2,20, segundo avaliação dos bancos. Já é um apelo para chamar de novo à exportação”, diz.


O diretor explica que, apesar das perspectivas desfavoráveis, a CNI não bateu o martelo sobre previsão de um resultado deficitário para a balança comercial brasileira. Para ele, pode haver surpresas, principalmente ligadas ao movimento de preços das commodities. Abijaodi citou como exemplo o minério de ferro, que terminou o ano passado cotado abaixo de US$ 90 a tonelada, mas ao longo deste ano, chegou a ultrapassar os US$ 140. “Ainda temos seis meses daqui para frente”, ressalta.

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