Internacional

Petróleo concentra atenções na reunião do G-8

O Estado de São Pau
10/02/2006 00:00
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Ministros tentam evitar que crescimento econômico seja afetado; Brasil vai oferecer o álcool

A segurança energética e as ameaças da alta do preço do petróleo estão no centro do debate do G-8, grupo das oito maiores potências mundiais (Estados Unidos, França, Alemanha, Itália, Grã-Bretanha, Canadá, Japão e Rússia).

Hoje e amanhã, os ministros das Finanças desses países se reúnem em Moscou. Também foram convidados representantes da África do Sul, da China e da Índia, além do ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Para o Brasil, pode ser uma oportunidade para vender a idéia da necessidade de investimentos em energia renovável, como álcool.

A questão principal é como garantir o suprimento de energia, principalmente o petróleo, sem que os preços afetem o desempenho das economias mais ricas e emergentes. Analistas e diplomatas acreditam que os ministros debaterão formas de incentivar os investimentos no setor de energia. Mas com o aumento do preço do barril nos últimos meses, governos dos países produtores também aumentam as barreiras a investimentos estrangeiros.

Curiosamente, a questão da segurança energética será debatida ao mesmo tempo em que a Rússia vive uma polêmica. Os russos são acusados de fechar as torneiras de seus gasodutos dependendo do humor político das ex-repúblicas soviéticas, afetando o suprimento de petróleo para a Europa. Para os críticos, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, estaria usando o poder energético do país como arma política.

O G-8 tem insistido na transparência dos países no setor energético e os europeus vão pedir um compromisso da Rússia para que os recursos energéticos sejam garantidos. A França, por exemplo, quer costurado um acordo de financiamento para que Rússia diversifique suas exportações. O dinheiro seria oferecido pelo Banco Mundial para a construção de novos gasodutos, medida que quebraria o monopólio da gigante russa Gazprom no setor de gás.

Além do caso russo, o debate ocorre num momento de tensão com a crise envolvendo o programa nuclear iraniano. O temor de muitos é que medidas contra Teerã possam gerar uma interrupção no abastecimento de petróleo pelo país.

Não é a primeira vez que o G-8 debate o tema. Em 2004, quando o barril chegou a US$ 40, o grupo pediram que os países produtores fizessem investimentos no setor. Mas os preços só subiram. John Snow, secretário do Tesouro dos EUA já disse que os ministros vão continuar a pressionar por medidas que possam reduzir os preços.

O G-8 deve também pedir que o Banco Mundial fortaleça política de desenvolvimento de energias alternativas. O Banco Mundial estuda a questão do álcool no Brasil e abriu uma linha de financiamento para países em desenvolvimento que queiram investir no setor.

Brasil, China, Índia e África do Sul vão debater amanhã o comércio mundial. As negociações para a liberalização do comércio entram em seu ano crítico na Organização Mundial do Comércio e esses países pressionam europeus e americanos por uma ampla abertura no setor agrícola. Já os países ricos prometem pressionar os emergentes a abrirem mercados para produtos industriais e serviços, como bancos e telecomunicações.

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