Internacional

Petróleo caro vai frear a Ásia este ano, diz estudo

Valor Econômico
10/08/2005 00:00
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A alta nos preços do petróleo irá afetar o crescimento econômico do Sudeste Asiático neste ano, reduzindo a produção industrial na China e em outros países, de acordo com um relatório divulgado pelo Banco de Desenvolvimento da Ásia (BDA).
O banco prevê que a região - que inclui os 10 países da Asean (Indonésia, Malásia, Filipinas, Cingapura, Tailândia, Brunei, Vietnã, Mianmar, Laos e Camboja) mais a China e a Coréia do Sul - registrará uma expansão média de 6,8%, contra a variação de 7,6% em 2004. Excluindo-se a China, o crescimento do Sudeste Asiático será de 4,4%, comparado com os 5,5% de 2004.
O relatório aponta ainda outros fatores que terão impacto sobre a desvalorização econômica da região, como redução da demanda mundial por tecnologia da informação (TI) e o desaquecimento da atividade econômica em alguns mercados industrializados.
"As exportações cresceram a um ritmo lento no primeiro semestre deste ano em todas as maiores economias do Sudeste Asiático, exceto na China, dando continuidade à tendência iniciada em meados de 2004", diz o relatório. "Isso, combinado ao petróleo caro e às políticas macroeconômicas mais rígidas, resulta na desaceleração da demanda interna desses países".
Dos 12 países estudados, só a China melhorou suas exportações no primeiro semestre. A expectativa do BVA é que o PIB chinês desacelere de 9,5% para 8,9%.
O documento, porém, disse que os embarques chineses poderão também sofrer uma queda neste semestre, como resultado de uma queda nos investimentos fixos e na fraca performance econômica de uma série de parceiros comerciais do país.
A desaceleração mais brusca deverá ocorrer em Cingapura, que deverá ter sua variação de PIB reduzida de 8,4% para 3,4%, de acordo com as projeções do BDA.
O BDA adverte, no entanto, que as atuais projeções podem piorar caso os preços do barril, do petróleo continuem subindo. Os preços estão atualmente cerca de 40% mais altos que no ano passado, devido à preocupações com a segurança nos países produtores e uma possível ruptura no fornecimento da commodity.
"Estamos enfrentando agora uma queda moderada do crescimento econômico, uma pressão inflacionária gradual e um aperto da política monetária americana", disse Pradumna B. Rana, diretor-sênior do Escritório de Integração Regional do BDA. "O maior desafio para o Sudeste Asiático é equilibrar as políticas fiscal, monetária e cambial e ao mesmo tempo manter as reformas estruturais para fortalecer a demanda doméstica."
O BDA elogiou a recente flexibilização cambial adotada pela China e Malásia, sugerindo que se tratou de um primeiro passo na direção de uma maior flexibilidade das moedas na região.

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