Combustíveis

Petrobras reduz preço de querosene de aviação

Valor Econômico
30/08/2006 00:00
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O preço do querosene de aviação (QAV), combustível dos aviões, vai baixar 4,9% a partir de 1º de setembro, informou ao Valor o diretor de Abastecimento e Refino da Petrobras, Paulo Roberto Costa. A redução é resultado da revisão quinzenal do preço do produto, com base na cotação do petróleo no mercado internacional. Com a mudança, a alta acumulada no ano passa de 26,1% para 21,2%.

A redução do preço do QAV representa uma economia significativa para as companhias aéreas brasileiras, uma vez que a participação do combustível nos custos totais já se aproxima de 40%, de acordo com dados do Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea). Na semana passada, o Valor publicou reportagem mostrando a pressão do QAV sobre os custos das empresas aéreas e os esforços que elas vem fazendo para minimizar essas pressões.

O diretor da Petrobras disse que, embora em termos de preços não haja o que fazer a não ser esperar que a cotação do petróleo permita novas reduções, a Petrobras está sensível aos problemas do setor aéreo e vem discutindo com o Snea a adoção de medidas capazes de compensar parcialmente o custo do combustível. Ele não detalhou as medidas, mas disse que elas devem passar por modificações nas formas de pagamento do QAV. "Estamos reavaliando as condições contratuais", disse Costa.

Sobre os combustíveis para o transporte terrestre, como a gasolina e o óleo diesel, o diretor da Petrobras também deu uma boa notícia aos consumidores. Apesar de o preço do barril de petróleo já ter alcançado cotação próxima a US$ 80, o executivo disse que, na média, a cotação das últimas semanas está em torno de US$ 70 por barril e acrescentou: "Nessa média não deve haver aumento de preço."

Na segunda-feira, o diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, havia fixado em US$ 75 o nível de cotação do petróleo que obrigaria a Petrobras a aumentar o preço de derivados como gasolina, óleo diesel e gás liqüefeito de petróleo (GLP). Costa não comentou a declaração de Barbassa, mas disse que a estatal vai prosseguir na sua política de não repassar para esses combustíveis as oscilações do mercado de petróleo, como faz com o QAV e com a nafta petroquímica.

Nos combustíveis de uso mais popular, a empresa tem dito que a sua política é esperar a definição de um patamar para, só então, decidir pelo reajuste, para cima ou para baixo. O último aumento da gasolina e do diesel ocorreu há um ano, no dia 10 de setembro do ano passado, respectivamente, de 10% e de 12%.

A manutenção dos preços dos combustíveis em conjunturas que combinam alta da cotação internacional do petróleo com eleições presidenciais no Brasil tem sido motivo de críticas por parte de analistas , que vêem nessa postura o uso político de variáveis que deveriam ser apenas técnicas.

Em 2002, antes da eleição na qual o PSDB, partido do então presidente Fernando Henrique Cardoso, tentava colocar José Serra no Palácio do Planalto, ocorreu uma dessas conjunturas. Serra foi derrotado pelo atual presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, e, semanas depois, a Petrobras aumentou a gasolina. Agora, é o presidente Lula que tenta a reeleição em uma conjuntura parecida.

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