Combustíveis

Petrobras realiza no Paraná teste industrial para produção do H-BIO Diesel

A produção de H-Bio diesel vai permitir ao Brasil reduzir as importações de óleo diesel, numa primeira fase, em cerca 250 milhões de litros por ano.

Redação
20/06/2006 00:00
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A Petrobras realiza nesta terça-feira (20/06), na Refinaria Presidente Getúlio Vargas (Repar), em Araucária, no Paraná, teste industrial da tecnologia desenvolvida em seu Centro de Pesquisa e Desenvolvimento (Cenpes), para produção do H-BIO, um novo tipo de óleo diesel, produzido a partir de uma mistura de óleo de soja ou outros óleos vegetais com petróleo durante o processo de refino.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli de Azevedo, e o diretor de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, participam do teste deste processo de refino, inédito no mundo, que além de representar um grande passo do Brasil na direção dos combustíveis alternativos vai desencadear expressiva expansão da atividade agroindustrial do País.

Diesel plantado

O H-BIO Diesel, que foi desenvolvido pelo Cenpes nos últimos 18 meses, entrará em escala industrial ainda em 2006. O novo processo vai utilizar óleo vegetal (a partir de grãos de soja, mamona e dendê, entre outros) como insumo para a obtenção de óleo diesel, por meio da hidrogenação de uma mistura de óleo vegetal e óleo mineral, como carga das refinarias. Testes  recentes, realizados na Refinaria Gabriel Passos, localizada em  Betim, Minas Gerais, confirmaram a viabilidade técnica e
comercial do processo, cujo registro de patente já foi solicitado ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI).

Economia de divisas

Segundo avalia a Petrobras, o novo combustível apresenta diversas vantagens econômicas,ambientais e sociais quando comparado com o diesel convencional. "Sua produção vai permitir ao Brasil reduzir as importações de óleo diesel, numa primeira fase, em cerca 250 milhões de litros por ano, contribuindo para o superávit comercial do País", se lê no informe enviado pela empresa.

O alcance social da tecnologia do H-BIO está principalmente no aumento da demanda de soja e outras oleaginosas, inclusive passíveis de produção por pequenos agricultores, com geração de  emprego e renda. As repercussões positivas para o meio ambiente estão tanto no processo industrial, que não gera resíduos a serem descartados, como na redução do enxofre na atmosfera, na medida  em que será um combustível com menor teor dessa substância poluente.

Benefícios para o consumidor

Como a produção do H-BIO em escala comercial não exigirá a
construção de novas plantas industriais, seu custo será inferior ao do diesel importado, afirma a Petrobras, gerando benefícios para o consumidor final. Será necessária apenas a implantação de infra-estrutura de transporte e armazenamento dos óleos vegetais.

O H-BIO será um complemento à produção de diesel nas refinarias, com a vantagem de manter as mesmas características do combustível derivado de petróleo, porém com teor de enxofre muito mais baixo.

Sua diferença com relação ao biodiesel é que este necessita de  construção de unidades próprias, já o H-BIO será produzido nas refinarias já existentes.

Enquanto o biodiesel é totalmente vegetal, o H-BIO é produto industrial da mistura de petróleo com óleos vegetais. Essa mistura é feita durante o processo de refino, nas unidades de hidrotratamento (HDT) das refinarias. Os dois projetos, H-BIO e Biodiesel, são complementares.

Pela proximidade com as áreas produtoras de soja no Brasil, no curto prazo, três refinarias estarão produzindo o novo combustível. Em dezembro de 2006, Gabriel Passos (Regap), em  Minas Gerais, e em 2007, Presidente Getúlio Vargas (Repar), no Paraná, e Alberto Pasqualini (Refap), no Rio Grande do Sul. A  Petrobras pretende estender esta produção para outras duas
refinarias a partir de 2008.

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