Internacional

Países discutem metas de investimento em energias alternativas

Começou, nesta terça-feira (01/06), na cidade alemã de Bonn, a Conferência Internacional sobre Energia Renováveis. O encontro, que reúne cerca de 150 delegações de países de todos os continentes, marca um endurecimento do governo alemão em relação à questão do aquecimento global.

Valor Econômico
02/06/2004 00:00
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Começou, nesta terça-feira (01/06), na cidade alemã de Bonn, a Conferência Internacional sobre Energia Renováveis. O encontro, que reúne cerca de 150 delegações de países de todos os continentes, marca um endurecimento do governo alemão em relação à questão do aquecimento global. Além disso, espera-se que o fórum produza uma declaração política com metas de investimento em novas matrizes energéticas, como eólica, solar e biomassa.
"A mudança climática não é um ficção, é uma realidade", disse o ministro do Meio Ambiente da Alemanha, Jürgen Trittin, na abertura da conferência. "Os países mais pobres já são os mais afetados por secas e enchentes."
Trittin, assim como outros membros do governo alemão, defenderam em seus discursos que a meta de redução de pobreza fixada pela ONU deva ser atingida com investimentos em energia alternativa. A ONU calcula que existam 2 bilhões de pessoas sem energia no mundo, e os danos ambientais de incluí-las com uso de energias fósseis (carvão e óleo) seriam grandes.
Uma das propostas, que tem como um de seus autores o físico brasileiro José Goldemberg, atual secretário de Meio Ambiente do Estado de Sao Paulo, é de que o Banco Mundial aumente seu portfólio de investimentos em fontes alternativas de geração.
Goldemberg defende que, dos atuais 4% por ano, o banco multilateral passe a ter uma parcela de 10% de sua carteira de financiamentos. Em entrevista à imprensa, Trittin disse que o Global Environmental Facility (GEF), principal fundo para meio ambiente do Bird, poderia alcançar US$ 500 milhões/ano em empréstimos para energia renovável.
A declaração ministerial de Bonn, que pode ser adotada pelo Conselho de Desenvolvimento Sustentável da ONU em reunião no início de 2005, ainda não estabeleceu metas de implementação de energia renovável para os países. A Europa já trabalha por iniciativa própria com uma meta de 12% até 2010. A Alemanha, mais ofensiva, deve alcançar 20% até 2020. A posição alemã, assim como de toda a Europa, vai na contramão dos interesses dos EUA, que mantêm altos seus subsídios aos combustíveis fósseis. "Apesar de esperada, a contribuição americana à declaração ainda não aconteceu", disse Trittin.
A delegação dos EUA, por sua vez, disse, sem citar dados, que os investimento em pesquisa do governo americano é maior nas energias alternativas que nas fósseis.
A delegação brasileira, que será chefiada pela ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, deve adotar uma posição cautelosa na conferência. Até o momento, também não havia apresentado propostas ao plano de ações de Bonn. A questão que deve ser polêmica para o Brasil é a exclusão, no esboço do documento oficial, de grandes hidrelétricas da categoria de energias sustentáveis.
O secretário executivo do Ministério do Meio Ambiente, Claudio Langone, declarou pouco antes do encontro que o governo brasileiro tentará impedir a "vilanização das grandes hidrelétricas". Para isso, certamente contará com o apoio dos governos africanos, que em peso rechaçam a concepção de que só pequenas e médias hidrelétricas seriam viáveis ambientalmente.

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