Petrobras

Pacote para plataformas

Jornal do Commercio
03/07/2008 08:41
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A Petrobras pretende contratar ainda este ano a construção da maior parte das plataformas que irão operar no megacampo de Tupi, na camada pré-sal da Bacia de Santos. Serão de cinco a 10 unidades - quantidade ainda não definida - com tempo de obra estimado em 47 meses. O modelo de contratação, contudo, será diferente do adotado para outras plataformas da estatal, com pacotes prevendo construção seriada de cascos e módulos, além dos contratos de integração.

 

O gerente-executivo de Engenharia da Petrobras, Pedro Barusco, disse que a companhia pretende ter economia de escala com o modelo de pacotes. Ele explicou que a empresa vencedora da licitação construirá, por exemplo, os cascos de todas as plataformas de Tupi. Outra empresa construirá todos os módulos de geração. Atualmente, a Petrobras realiza licitação para contratos específicos de construção e integração de cada plataforma.

 

 

"Trata-se de uma produção seriada. São várias unidades. Por isso, a estratégia de implementação não é igual à estratégia antiga, quando se contratava uma unidade inteira. Agora vamos contratar os cascos da série, os módulos de geração da série", disse o executivo, após seminário sobre desafios para a indústria nacional frente às demandas do setor de petróleo e gás, realizado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

 

Barusco explicou que a encomenda de pacotes será possível porque as unidades serão iguais. Ele acrescentou que o primeiro pacote, envolvendo a construção dos cascos, será lançado no final de agosto. Neste caso, a construção ocorrerá necessariamente no dique seco Rio Grande, no Rio Grande do Sul, unidade arrendada pela Petrobras para os próximos 10 anos. "Isso não será opcional para as empresas, será mandatório. É o único local em que se tem capacidade para isso", disse.

 

As plataformas serão do tipo FPSO - capazes de produzir, estocar e escoar o petróleo e gás natural produzidos. Normalmente, a Petrobras adquire navios no mercado e adapta as unidades para FPSO. Não será o caso. A estatal quer construir os cascos das plataformas em Rio Grande. Desta forma, segundo especialistas, ela busca contornar as dificuldades de encontrar no mercado navios com perfil para a conversão, que estão cada vez mais caros.

 

O executivo afirmou que o cronograma do dique seco de Rio Grande está praticamente todo tomado para o período do arrendamento. Além das encomendas das unidades de Tupi, será realizado no local o upgrade da plataforma P-17 e a construção da plataforma P-55, entre outras obras. "Dependendo do número de unidades que forem determinadas para o pré-sal, vamos ficar com o estaleiro praticamente tomado pelos 10 anos", disse ele.

 

O campo de Tupi será o primeiro do cluster pré-sal da Bacia de Santos a entrar em operação comercial. Segundo o gerente-executivo de Exploração e Produção da Petrobras, José Miranda Formigli Filho, o teste de longa duração do campo será iniciado em março do próximo ano, com uma produção inicial de 30 mil barris de petróleo por dia. Na fase-piloto, prevista para 2010, a produção diária será de 100 mil barris de petróleo e 3 milhões de metros cúbicos de gás.

 

 

Barusco afirmou ontem que ainda não existe decisão sobre a construção da plataforma P-62, um clone do navio-plataforma P-54, contratada ao grupo Jurong, de Cingapura. Segundo o gerente, a alta dos custos pode elevar o preço da P-62 para US$ 1,5 bilhão, muito acima da unidade clonada no passado, de US$ 900 milhões. Uma vez construída, a plataforma irá operar no módulo 4 do campo de Roncador, na Bacia de Campos.

 

"Não é que o projeto esteja mais caro. É que o aço acabou de subir 15% e acumula alta de 32% no ano", disse o executivo a jornalistas, antes de sua apresentação no seminário, acrescentando que ainda não existe definição sobre a execução do projeto, que foi contratado sem licitação, o que é permitido pela legislação no caso de unidades clonadas: "Não digo que sim, nem digo que não", acrescentou o gerente da Petrobras.

 

A estatal prepara agora a licitação de outras duas plataformas: a P-61 e P-63, que irão operar no campo de Pata-Terra, também na Bacia de Campos. Os editais deverão ser lançados dentro de 15 dias, segundo informou Barusco. As duas unidades terão somadas capacidade para produzir 180 mil barris de petróleo por dia e, de acordo com ele, serão complementares, uma vez que a produção de uma plataforma será depositada em outra.

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