Indústria Naval

OSX inicia em maio construção de estaleiro

O Estado de S. Paulo
15/04/2011 09:49
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Embalada por novas encomendas da "irmã" OGX, que praticamente dobraram sua carteira desde o início do ano, para US$ 4,8 bilhões, a OSX espera para os próximos dias a liberação do licenciamento para a construção de seu estaleiro no Porto do Açu, na região Norte Fluminense.


Com investimentos na casa dos R$ 3 bilhões (US$ 1,7 bilhão), as obras do novo estaleiro - braço na indústria naval do empresário Eike Batista - devem começar em maio, com conclusão prevista para até o fim de 2013. A perspectiva é construir em média seis plataformas e seis jaquetas para exploração de petróleo por ano no local a partir de 2014.


"Estamos trazendo praticamente um estaleiro asiático para o Brasil", diz o diretor financeiro e de Relações com Investimentos da OSX, Roberto Monteiro, salientando a importância da sociedade com a coreana Hyundai, que possui 10% do capital acionário do projeto. "Teremos o que há de mais novo em tecnologia da Coreia", comentou.


O principal desafio, diz o diretor, será a capacitação de mão de obra qualificada para atuar no estaleiro. Serão necessários cerca de 10 mil trabalhadores apenas na primeira fase, que prevê o corte de algo em torno de 180 mil toneladas de aço. Sem previsão definida, a empresa já tem aprovada a ampliação dessa capacidade para uma segunda fase, quando seria possível a construção de nove unidades anuais, ou até uma terceira fase, para atingir 500 mil toneladas de aço.


Disputas. Prioritariamente, o estaleiro vem atendendo à demanda da OGX - a petroleira do grupo de Eike Batista -, mas disputa licitações e não descarta o atendimento a qualquer outra empresa de petróleo no País. "Enxergamos um mercado potencial para até US$ 200 bilhões somente no ramo que atuamos", diz Monteiro.


Por enquanto, sem instalações físicas para construir sua própria unidade, o estaleiro depende de parceiros internacionais para atender à demanda da OGX. Entrega no início do segundo semestre a primeira plataforma, a OSX-1, construída com investimentos de US$ 610 milhões no estaleiro da Keppel, em Cingapura.


A unidade será afretada para a OGX por US$ 263 mil por dia. "Este ano nos tornamos operacionais e começamos a gerar caixa", comemora Monteiro. A expectativa é de gerar em torno de US$ 30 milhões a US$ 40 milhões no segundo semestre. No ano passado, a OSX terminou com um caixa de R$ 2,2 bilhões.


Segundo ele, a primeira plataforma foi uma oportunidade encontrada no exterior. "Compramos o casco de um estaleiro que estava falindo, por isso o bom preço", disse. Já a plataforma OSX-2 está na fase final de contratação por R$ 775 milhões e diária de US$ 290 mil para a OGX.


Além disso, já tem sob contrato duas plataformas fixas, também para OGX, com investimentos em torno de US$ 840 milhões cada uma. Esta semana, entretanto, a companhia recebeu sua melhor encomenda até o momento, de três unidades também para a OGX. "É a melhor notícia", diz Monteiro, salientando que a encomenda elevou a carteira de negócios da empresa de US$ 2,5 bilhões para os atuais US$ 4,8 bilhões. "E com certeza teremos muito mais até o final do ano", diz. Parte das expectativas incide sobre a OGX, que vai divulgar um novo relatório de previsão de reservas, preparado pela auditoria independente DeGolyer & MacNaughton.


PARA LEMBRAR


Plano é tornar o Açu complexo industrial


Anunciado há quatro anos, o projeto do Porto do Açu, no município de São João da Barra, no norte fluminense, será um enorme complexo industrial, na concepção de Eike Batista, o controlador do grupo EBX. Ele prevê, além do seu próprio estaleiro, a instalação de duas siderúrgicas, duas fábricas de cimento, uma montadora de automóveis e toda uma cadeia de fornecedores e pequenas indústrias. O empresário negocia com empresas para investirem no complexo.


O projeto é uma das principais obras de Eike e também a que envolve mais polêmicas. O Ministério Público Federal chegou a pedir a suspensão da obra, iniciada em 2007, sob a alegação de que o porto, por suas dimensões, assemelha-se a um terminal público, o que exigiria uma licitação.
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