Internacional

Opep não deve ter acordo de aumento de produção na Argélia, mas pressão cresce

Reuters, 20/09/2018
20/09/2018 13:34
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Institucional

A Opep e seus aliados não devem chegar a um acordo oficial para aumentar da produção de petróleo quando se encontrarem na Argélia neste final de semana, embora a pressão sobre os maiores produtores está aumentando para que eles evitem uma disparada nos preços antes de novas sanções dos EUA contra o Irã, disseram fontes do cartel.

Líder da Organização dos Países Exportadores de Petróleo(Opep), a Arábia Saudita teme que qualquer salto nos preços associado às sanções leve a novas críticas do presidente dos EUA, Donald Trump, mas está preocupada com a falta de capacidade ociosa para compensar eventuais reduções na oferta, disseram as fontes.

O reino está em meio a uma encruzilhada, conforme busca evitar que os preços subam muito acima de 80 dólares por barril antes das eleições para o Congresso dos EUA, ao mesmo tempo em que tenta eliminar dúvidas sobre sua capacidade de compensar uma queda na oferta do Irã.

"É complicado. A Arábia Saudita precisa equilibrar a oferta e a demanda de petróleo, e precisa equilibrar os preços do petróleo para que eles não subam muito antes das eleições dos EUA", disse uma fonte da Opep.

"Também é político, porque os sauditas não querem produzir demais a ponto de os iranianos reclamarem para a Opep que eles (a Arábia Saudita) estão tomando sua participação no mercado. Eles também não querem que os preços do petróleo caiam muito", disse uma fonte da Opep.

Trump mirou a Opep nesta quinta-feira, ao escrever no Twitter: "Nós protegemos os países do Oriente Médio, eles não estariam seguros por muito tempo sem nós, e ainda assim eles continuam a pressionar por preços do petróleo mais e mais altos! Nós vamos lembrar. O monopólio da Opep deve reduzir os preços agora!"

Sob pressão do presidente norte-americano, a Opep, a Rússia e outros aliados fecharam em junho acordo para aumentar a produção em 1 milhão de barris por dia, após terem participado de um pacto para cortar oferta desde 2017.

O grupo conhecido como "Opep +" se reúne no domingo na Argélia para discutir como alocar essa alta de 1 milhão de barris em sua regulamentação de cotas.

Fontes da Opep dizem que não há um plano imediato para qualquer ação oficial, uma vez que isso exigiria da Opep a realização do que ela chama de reunião extraordinária, o que não está na mesa.

Uma fonte adicionou que o comitê ministerial conjunto entre membros e não membros da Opep, conhecido como JMMC, que se encontra na Argélia no domingo, poderia no entanto recomendar para a coalizão um aumento adicional de produção se necessário.

Quem pode aumentar oferta?

Fontes na Opep e na indústria disseram à Reuters que chineses, indianos e outros agentes de refino na Ásia têm encomendado a produtores do Oriente Médio, como a Arábia Saudita, Iraque, Emirados Árabes Unidos e Kuweit, mais cargas de petróleo.

Enquanto alguns produtores enfrentam restrições de oferta devido a problemas de infraestrutura ou não querem ser vistos como alguém que está inundando o mercado, outros estão silenciosamente aumentando as exportações para a Ásia, disseram as fontes.

Embora a produção da Opep tenha subido desde julho, a Arábia Saudita teve um aumento menor do que tinha previsto. Isso tem levantado dúvidas sobre o a capacidade do reino de aumentar rapidamente a sua produção para o que diz ser sua capacidade máxima de produção sustentável, de 12 milhões de bpd, segundo as fontes.

Fontes da indústria familiarizadas com os planos sauditas dizem que a estatal Aramco poderia rapidamente elevar a produção para 11 milhões de bpd, mas que chegar aos 12 milhões de bpd poderia levar até seis meses.

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