Etanol

ONU quer informações sobre álcool brasileiro

Agência UDOP/ Agência Estado
26/05/2008 09:31
Visualizações: 531

Depois da tempestade causada por seu antecessor, que classificou a produção de biocombustíveis de “crime contra a humanidade”, o novo relator para o Direito à Alimentação da Organização das Nações Unidas (ONU) defendeu ontem (22) um olhar diferente para o álcool brasileiro. Para o belga Olivier de Schutter, o combustível de cana-de-açúcar causa menos danos ao ambiente e tem menor impacto no preço dos alimentos que outros. Em seu primeiro pronunciamento no conselho desde que, há três semanas, assumiu o cargo que era do sociólogo suíço Jean Ziegler, o relator não condenou o etanol brasileiro, mas ainda quer informações da parte de especialistas para declará-lo como “inocente” na atual crise. “Estou aberto a um debate”, afirmou.

 

Ainda assim, Shutter deixou claro que a ONU não abandonou a batalha contra os biocombustíveis. A entidade condena a produção na Europa e nos Estados Unidos e pede o fim da expansão, investimentos e subsídios nos programas de biocombustíveis desses países. O relator apelou ontem para que americanos e europeus abandonem suas metas de expansão do etanol como forma de ajudar a lidar com a crise na alta dos preços de alimentos. Para ele, ao abandonar as metas, o mundo estará mandando uma “mensagem forte” contra a especulação no setor de commodities.

 

O apelo foi feito ontem, durante a reunião do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas convocada por Cuba. Governos de todo o mundo discutiram a crise da alta dos preços de alimentos e aprovaram uma resolução enfraquecida que apenas pede que o combate à fome seja a prioridade de todos. O Brasil lamentou que não tenha havido uma condenação mais dura contra os subsídios dos países ricos.

 

“Proponho o congelamento de todos os novos investimentos e subsídios favorecendo a produção de combustível com grãos plantados em terras aráveis quando essas terras poderiam ser usadas para a produção de alimentos”, afirmou o relator, e criticou os programas de biocombustíveis na Europa e nos Estados Unidos. “O impacto pode ser dramático”, afirmou. Ele criticou ainda a importação do etanol de óleo de palma da Ásia, que estaria destruindo florestas.

 

Por seus cálculos, os americanos destinam 25% da produção de milho ao etanol e, até 2020, a meta é produzir 36 bilhões de galões do combustível. Na Europa, a meta é ter 10% dos carros movidos a etanol até 2020. “Essas metas são irrealistas. Se abandonarmos, estaremos mandando um sinal forte aos mercados de que os preços de alimentos não vão aumentar infinitamente, desencorajando a especulação.”

 

Etanol brasileiro

 

Embora tenha admitido que a situação do etanol brasileiro é “diferente”, Shutter alertou que ainda não está convencido de que a cana não representa uma ameaça.

 

Por conta disso, o Brasil saiu em defesa do etanol. Ao terminar uma das reuniões, o embaixador brasileiro na ONU, Sérgio Florêncio, foi até o relator e deixou claro que o país não estava de acordo com sua visão. “Não compartilhamos de sua avaliação”, afirmou o diplomata a Shutter. Essa não é a primeira disputa entre o Brasil e um alto funcionário das Nações Unidas. O ex-relator da ONU para o Direito à Alimentação, Jean Ziegler, já havia pedido uma interrupção na produção do etanol como uma das formas de evitar uma crise nos alimentos. A classificação do etanol como “um crime contra a humanidade”, provocou respostas até do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e exigiu do governo brasileiro um esforço diplomático para reverter os comentários.

Mais Lidas De Hoje
veja Também
ROG.e 2026
Vencedor do RSE Award e destaque na ROG.e, o Programa de...
28/09/26
ROG.e 2026
Oil States destaca integração entre engenharia, fabricaç...
25/09/26
ROG.e 2026
Empresários do Norte Fluminense prospectam negócios na R...
25/09/26
ROG.e 2026
ANP participou de mais de 40 palestras em evento que reú...
25/09/26
ROG.e 2026
TBG debate integração do mercado de gás natural no Cone ...
25/09/26
ROG.e 2026
Sucesso! ROG.e 2026 fecha com 83 mil visitantes e injeçã...
25/09/26
ROG.e 2026
Expansão das fontes renováveis e mudanças no mercado abr...
25/09/26
ROG.e 2026
Presidente da Petrobras defende exploração ativa e prevê...
25/09/26
ROG.e 2026
Inovação tecnológica e dedicação à indústria marcam prem...
25/09/26
Petroquímica
Referência mundial em sustentabilidade, I’m green™ bio-b...
25/09/26
ROG.e 2026
Escassez de engenheiros preocupa setores estratégicos e ...
25/09/26
ROG.e 2026
Constellation é reconhecida pela Petrobras como a melhor...
25/09/26
ROG.e 2026
Na ROG.e 2026, Shell destaca parcerias, inovação e disci...
25/09/26
ROG.e 2026
Nikki Martin, presidente e CEO da EnerGeo Alliance falou...
25/09/26
ROG.e 2026
Porto do Açu e OceanPact assinam acordo para expansão de...
25/09/26
ROG.e 2026
Mayekawa apresenta soluções para óleo, gás e energia na ...
25/09/26
ROG.e 2026
Shell destaca papel da capacitação para aproximar jovens...
25/09/26
Terminais
Ultracargo é reconhecida pelo quarto ano consecutivo com...
25/09/26
GNL
Edge e Governo do Rio Grande do Sul assinam Memorando de...
25/09/26
E&P
ANP contrata B3 para assessoria técnica às licitações de E&P
25/09/26
ROG.e 2026
Porto do Açu e Perenco Brasil assinam acordo para primei...
25/09/26
VEJA MAIS
Newsletter TN

Fale Conosco

Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, assumiremos que você concorda com a nossa política de privacidade, termos de uso e cookies.

25