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OGX inicia hoje nova rodada de negociações com credores nos EUA

Companhia tenta convencer os detentores de bônus.

Valor Econômico
04/10/2013 09:23
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Em meio a um clima de tensão entre os administradores da OGX e os gestores contratados por Eike Batista para equacionar a dívida global da EBX, executivos da petroleira do grupo chegaram a Nova York com a duríssima missão de negociar com os "bondholders" a equação da dívida de US$ 3,6 bilhões da companhia, considerada por muitos impagável. Enquanto tenta convencer os detentores de bônus, muitos dos quais fundos "abutres" (distressed assets) a converter dívida em capital da companhia, a melhor carta da OGX ainda é o acordo com a Petronas, da Malásia, porém cada vez mais cercado de incertezas.
Segundo uma fonte ligada à OGX, um aporte imediato de US$ 250 milhões pela Petronas seria suficiente para quitar as dívidas mais urgentes e bancar os custos necessários para colocar em operação a plataforma OSX- 3, que vai extrair o óleo de Tubarão Martelo, na Bacia de Campos. Esse novo fôlego evitaria que a empresa entrasse com um pedido de recuperação judicial, alternativa que parece cada vez mais próxima, ou mesmo falência no caso de algum juiz entender que a recuperação judicial não resolveria o problema.
Mas os indícios são de que a companhia tem uma série de dificuldades para superar e chegar a um novo acordo com os malaios. O negócio original previa a aquisição de 40% dos blocos BM-C-39 e BM-C-40, onde está o campo de Tubarão Martelo, e quando foi anunciado em maio a estimativa de recursos contingentes (2C) para o campo era de 212 milhões de barris de óleo equivalente (BOE). No jargão exploratório significa uma avaliação intermediária entre a maior e a menor possibilidade de volumes, ou a "melhor estimativa" de se encontrar petróleo naqueles volumes com os dados disponíveis até então. Essa projeção de recursos de petróleo ainda não pode ser classificada como reserva já que é baseada em probabilidade pela DeGolyer and MacNaughton (D&M) em fevereiro de 2012, antes da perfuração de poços adicionais na área.
Com os números atualizados ontem, baseados em informações geológicas mais precisas, a OGX divulgou volumes de 87,9 milhões de BOE de reservas prováveis (2P) ou 108,5 milhões de BOE se acrescentadas também as reservas possíveis (3P) para os blocos BM-C-39 e BM-C-40. No cenário intermediário, a D&M atribui um valor de US$ 851 milhões para o campo Tubarão Martelo, mesmo valor acordado para venda de 40% da área. O valor sobe para US$ 1,387 bilhão quando somadas as reservas possíveis e prováveis.
Com pouco mais de US$ 200 milhões em caixa no mês passado (fechou o segundo trimestre com US$ 326 milhões), a OGX está atrasando o pagamento de diversos fornecedores como antecipou o Valor. Segundo uma fonte, a Schlumberger, grande fornecedora do mercado petrolífero, é que tem dado mais tranquilidade para a companhia ao negociar a postergação das faturas. A ordem na OGX é postergar os pagamentos para depois do início da produção, quando começará a entrar alguma receita.
A companhia do empresário Eike Batista tenta antecipar ao máximo a produção em Tubarão Martelo
A companhia do empresário Eike Batista tenta ainda antecipar ao máximo a produção no campo, para ter o "primeiro óleo" ainda no quarto trimestre deste ano. Seria uma tentativa de fazer caixa, cumprindo também meta estabelecida no finado acordo com a Petronas. A malaia, que é uma estatal com todas as amarras que esse tipo de empresa costuma ter, desistiu de comprar a participação no campo por até US$ 850 milhões depois que a situação financeira do grupo se agravou. O acordo, anunciado dia 7 de maio, previa o pagamento de US$ 250 milhões mais o desembolso de 40% dos custos de desenvolvimento do campo a partir do dia 1º de maio, assim que a venda fosse aprovada pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
No acordo, a OGX ofereceu ainda como fiança 40% da sua fatia remanescente em Tubarão Martelo e de 20% dos 40% adquiridos da Petrobras no bloco BS-4, na Bacia de Santos. Mas a petroleira demorou a notificar o Cade sobre outro negócio: a compra de participação de 40% da Petrobras no bloco BS-4, na Bacia de Santos, o que travou o acordo com a Petronas na ANP. O Valor apurou que a responsabilidade foi da Petrobras. A reestruturação da dívida da OGX veio antes que o Cade aprovasse a transferência do BS-4, que só aconteceu no fim de agosto. Nessa altura a situação financeira da empresa já tinha se deteriorado a tal ponto que os malaios recuaram do negócio temendo as consequências de uma recuperação judicial ou, até mesmo, a falência do operador. Em termos jurídicos, a malaia alegou o chamado "exceção de contrato não cumprido".
Tudo começou a dar errado antes que a Petronas fizesse o primeiro pagamento. Sob o ponto de vista da estatal malaia, qualquer dinheiro que entrasse na conta da petroleira brasileira poderia ser arrestado por credores ou usado para pagamentos de outros compromissos da petroleira que não aqueles acordados no contrato. Essa, segundo fontes, foi uma das preocupações que estavam por trás das declarações do presidente da Petronas, Shamsul Azhar Abbas, de que nada seria pago durante a reestruturação da dívida da OGX. Mais reservadamente, Abbas informou que não pagará nada à OGX enquanto a companhia não arrumar a casa, como contou uma fonte ao Valor.
Uma alternativa para sair desse impasse seria a venda de todo o campo para a Petronas. Considerando o valor acertado pela participação original, 100% da área valem US$ 2,125 bilhões. Porém, como tudo em torno da OGX tem um "mas", a empresa não quer se desfazer totalmente desse campo por duas razões importantes: além de ser seu principal ativo, ou aquele que tem possibilidade mais rápida de gerar receita, a venda do Martelo na íntegra pode ser questionada como fraude contra credores.

Em meio a um clima de tensão entre os administradores da OGX e os gestores contratados por Eike Batista para equacionar a dívida global da EBX, executivos da petroleira do grupo chegaram a Nova York com a duríssima missão de negociar com os "bondholders" a equação da dívida de US$ 3,6 bilhões da companhia, considerada por muitos impagável. Enquanto tenta convencer os detentores de bônus, muitos dos quais fundos "abutres" (distressed assets) a converter dívida em capital da companhia, a melhor carta da OGX ainda é o acordo com a Petronas, da Malásia, porém cada vez mais cercado de incertezas.


Segundo uma fonte ligada à OGX, um aporte imediato de US$ 250 milhões pela Petronas seria suficiente para quitar as dívidas mais urgentes e bancar os custos necessários para colocar em operação a plataforma OSX- 3, que vai extrair o óleo de Tubarão Martelo, na Bacia de Campos. Esse novo fôlego evitaria que a empresa entrasse com um pedido de recuperação judicial, alternativa que parece cada vez mais próxima, ou mesmo falência no caso de algum juiz entender que a recuperação judicial não resolveria o problema.



Mas os indícios são de que a companhia tem uma série de dificuldades para superar e chegar a um novo acordo com os malaios. O negócio original previa a aquisição de 40% dos blocos BM-C-39 e BM-C-40, onde está o campo de Tubarão Martelo, e quando foi anunciado em maio a estimativa de recursos contingentes (2C) para o campo era de 212 milhões de barris de óleo equivalente (BOE). No jargão exploratório significa uma avaliação intermediária entre a maior e a menor possibilidade de volumes, ou a "melhor estimativa" de se encontrar petróleo naqueles volumes com os dados disponíveis até então. Essa projeção de recursos de petróleo ainda não pode ser classificada como reserva já que é baseada em probabilidade pela DeGolyer and MacNaughton (D&M) em fevereiro de 2012, antes da perfuração de poços adicionais na área.


Com os números atualizados ontem, baseados em informações geológicas mais precisas, a OGX divulgou volumes de 87,9 milhões de BOE de reservas prováveis (2P) ou 108,5 milhões de BOE se acrescentadas também as reservas possíveis (3P) para os blocos BM-C-39 e BM-C-40. No cenário intermediário, a D&M atribui um valor de US$ 851 milhões para o campo Tubarão Martelo, mesmo valor acordado para venda de 40% da área. O valor sobe para US$ 1,387 bilhão quando somadas as reservas possíveis e prováveis.


Com pouco mais de US$ 200 milhões em caixa no mês passado (fechou o segundo trimestre com US$ 326 milhões), a OGX está atrasando o pagamento de diversos fornecedores como antecipou o Valor. Segundo uma fonte, a Schlumberger, grande fornecedora do mercado petrolífero, é que tem dado mais tranquilidade para a companhia ao negociar a postergação das faturas. A ordem na OGX é postergar os pagamentos para depois do início da produção, quando começará a entrar alguma receita.


A companhia do empresário Eike Batista tenta antecipar ao máximo a produção em Tubarão Martelo


A companhia do empresário Eike Batista tenta ainda antecipar ao máximo a produção no campo, para ter o "primeiro óleo" ainda no quarto trimestre deste ano. Seria uma tentativa de fazer caixa, cumprindo também meta estabelecida no finado acordo com a Petronas. A malaia, que é uma estatal com todas as amarras que esse tipo de empresa costuma ter, desistiu de comprar a participação no campo por até US$ 850 milhões depois que a situação financeira do grupo se agravou. O acordo, anunciado dia 7 de maio, previa o pagamento de US$ 250 milhões mais o desembolso de 40% dos custos de desenvolvimento do campo a partir do dia 1º de maio, assim que a venda fosse aprovada pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).


No acordo, a OGX ofereceu ainda como fiança 40% da sua fatia remanescente em Tubarão Martelo e de 20% dos 40% adquiridos da Petrobras no bloco BS-4, na Bacia de Santos. Mas a petroleira demorou a notificar o Cade sobre outro negócio: a compra de participação de 40% da Petrobras no bloco BS-4, na Bacia de Santos, o que travou o acordo com a Petronas na ANP. O Valor apurou que a responsabilidade foi da Petrobras. A reestruturação da dívida da OGX veio antes que o Cade aprovasse a transferência do BS-4, que só aconteceu no fim de agosto. Nessa altura a situação financeira da empresa já tinha se deteriorado a tal ponto que os malaios recuaram do negócio temendo as consequências de uma recuperação judicial ou, até mesmo, a falência do operador. Em termos jurídicos, a malaia alegou o chamado "exceção de contrato não cumprido".


Tudo começou a dar errado antes que a Petronas fizesse o primeiro pagamento. Sob o ponto de vista da estatal malaia, qualquer dinheiro que entrasse na conta da petroleira brasileira poderia ser arrestado por credores ou usado para pagamentos de outros compromissos da petroleira que não aqueles acordados no contrato. Essa, segundo fontes, foi uma das preocupações que estavam por trás das declarações do presidente da Petronas, Shamsul Azhar Abbas, de que nada seria pago durante a reestruturação da dívida da OGX. Mais reservadamente, Abbas informou que não pagará nada à OGX enquanto a companhia não arrumar a casa, como contou uma fonte ao Valor.


Uma alternativa para sair desse impasse seria a venda de todo o campo para a Petronas. Considerando o valor acertado pela participação original, 100% da área valem US$ 2,125 bilhões. Porém, como tudo em torno da OGX tem um "mas", a empresa não quer se desfazer totalmente desse campo por duas razões importantes: além de ser seu principal ativo, ou aquele que tem possibilidade mais rápida de gerar receita, a venda do Martelo na íntegra pode ser questionada como fraude contra credores.

 

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