Evento

O que há de novo na Fenasucro & Agrocana 2022?

Edição deste ano, que foca o tema da sustentabilidade, reúne inovações que pretendem, em breve, integrar o mercado sucroenergético

Redação TN Petróleo/Assessoria
11/08/2022 06:35
O que há de novo na Fenasucro & Agrocana 2022? Imagem: Divulgação Visualizações: 1442

A 28ª edição da FENASUCRO & AGROCANA - maior feira do mundo voltada exclusivamente ao setor de bioenergia – apresentará as principais tendências e novidades entre os dias 16 e 19 de agosto, no Centro de Eventos Zanini, em Sertãozinho.

E com foco na pauta da sustentabilidade que vai do campo à indústria, baseada na agenda global de ESG, a feira traz em sua plataforma de tecnologias as principais inovações que, inclusive, atraem compradores do mercado mundial. Isso porque a edição deste ano receberá mais de 40 mil visitantes compradores do Brasil e de 23 países que devem fomentar R$ 5 bilhões em negócios. 

De acordo com o diretor da Fenasucro & Agrocana, Paulo Montabone, muitas dessas tecnologias foram pensadas justamente para reduzir o consumo de combustíveis fósseis, minimizando o efeito estufa e a emissão de gases na camada de ozônio.

"Pensar processos que proporcionem mais qualidade de vida e exijam menos da natureza é uma tarefa desafiadora e urgente, pois, apenas assim, teremos um planeta melhor para todos e com compromissos ambientais mais factíveis a médio e longo prazo", define. 

A Fenasucro & Agrocana contará com a exposição de mais de 3 mil produtos nacionais e internacionais em sua plataforma de alternativas e soluções para o setor de bioenergia. 

Dentre as inovações estão: 

Diesel de cana-de-açúcar: parece um contrassenso que os caminhões usados na cadeia produtiva de etanol sejam movidos à diesel, que é um derivado fóssil. E diante dessa questão, que seria um limitador à energia 100% limpa e sustentável fornecida pelas usinas, surgiu o diesel de cana-de-açúcar, uma vertente química intermediária que pode ser obtida do etanol gerando, primeiramente, o N-Butanol para enriquecer o produto. 

Após esse processo, ele é misturado a um aditivo próprio que transforma o etanol em um combustível substituto do Diesel, que pode ser usado nos veículos atuais, sem a necessidade de modificações nos motores.

O trabalho é resultado de 10 anos de pesquisas realizadas em laboratórios de universidades de Curitiba (PR) e que garante conversão energética semelhante ao diesel comum. Dentre os benefícios está a durabilidade dos bicos de injeção e dos motores, que é muito maior por se tratar de um combustível limpo.

Segundo o desenvolvedor do "diesel verde", o custo de produção também é um ponto positivo, pois, a depender do valor relativo do etanol em relação ao diesel fóssil, o combustível à base de cana-de-açúcar pode reduzir os custos com colheita e transporte, que representam até 10% do faturamento bruto das usinas.

Hibridizador movido a etanol: os drones (equipamentos aéreos não tripulados) movidos à bateria se popularizaram na última década e tornaram-se essenciais para o trabalho, pulverização e, também, para o mapeamento de áreas rurais. Porém, como a autonomia desse equipamento costuma ser pequena (em média 15 minutos), a recarga se torna necessária com mais frequência. Pensando nessa questão, no alto custo para a reciclagem e também no risco de descarte das baterias, surgiu um dispositivo que transforma a energia do etanol em energia elétrica, possibilitando o maior uso do drone. 

O equipamento de biocombustível é acoplado no veículo substituindo as baterias e fornecendo energia, por meio de um processo de combustão de um micro-gerador. O drone funciona com a instalação de um dispositivo que transforma a energia química do etanol em energia elétrica. E a tecnologia aumenta, também, a autonomia que chega a até 4 horas, garantindo mais praticidade, economia e sustentabilidade para o trabalho no campo.

Geradores a Biogás: o Brasil é um país rico em recursos naturais e com forte potencial na geração de energia limpa e renovável. E um dos caminhos possíveis vem com o biogás (proveniente da decomposição do bagaço de cana), que já mostrou sua eficácia e potencial dentro da matriz energética brasileira.

Nesta edição da Fenasucro & Agrocana será apresentado um equipamento, com engenharia brasileira e motor alemão, que facilita os processos para operação com o biogás, reduzindo a emissão de gases causadores de efeito estufa e com consequente descarbonização do setor agropecuário.

E o potencial é enorme visto que, até 2030, o setor de biogás planeja investir R$ 60 bilhões para entregar 30 milhões de metros cúbicos por dia de biometano - biocombustível gasoso obtido a partir do processamento do biogás contribuindo, assim, para o uso sustentável em toda a cadeia de produção.

São Paulo e Rio de Janeiro, respectivamente, são os estados responsáveis pela maior produção do gás biometano. E com o uso do biogás, a emissão de carbono na superfície terrestre é nula.

A linha de geradores a biogás, que vem se destacando pela alta eficiência elétrica e lucratividade, estará presente na Feira e contará com financiamento junto ao BNDES.

Reuso de águas industriais: atualmente, o resíduo industrial é considerado um dos grandes responsáveis por agressões ao meio ambiente, devido ao descarte de materiais que podem ser altamente poluentes para água e solo.

Pela legislação brasileira, os geradores são obrigados a cuidar do gerenciamento, transporte, tratamento e destinação final de seus resíduos, sendo que essa responsabilidade é contínua e ininterrupta. E diante da necessidade de processos mais limpos, que onerem minimamente o meio ambiente, será apresentado durante a Fenasucro & Agrocana um equipamento que pode recuperar em torno de 6 mil litros de água por hora, processando, principalmente, resíduos industriais.

Após cinco anos de pesquisas, a aplicação consolidada - que funciona por meio da desidratação mecânica e posterior compactação de sólidos - já mostrou vantagens em relação a diferentes processos, além de apresentar resultados efetivos como, por exemplo, na lavagem de cascas de laranja e de tomate, em processos do ramo de etanol de milho e, por fim, na desidratação de lodos industriais provenientes da água de lavagem dos gases da caldeira na produção de açúcar e etanol.

Outra finalidade desse processo é que, a depender do resíduo, as sobras podem ser utilizadas como fonte de nutriente para o solo, com a adubação orgânica, auxiliando na sustentabilidade ambiental, que a médio e longo prazo, trará economia para a empresa, além de ser uma responsabilidade social ambiental do empreendimento industrial.

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