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Novo diretor do Cetem toma posse e quer ampliar pesquisas sobre projetos estratégicos

O novo diretor do Centro de Tecnologia Mineral (Cetem), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Fernando Antonio Freitas Lins, será empossado nesta sexta-feira (20). Entre os temas prioritários de sua gestão (2012-2015) estão terras-raras e minerais para fertilizantes.

Agência Brasil
20/04/2012 10:44
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A expansão do trabalho em redes e a realização de pesquisas em temas considerados estratégicos para o Brasil são prioridades do novo diretor do Centro de Tecnologia Mineral (Cetem), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Fernando Antonio Freitas Lins. Ele será empossado nesta sexta-feira (20) à tarde pelo ministro Marco Antonio Raupp, no auditório do Cetem, na Cidade Universitária, no Rio.

Entre os temas prioritários de sua gestão (2012-2015), Fernando Lins citou terras-raras e minerais para fertilizantes. Ele explicou que o Brasil é um grande produtor agroindustrial  e consome muitos minerais fertilizantes importados, como potássio, fosfato e nitrogênio. “A dependência do Brasil é cerca de 70%”.

Para o diretor, um esforço de pesquisa nessa área pode ajudar a elevar a produção interna do Brasil. “Seria muito interessante, do ponto de vista de evitar qualquer susto, como dificuldades de oferta no mercado mundial”. Ele lembrou que a falta de fertilizantes por algum tempo pode levar à queda de safra internamente. “Por isso, a pesquisa é estratégica”, destaca.

No campo de terras-raras, o Brasil  tem alto potencial geológico. As reservas estimadas ficam em torno de 3,5 bilhões de toneladas. Fernando Lins disse que a questão é estratégica também porque os metais que constituem esse grupo de 17 elementos químicos, presentes em minérios como a monazita, a bastnaesita e a xenotima, são muito importantes em tecnologias avançadas, usadas em computadores e celulares, por exemplo.

Outras aplicações são a indústria petrolífera, a produção de semicondutores e supercondutores, os ímãs de alto desempenho, fármacos, sistemas de orientação espacial e a indústria bélica. Embora o Brasil não fabrique esses equipamentos, Lins explicou que há uma orientação política do governo de que o país não fique somente na fase de produção desses minerais. “Ele terá também projetos que irão até o fim da cadeia”. A China se mantém na liderança da produção de terras-raras, com 95% dos recursos produzidos no mundo.

Segundo o diretor, diante dos desafios da área de mineração e para compensar a falta de pessoal especializado, a tendência do Cetem é expandir o trabalho em redes, desenvolvendo projetos estruturados em parceria com outros institutos de pesquisa, para chegar a resultados bons e efetivos. “É uma forma de otimizar os recursos humanos disponíveis”.

Outra meta é ampliar o tamanho do Cetem. O centro é sediado no Rio e tem um núcleo de rochas ornamentais em Cachoeiro do Itapemirim (ES). A ideia é criar outros núcleos regionais em Santa Catarina, devido à existência de carvão, e no Piauí, onde existe a produção de gemas e foram feitas descobertas importantes de minério de ferro. Para isso, devem ser estabelecidas parcerias com governos estaduais.

O novo diretor quer promover a modernização da infraestrutura do Cetem, por meio da renovação e manutenção de equipamentos. Lins pretende inserir o Cetem no processo de evolução da mineração mundial, de modo a dar ênfase à participação brasileira.

“É uma oportunidade para o Brasil, do ponto de vista tecnológico, aproveitar essa onda e surfar nesse momento positivo”. Ele acredita que o Cetem e outros institutos de pesquisa têm condições de aproveitar esse cenário de crescimento do setor para ficar mais competitivos. “O Cetem pode ser um catalizador disso”.

O centro tem atualmente 100 servidores, dos quais 60 são pesquisadores. Para recuperar o contingente que se aposentou nos últimos anos, Lins estimou que seriam necessários, pelo menos, mais 100 pesquisadores. Está prevista a realização, ainda este ano, de um concurso para admissão de cinco pesquisadores. Lins informou que vai defender a realização de novos concursos para a contratação de 10 a 15 pessoas por ano, nos próximos cinco ou seis anos.
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