Internacional

Nigéria pára por subsídio e pressiona o petróleo

Valor Econômico
14/10/2004 00:00
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Uma greve geral na Nigéria nesta semana contribuiu para que a cotação do petróleo atingisse sucessivos recordes. Ontem (13/10), a greve foi considerada legal pela Justiça. O movimento, que não afetou as exportações, deve acabar hoje, mas pode ser retomado nas próximas semanas, o que deve manter a cotação sob pressão.
A Nigéria foi o 13º maior produtor de petróleo em 2003, com 2,25 milhões de barris por dia, e o 8º maior exportador. A produção este ano está em alta.
Uma corte de Abuja, a capital, rejeitou ontem um pedido do governo para a greve geral, iniciada na segunda, fosse declarada ilegal.
A greve tem o apoio do principal sindicato de trabalhadores do setor de petróleo, mas por enquanto as exportações, que se aproximam de 2 milhões de barris por dia, não foram afetadas.
Se a paralisação tivesse sido declarada ilegal, a decisão equivaleria a uma ordem para que os grevistas voltassem ao trabalho.
Os trabalhadores do setor de petróleo ameaçam aderir à paralisação. "Se houver novas prisões, mudaremos nossa estratégia", disse Peter Akpatason, presidente do Nupeng, maior sindicato de trabalhadores do setor petrolífero.
O objetivo da greve é que o governo recue na recente alta de 23% nos preços de combustíveis. Os preços aumentam desde que o mercado interno foi desregulado, no ano passado, e os subsídios estatais eliminados gradualmente.
Para muitos nigerianos, os subsídios aos combustíveis, em especial ao querosene, usado para cozinhar, eram o único benefício que os pobres, que são dois terços dos 130 milhões de nigerianos, recebiam da riqueza em petróleo do país. O governo argumenta que, com a eliminação dos subsídios, terá dinheiro para combater a pobreza.
Existe ainda um grande ressentimento pelo fato de a Nigéria não investir na manutenção de suas refinarias, o que faz com que o país importe cerca de US$ 2 bilhões de gasolina e diesel.
A greve, que paralisou os transportes e a maioria dos negócios na principal cidade, Lagos, e em outras partes do país, deve acabar hoje. Caso a reivindicação de queda do preço dos combustíveis não seja atendida, a paralisação deve ser retomada em duas semanas.
Nos três primeiros dias de paralisação, pelo menos duas pessoas morreram em enfrentamentos entre policiais e manifestantes e dezenas de pessoas foram presas.

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