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Neoenergia faz estudos para comprar CPFL

Valor Econômico
07/01/2009 02:28
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A venda da participação da Votorantim na distribuidora e geradora CPFL Energia ainda está dependendo de uma avaliação do valor do ativo. Pelo menos por parte da Neoenergia, controlada da Previ, Banco do Brasil e da espanhola Iberdrola, a mais forte candidata, ao lado do grupo Camargo Corrêa. 

 

A Neoenergia já conta com a autorização dos sócios para estudar e avaliar o preço dos 50% da Votorantim na holding VBC Energia, dona de 28,4% do capital da CPFL. Tanto que, conforme apurou o Valor, contratou o Unibanco Investimentos para fazer o processo de avaliação. Ao contrário do que o mercado estaria apostando, a operação pode demorar algum tempo para se materializar. 

 


A estatal mineira Cemig é outro grande interessado pelo melhor ativo do setor elétrico no país, como declarou ao Valor seu diretor de relações com investidores, Luiz Fernando Rolla. No entanto, ele observou que "não existe nenhuma conversa de compra ou negociação em andamento". Rolla participou de uma reunião no BNDES na segunda-feira com o presidente do banco, Luciano Coutinho, e o da Cemig, Djalma Bastos de Morais. 

 


O diretor da Cemig admitiu, contudo, que a estatal fez "uma sondagem com o pretenso vendedor", o que teria chamado a atenção de terceiros. Mas segundo ele, o assunto teria muito a evoluir antes de ser considerado uma negociação em andamento. 


 

Comenta-se no setor que o BNDES não teria interesse na entrada da Cemig - que já é sócia da Light - no capital da CPFL, o que o diretor da empresa mineira nega. Ele disse que o banco tem "todo o interesse" nos projetos da Cemig para expansão da geração de energia e que, de qualquer modo, não cabe ao BNDES opinar sobre investimentos da empresa, uma vez que ele não empresta dinheiro para aquisição de empresas, apenas projetos novos. De fato, o BNDES só poderia participar de uma aquisição desse porte como acionista, via BNDESPar, seu braço de participações. 

 


Uma fonte aponta que Camargo Corrêa, que divide a VBC com a Votorantim e, portanto, seria compradora natural, não vê com bons olhos a ofensiva da Cemig, pois a estatal tem fortes vínculos com a também mineira Andrade Gutierrez, sua concorrente na área de construção e engenharia. Outra observa que, estrategicamente, seria mais interessante a Camargo ficar com essa participação, posicionando-se melhor no setor. 

 


Ontem, foi um dia de intensas conferências telefônicas entre os principais interessados. Havia informações, não confirmadas, de que o negócio quase fechou na segunda-feira - teria havido pedido de tempo pela Iberdrola. Haveria também discordância entre Votorantim e potenciais compradores de sua participação sobre preço e condições de venda. A Previ, maior acionista da CPFL e da Neoenergia, não quis se manifestar sobre o assunto. Procurado, Eleazar de Carvalho, que ainda está à frente do Unibanco Investimento, não foi encontrado, mas estaria no Rio participando de uma reunião da Orquestra Sinfônica Brasileira. 

 


As conversas entre a Votorantim e a Neoenergia estão numa fase complicada por conta de avaliações divergentes do mercado futuro de energia, diante da desaceleração da economia brasileira, que pode impactar a receita futura da CPFL. Essa é uma premissa primordial para a negociação ter sucesso. A Cemig também considera elevado o preço de R$ 4 bilhões, envolvendo o prêmio de controle e o desconto da dívida de R$ 1,6 bilhão da holding com o BNDES. 


 

Essa queda de braço não é interessante para a Votorantim que, conforme avaliações do mercado, tem presa de fechar o negócio. Os compradores, por outro lado, querem ganhar tempo para comprar pelo menor preço. Procurados, Votorantim e Camargo Corrêa não quiseram se manifestar. 

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