Internacional

Navios evitam porto de Tóquio com receio de radiação

Alguns navios mercantes podem estar evitando o porto de Tóquio devido ao receio de radiação, e o Japão pode enfrentar problemas graves na cadeia de oferta de produtos na medida em que navios forem desviados, disseram nesta quinta-feira autoridades do setor de transport

Agência Reuters
25/03/2011 08:56
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Alguns navios mercantes podem estar evitando o porto de Tóquio devido ao receio de radiação, e o Japão pode enfrentar problemas graves na cadeia de oferta de produtos na medida em que navios forem desviados, disseram nesta quinta-feira autoridades do setor de transportes marítimos.
 
 
Qualquer revés logístico pode implicar em grandes atrasos e congestionamentos no transporte marítimo nos terminais japoneses, incluindo o de Tóquio, dificultando os esforços de recuperação do país depois do terremoto de 11 de março.
 
 
 
É possível que alguns navios já estejam evitando Tóquio em função do medo da exposição de tripulantes à radiação vinda da usina nuclear de Fukushima, situada 240 quilômetros ao norte da capital.
 
 
 
"Ouvi de agentes locais que alguns navios não estão aportando em Tóquio devido ao medo da radiação. Não sei quantos", disse Tetsuya Hasegawa, gerente operacional da Agência Heisei de Transportes Marítimos, em Tóquio.
 
 
 
Tim Wickmann, executivo-chefe da MCC Transport, uma unidade do grupo dinamarquês petrolífero e de transportes marítimos A.P. Moller-Maersk, disse que algumas linhas mercantes alemãs decidiram não aportar em alguns portos, entre os quais o de Tóquio.
 
 
 
"A última coisa que o Japão precisa agora é que as pessoas o abandonem", disse ele à Reuters.
 
 
 
Os envios de produtos em navios de contêineres para o leste do Japão podem virtualmente parar se as firmas marítimas decidirem que Tóquio, o quarto maior porto do país, for perigoso demais.
 
 
 
"Acho que, nesse caso, as empresas da Ásia vão deixar de enviar cargas para o leste do Japão. Vão conservar suas cargas em vários portos -- Coreia, Taiwan ou outros portos próximos", disse Wickmann.
 
 
 
Quase duas semanas após o desastre, a terceira maior economia mundial enfrenta a ameaça de vazamentos de radiação, e os 13 milhões de habitantes de Tóquio foram orientados a não dar água de torneira a bebês.
 
 
Funcionários da Associação de Armadores do Japão e outras firmas de transportes marítimos não puderam confirmar que navios estejam sendo desviados para longe de Tóquio.
 
 
 
A MCC Transport continua com as operações normais de suas quatro linhas de navios de carga para o Japão.
 
 
"Enquanto as autoridades considerarem que o porto é seguro, queremos continuar. Mas, se você tem uma tripulação que se recusa a trabalhar no navio, o que fazer?", disse Wickmann.
 
 
 
A maior parte da infraestrutura portuária do Japão escapou ilesa do terremoto, mas 15 portos ficaram gravemente danificados. O ministro dos Transportes disse na quarta-feira que 12 desses portos já podem ser usados em esforços de recuperação e uso geral.
 
 
REABERTURA EM TÓQUIO
 
 
A cadeia de moda sueca Hennes & Mauritz anunciou na quinta-feira que reabriu seis de suas nove lojas em Tóquio, depois de serem fechadas em função do terremoto e dos receios de radiação. Uma loja continua fechada porque seu telhado foi avariado.
 
 
 
O grupo vai reabrir duas outras lojas na sexta e lançar mais uma loja, elevando seu total no Japão para 11, disse uma porta-voz.
 
 


A H&M retomou seus envios de carga para o Japão, depois de ter temporariamente desviado as entregar para mercados vizinhos durante o fechamento de suas lojas em Tóquio.
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