Internacional

México estuda abrir setor de petróleo

Valor Econômico / A
30/03/2005 00:00
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A empresa-símbolo do México, a petroleira Pemex, deve ser autorizada a fazer parcerias, inclusive com capital externo. Os três maiores partidos do país estudam permitir investimento privado no setor e maior autonomia financeira para a empresa, já que o governo não tem como investir o necessário para modernizar a infra-estrutura petrolífera e impedir a tendência de queda das reservas de petróleo do país.
O primeiro sinal de mudança veio quando o PRI (Partido Revolucionário Institucional), que tem a maior bancada do Congresso, levantou seu veto histórico à abertura de capital da Pemex. A estatização das empresas de petróleo, em 1938, ainda é símbolo de afirmação popular da identidade mexicana. A Constituição coloca as fontes de energia como patrimônio exclusivo do Estado, impedindo a entrada de multinacionais.
Mas a situação vem forçando os políticos a reconsiderar o veto a investimento externo. Segundo o diretor da Pemex Luis Ramírez, as reservas comprovadas de petróleo do México caíram de 18,9 bilhões de barris para 17,6 bilhões entre 2003 e 2004. Nesse ritmo, diz, a privatização pode ser inevitável em alguns anos. "Quando chegarmos a uma situação crítica, não teremos outra opção a não ser privatizar. E nessa atividade, privatizar é vender nossos recursos naturais."
O executivo acrescentou que é preciso estabelecer bases legais que permitam alianças estratégicas com empresas que dividam o risco da exploração com a Pemex. A empresa necessita de investimentos anuais de US$ 20 bilhões para que a indústria petroleira seja sustentável, sendo que o governo mexicano não pode manter esse ritmo. Para aumentar suas reservas, a estatal mexicana necessita ter acesso a tecnologia para exploração em águas profundas. No atual nível, as reservas comprovadas mexicanas são suficientes para cobrir o consumo de 11 anos.
Para Enrique Krauze, um dos mais conhecidos historiadores mexicanos, a estagnação da Pemex se deve ao status "mitológico" que ela adquiriu na estatização de 1938. "É bom dizer que essas fontes de energia pertencem a todos os mexicanos, mas a teoria é uma coisa e a realidade é outra."
Estima-se que a administração da empresas seja tão ruim que ela poderia acrescentar de US$ 1 bilhão a US$ 2 bilhões ao ano em suas receitas se conseguisse simplesmente acabar com as fraudes e os roubos de gasolina.
Mas o mais grave aparentemente é a necessidade de expansão e de renovação da infra-estrutura.
Todo o sistema de oleodutos precisa de manutenção. Só para dar uma idéia do problema, apenas o Estado de Veracruz registrou 44 vazamentos de óleo entre fevereiro de 2000 e dezembro de 2004, dois terços deles devido a problemas nos oleodutos.

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