Combustíveis

Mercado doméstico de combustíveis está se recuperando, diz Luiz Henrique Guimarães da Raízen

Redação/SCA
20/03/2019 10:37
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O mercado doméstico de combustíveis voltou a responder após as eleições e há recuperação na demanda no início de 2019, de acordo com o presidente da Raízen, Luiz Henrique Guimarães. "Há melhora grande em janeiro e fevereiro. Vemos recuperação em relação ao ciclo Otto [gasolina e etanol] e, principalmente, em diesel", disse.

A melhora no fim do ano passado ajudou a mitigar o impacto da greve dos caminhoneiros na operação, cujas perdas chegaram a R$ 200 milhões. Em 2018, a demanda no ciclo Otto caiu 3,1%, diante da alta de preços e da continuidade do desemprego. Por sua vez, o consumo de diesel subiu 1,6% após dois anos de retração.

Para 2019, a Cosan projeta para a Raízen Combustíveis no Brasil resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de R$ 2,9 bilhões a R$ 3,2 bilhões, comparável a R$ 2,8 bilhões no ano passado. Os investimentos devem crescer ligeiramente, com volume de recursos similar ao aplicado no ano passado para ampliar capacidade de armazenamento.

Para Guimarães, a entrada de novos competidores no setor de combustíveis, como Vitol e PetroChina, é notícia positiva. "O mercado é extremamente competitivo. Mas a entrada dessas empresas traz competidores que jogam um jogo parecido com o nosso. Ou seja, pagam impostos, têm ética e têm qualidade", disse. Ele ressaltou que essas empresas vão investir e comprar ativos, se quiserem crescer. "Vai dar trabalho, porque competidor bom dá trabalho. Mas não tenho medo. Tenho medo do pilantra, que não paga imposto".

Os ativos comprados na Argentina no ano passado, conforme o executivo, são de excelente qualidade e há sinergias a serem geradas, além de oportunidade de expansão dos negócios de conveniência e trading. O primeiro trimestre de gestão dos ativos, iniciado em outubro, foi difícil por causa da crise econômica enfrentada pelo país vizinho, mas já se nota melhora. "O trimestre que se encerra em março já deve estar dentro da rentabilidade que a gente imagina para o período", afirmou.

Para 2019, a Cosan projeta para a Raízen Argentina Ebitda de US$ 210 milhões a US$ 260 milhões e investimentos de US$ 100 milhões a US$ 140 milhões. Assim, considerando-se os resultados no Brasil e na área de Raízen Energia, a Raízen será uma empresa com Ebitda consolidado de R$ 7,5 bilhões entre 2019 e 2020.

A Raízen Combustíveis, já considerando a Argentina, teve receita líquida consolidada de R$ 85,2 bilhões no ano passado.

Ao falar sobre o projeto de empresa integrada de energia da Raízen, o executivo elencou as iniciativas adotadas no ano passado, entre as quais a joint venture com a WX na área de trading de energia elétrica, o primeiro projeto em energia solar e a aposta em biogás. "Estamos posicionados de fato para pegar a onda da revolução que está acontecendo, onde for", disse.

Guimarães afirmou ainda que o futuro será diferente em termos de mobilidade, não só por causa das outras fontes de energia mas pelos diferentes modelos, como o compartilhado, mas há obstáculos a serem percorridos no Brasil.

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