Internacional

Malásia quer se tornar polo global de captura e armazenamento de carbono, diz Suhana Sidik, da PETRONAS

Executiva também ressaltou a importância do petróleo e do gás para a segurança energética, lembrando que 80% da demanda global ainda é suprida por combustíveis fósseis e que 10% da população mundial segue sem acesso à eletricidade.

Redação TN Petróleo/Assessoria RCGI
05/11/2025 13:48
Malásia quer se tornar polo global de captura e armazenamento de carbono, diz Suhana Sidik, da PETRONAS Imagem: Roberta Prescott Visualizações: 1910

A Malásia está se preparando para se tornar o principal centro de captura e armazenamento de carbono (CCS) da região Ásia-Pacífico. A declaração foi dada hoje (5/11) por Suhana Sidik (foto), country chair da PETRONAS no Brasil, durante a 8ª edição da Energy Transition Research & Innovation Conference (ETRI) — evento realizado na Universidade de São Paulo (USP), em São Paulo, pelo Centro de Pesquisa e Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI-USP), em parceria com o Offshore Technology Innovation Centre (OTIC-USP). Segundo ela, o país já aprovou uma lei de CCS que permitirá importar CO₂ de outros países e possui projetos em andamento que incluem a injeção de 3,2 milhões de toneladas de CO₂ em um único reservatório offshore, um dos maiores do mundo.

A executiva revelou também que a estatal está desenvolvendo um navio transportador de baixo teor de carbono, oito vezes maior do que os atuais navios de GNL, e que um terço dos dias de trabalho em P&D da empresa é dedicado ao CCS. "Atualmente, temos muito gás combustível contaminado e, para garantir que possamos continuar a fornecer segurança energética na Malásia, precisamos produzir gás de alto valor, mas com menos emissões", explicou.

Fundada em 1974, a PETRONAS detém todas as reservas de petróleo e gás natural da Malásia e vem investindo fortemente em tecnologias de descarbonização. Desde 2013, a empresa reduziu em 60% suas emissões e passou a oferecer armazenamento de CO₂ como serviço, aproveitando formações geológicas e reservatórios esgotados do país. "Temos capacidade suficiente não apenas para a PETRONAS, mas também para apoiar a descarbonização de países da região Ásia-Pacífico", destacou Sidik.

A executiva lembrou que a transição energética se encontra em estágios distintos nos diversos países, mas todos compartilham a necessidade de reduzir as emissões e garantir independência de combustíveis fósseis. Segundo ela, o mundo investiu US$ 11 trilhões na transição energética desde 2013, mas 80% da demanda global ainda é suprida por petróleo, gás e carvão, e 10% das 8 bilhões de pessoas no planeta seguem sem acesso à eletricidade.

"Quando falamos de energia, a pobreza energética é uma realidade em todo o mundo. E, quando falamos de demanda, grande parte dela se deve ao fato de o mundo caminhar em ritmo acelerado para a quinta revolução industrial, impulsionada pela inteligência artificial, que hoje consome o dobro da eletricidade dos últimos seis anos", enfatizou.

A executiva também observou que os desafios da transição incluem a disputa entre Estados Unidos e China pela extração de terras raras, fundamentais para o armazenamento de energia em veículos elétricos, cuja cadeia já responde por até 4% da demanda energética global, podendo duplicar ou até octuplicar até 2060. "Tudo isso ainda exigirá uma demanda energética intensa e extensa. Por isso, precisamos reconhecer a importância do petróleo e do gás no apoio à transição energética", afirmou. Ela citou o caso brasileiro: mais de 50% dos US$ 700 milhões investidos em gás natural renovável vêm de empresas de petróleo e gás. "Essas companhias ajudam a fornecer energia acessível para as 800 milhões de pessoas no mundo que ainda vivem sem eletricidade — e precisam fazê-lo de forma responsável e sustentável."

Suhana Sidik ressaltou ainda que a segurança energética é um dos compromissos centrais da PETRONAS. "Quando olhamos para 2050, 50% da demanda global virá da Ásia-Pacífico. Por isso, a região precisa de energia acessível e confiável", afirmou, lembrando que muitos países asiáticos e africanos estão migrando do carvão para o gás, e não diretamente para as renováveis.

A executiva também destacou a importância das soluções baseadas na natureza e de colaborações Sul-Sul. Um dos exemplos é o projeto Blue Carbon Collective, que busca investigar a capacidade de manguezais de absorver e armazenar carbono, com participação da Universidade de São Paulo (USP) e da Universiti Putra Malaysia (UPM). A iniciativa terá duração de cinco anos e poderá gerar dados importantes para estratégias de mitigação e conservação, além de criar oportunidades locais de emprego e negócios. 

"O que queríamos era aproveitar muito do trabalho já realizado pelo RCGI no Brasil. Vimos ótimos resultados que podemos replicar na Malásia", observou Sidik. Ela encerrou sua fala convidando pesquisadores e startups a se unirem à PETRONAS em desafios de inovação voltados à transição energética. "Acredito que há pesquisas de alta qualidade sendo feitas aqui no Brasil que podemos aprimorar ainda mais. Esperamos que essa colaboração se consolide como uma parceria internacional de referência em descarbonização, fortalecendo a cooperação global", concluiu.
 

Sobre o RCGI: O Centro de Pesquisa e Inovação em Gases de Efeito Estufa (RCGI) da USP é um Centro de Pesquisa em Engenharia, criado em 2015, com financiamento da FAPESP e de empresas por meio dos recursos previstos na cláusula de P,D&I dos contratos de exploração e produção de petróleo e gás. Atualmente estão em atividade cerca de 60 projetos de pesquisa ativos (em um histórico de 120), ancorados em oito programas: Solução Baseada na Natureza (NBS – Nature Based Solution); Captura e Utilização de Carbono (CCU – Carbon Capture and Utilization); Bioenergia, Captura e Armazenamento de Carbono (BECCS – Bioenergy with Carbon Capture and Storage); Gases de Efeito Estufa (GHG – Greenhouse Gases); Advocacy (Normalização, Regulamentação e Percepção Social); Núcleo de Inovação em Sistemas de Energia (InnovaPower); Descarbonização;  e Centro 2 Centro (projetos em colaboração direta com centros de pesquisa dos Estados Unidos). O RCGI também possui um hub de pesquisa, o Geostorage, dedicado ao armazenamento em larga escala de energia e CO2. O centro, que conta com cerca de 800 pesquisadores, mantém colaborações com diversas instituições, como Oxford, Imperial College, Princeton e o National Renewable Energy Laboratory (NREL). 

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