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Lucro da Petrobras cresce menos que média do setor

Folha de São Paulo
15/03/2007 00:00
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Ganho em dólar sobe 19,6% em 2006, contra 41% das grandes petrolíferas das Américas

Altos custos de produção, recuo do barril do petróleo e defasagem em relação a preços internacionais afetam desempenho, dizem analistas

A Petrobras registrou em 2006 o quarto maior lucro entre as petroleiras de capital aberto das Américas (US$ 12,123 bilhões), mas sua rentabilidade foi menor que em 2005, o lucro ficou abaixo da média das empresas mais lucrativas e seu valor de mercado caiu 12% neste ano. É o que revela estudo da consultoria Economática, a pedido da Folha.

Em 2006, a brasileira só lucrou menos do que as gigantes americanas ExxonMobil (US$ 39,5 bilhões), Chevron Texaco (US$ 17,138 bilhões) e ConocoPhilips (US$ 15,55 bilhões).

Na comparação com 2005, porém, o lucro em dólar da Petrobras subiu 19,6% (US$ 10,136 bilhões), abaixo da alta de 50,6% de 2005 e do crescimento médio de 41,1% das 12 petroleiras mais lucrativas do continente. Em 2005, as petroleiras viram seus lucros crescerem 63,4% em média.

Para especialistas, custos mais altos de produção e queda do preço do petróleo e do faturamento no quatro trimestre afetaram o desempenho da maior empresa do país. Outro destaque negativo foi uma expansão da produção de óleo (5,5%) aquém do previsto.

Adriano Pires, da consultoria CBIE, ressalta que o fato de a estatal ter mantido em 2006 (ano eleitoral) seus preços defasados em relação aos internacionais até o terceiro trimestre também prejudicou o lucro.

"É evidente que poderia ter lucrado se não tivesse de atender a interesses políticos", disse ele. Os reajustes só ocorreram após a eleição de outubro.

Todos esses fatores, dizem, levaram a estatal a obter uma rentabilidade (medida pelo ROE, retorno sobre o patrimônio) um pouco mais baixa em 2006 sobre 2005 -29,4% contra 33,6%. Mesmo assim, ainda é um ganho bastante elevado se comparado a outros setores.

 

O resultado ruim do quarto trimestre e a queda do preço do petróleo também tiveram impacto no desempenho na Bolsa. Seu valor de mercado caiu de US$ 106,8 bilhões no final de 2006 para US$ 94 bilhões no último dia 8, cedendo o posto de maior companhia aberta da América Latina para a mexicana America Móvil.

O estudo considera só empresas com ações em Bolsa, o que exclui as estatais PDVSA (Venezuela) e Pemex (México).

Marcos Paulo Fernandes, da corretora Fator, atribui o desempenho mais fraco à redução das cotações do petróleo e à conseqüente queda de receita.

Para ele, a estatal viu sua margem de lucro recuar no fim do ano porque os custos se mantiveram elevados e o preço de venda dos produtos caiu na esteira do recuo do petróleo.

Desde outubro de 2005, quando o petróleo estava na faixa de US$ 60 o barril, gasolina e diesel não são reajustados. Em julho, encostou nos US$ 80 e foi até os US$ 50 em janeiro. Hoje, está perto de US$ 60.

Segundo a estatal, seus "preços estão alinhados ao mercado externo" no horizonte de longo prazo e os custos "seguem em linha" com os do setor.

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