Petrobras

Líbia é prioridade para a empresa no exterior

Valor Econômico
24/06/2005 00:00
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A Líbia, país árabe do Norte da África dirigido há mais de 30 anos por Muamar Khadafi, é agora a prioridade máxima da Petrobras para novas iniciativas de exploração de petróleo fora do Brasil.
O diretor da área internacional da estatal brasileira, Nestor Cerveró, disse ontem que ela vai participar da rodada de licitações que o governo líbio promoverá em setembro, com o objetivo de conceder novas áreas para exploração e produção de óleo no mar. Segundo o executivo, a estatal vai aumentar sua previsão de investir US$ 7,5 bilhões no exterior de 2004 a 2010.
Em janeiro deste ano a estatal já havia ganho uma área de exploração no mar Mediterrâneo, em águas de 200 a 700 metros de profundidade, em consórcio com a empresa Oil Search, com sede em Papua Nova Guiné. No contrato, assinado em 12 de março, a empresa brasileira detém 70% dos direitos exploratórios. A fase de perfuração nessa área deve começar no próximo ano.
"Queremos aumentar a participação na Líbia que tem um potencial enorme", disse Cerveró. Segundo ele, o país já produziu três milhões de barris de óleo por dia, em campos terrestres, e agora produz apenas 1,5 milhão de barris/dia. Agora, o país africano voltou-se para o mar com o objetivo de voltar a ser um grande produtor. A Petrobras não é neófita na Líbia. Ela já operou no país dos anos 70 até o início dos anos 90.
Cerveró disse que não há motivo para não investir em petróleo na Líbia, na Bolívia ou em qualquer parte do mundo por temor de problemas políticos a que possam por em risco esses investimentos. Segundo ele, não é o caso de se buscar algum tipo de seguro de risco político porque isso não é prática no mercado de petróleo e gás em nenhum lugar do mundo. "Ninguém faz isso no mundo", disse.
O diretor da Petrobras disse que a situação na Bolívia, principal fornecedora de gás natural ao Brasil e onde a estatal brasileira atua em todos os segmentos da indústria do petróleo e gás, acalmou-se após a crise institucional que culminou com a renúncia de Carlos Mesa da Presidência da República.
Embora admita não saber qual será o futuro do país vizinho, já que a calma se assenta sobre uma tênue trégua dada ao novo presidente, Eduardo Rodriguez, Cerveró disse que não há muito a fazer no curto prazo para reduzir a dependência brasileira do gás boliviano. "A Europa toda também depende do gás da Sibéria (Rússia)", ponderou.
De acordo com o dirigente, outro país prioritário para os investimentos da Petrobras é Angola, país que saiu há pouco tempo de uma sangrenta guerra civil. Angola pretende dobrar sua produção até 2008, passando de um milhão para dois milhões de barris. Atualmente a Petrobras atua em dois blocos marítimos angolanos, produzindo cerca de 10 mil barris de óleo por dia. A principal parceira da Petrobras em Angola é a estatal Sonangol, com a qual a estatal brasileira pretende aumentar os negócios.
Outra parceria da estatal que está em vias de aumentar é com a espanhola Repsol, essa em território brasileiro. O presidente da Repsol-YPF no Brasil, João Carlos França de Luca, disse que até agosto serão definidos os termos da parceria que as duas empresas estão costurando para exploração em conjunto do campo de gás de Mexilhão, na bacia de Santos (SP). O ponto de partida para as tratativas finais da parceria será a conclusão pela Petrobras da perfuração de dois poços avaliatórios no campo, prevista para julho. Mexilhão é uma das prioridades do governo brasileira para reduzir a dependência do gás boliviano. A idéia é que o campo entre em produção em 2008.

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