Indústria Naval

Jurong se articula para fazer mais 4 navios em Aracruz

A Gazeta
05/06/2012 10:35
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A Jurong está na briga para montar quatro navios-plataforma do tipo FPSOs no Estaleiro Jurong Aracruz (EJA), empreendimento cujas obras devem começar em julho próximo, com início da operação marcado para o terceiro trimestre do ano que vem. As embarcações, usadas na exploração, armazenamento e escoamento da produção de petróleo e gás, são encomendas da Petrobras.

O resultado do primeiro chamamento, que envolve duas FPSOs, deve sair até o final deste mês. Nesse caso, a Jurong construiria os 14 módulos, sete para cada plataforma, e faria a integração.

Os cascos estão sendo tocados pelo estaleiro da Engevix, no Rio Grande do Sul, e devem ser entregues no segundo semestre de 2013.

A segunda licitação, que ainda está sendo iniciada, é ainda maior. Envolve a construção de 36 módulos, 18 para cada FPSO, a adaptação - conversão na linguagem técnica - do casco e a integração desses módulos.

Essas duas embarcações serão destinadas aos campos da cessão onerosa, no pré-sal da Bacia de Santos. Os valores dos contratos não foram revelados, mas, se seguirem a média das últimas FPSOs, cada um dos quatro deve beirar US$ 1 bilhão (R$ 2 bilhões).

As informações são do presidente da Jurong no Brasil, Martin Cheah, que no domingo (3) se reuniu com a comitiva capixaba comandada pelo governador Renato Casagrande na matriz da Jurong, em Cingapura.

"No caso da primeira licitação, fizemos uma boa proposta e temos boas chances. No segundo caso, o processo ainda está começando, mas fomos chamados novamente e faremos nossa proposta", afirmou Cheah.

Confirmada a vinda das FPSOs, o estaleiro de Aracruz, mesmo antes de ter as obras iniciadas, já terá bons contratos a cumprir.

Está sob a responsabilidade dos cingapurianos a construção da primeira sonda brasileira de perfuração de poços petrolíferos, um contrato de US$ 792,2 milhões. Além dessa, os executivos esperam da Petrobras a confirmação da construção de outras cinco sondas em Aracruz.

"A Petrobras está iniciando uma auditoria para ver se os estaleiros sairão do papel. Quando forem ao EJA, mostrarei que o cronograma está sendo seguido e que temos expertise suficiente para tocarmos todos os projetos. Espero que as cinco cartas de intenções assinadas virem contratos o mais rápido possível", disse Cheah.

O governador Renato Casagrande gostou do que ouviu. "A Petrobras de fato está preocupada com essa história de estaleiro virtual e com a falta de expertise de alguns deles. Estive com Graça Foster (presidente da estatal) há duas semanas. É essencial que as obras do estaleiro de Aracruz comecem já em julho".

Casagrande ficou satisfeito com a informação da vinda de novas unidades. "Com seis sondas e quatro plataformas, temos trabalho para 6 mil pessoas nos próximos dez anos".

O investimento da Jurong no EJA será de R$ 500 milhões. Serão 2,5 mil trabalhadores nas obras e 6 mil na operação. Com a possibilidade de demanda alta já no início das operações, o projeto pode acabar ampliado. O dique seco, originalmente com uma extensão de 385 metros, pode chegar aos 550 metros. O cais pode passar de 740 metros para 1.140 metros


Estado no páreo por estaleiros

Antes de visitar as instalações da Jurong, o governador Renato Casagrande tomou café da manhã com executivos da Singapore Technologies Engineering e ouviu deles a intenção de montarem um estaleiro especializado na construção de navios de suprimento às plataformas de petróleo e gás no Brasil.

Convidado pelo governador, o presidente da companhia, Tan Peng Hock, disse que irá ao estado em outubro avaliar as possibilidades. O governo irá oferecer aos cingapurianos parcerias com empresas já instaladas na região.

Quem também irá ao Espírito Santo é o secretário-geral do Comitê Olímpico de Cingapura, Chris Chan. Ele recebeu bem a oferta de Casagrande para que os atletas cingapurianos façam a aclimatação antes das Olimpíadas de 2016 no Rio de Janeiro, em Vitória. Ele marcou para setembro sua ida ao estado.

Ainda no domingo, o governador reuniu-se com os ministros de Comércio e Indústria, Lee Yi Shyan, e de Transportes, Lui Tuck Yew, que também é o segundo ministro das Relações Exteriores de Cingapura.


Sonda brasileira já começou a ser construída em Cingapura

A primeira sonda brasileira de perfuração, encomendada ao Estaleiro Jurong Aracruz, já começou a ser fabricada numa das plantas da companhia em Cingapura.

Com a obrigação de entregar o equipamento em 2015, e sem local para tocar o projeto no Brasil, o jeito foi dar o pontapé inicial na Ásia.

A previsão é de que 10% dessa primeira sonda seja feita nem Cingapura e o restante no Brasil. Segundo Martin Cheah, presidente da Jurong do Brasil, trata-se de um caso isolado.

"Todas as outras cinco serão montadas exclusivamente em Aracruz. Nesse caso, tivemos de nos antecipar por conta prazo".

Com relação às peças usadas na fabricação do equipamento, o executivo disse que a tendência é de que o conteúdo local vá aumentando com o passar do tempo.

"Na primeira sonda, teremos 55% de peças nacionais. Na segunda e terceira sondas, 60%. Da quarta em diante, teremos 65% de conteúdo local", assinala Cheah.
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