Internacional

Irã não quer escassez artificial no mercado de petróleo, diz ministro

Dow Jones Newswires, 13/03/2018
13/03/2018 10:48
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O Irã não quer que os atuais cortes na produção de petróleo liderados pela Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) ultrapassem o necessário para reequilibrar o mercado, uma vez que o país deseja ampliar sua própria oferta, afirmou o ministro de petróleo iraniano, Bijan Zanganeh.

Em novembro último, a Opep e dez países de fora do grupo, incluindo a Rússia, concordaram em estender até o fim deste ano um acordo que corta sua produção combinada de petróleo em 1,8 milhão de barris por dia (bpd), de forma a reduzir os estoques globais da commodity. A Opep voltará a discutir o assunto em sua reunião de junho, em Viena.

Em rara entrevista ao The Wall Street Journal, Zanganeh disse que o Irã não quer "gerar escassez artificial no mercado" de petróleo.

Embora tanto Irã quanto Arábia Saudita tenham se mostrado abertos ao relaxamento dos limites de produção no próximo ano, a visão de Zanganeh contrasta com a do ministro de petróleo saudita, Khalid al-Falih, que no mês passado disse que não se importaria se os cortes "ultrapassarem um pouco o nível de reequilíbrio do mercado".

Além disso, iranianos e sauditas estão divididos quanto ao patamar de preços do petróleo que a Opep deve buscar. Teerã quer a commodity a US$ 60 por barril, em meio a temores de que cotações altas impulsionem a produção de óleo de xisto nos EUA, mas Riad almeja US$ 70 por barril. A Arábia Saudita tem minimizado a capacidade do óleo de xisto americano de desestabilizar o mercado e promovido a aliança da Opep com a Rússia, maior produtor mundial de petróleo, como um bastião contra a produção dos EUA.

Zanganeh afirmou não ter tido discussões recentes sobre preços, mas que deverá encontrar Falih durante reunião de cúpula do Fórum Internacional de Energia na Índia, em abril.

Zanganeh também sinalizou que desafios a futuras restrições poderão vir de Teerã, que concordou em limitar sua produção, mas sem reduzi-la, ao contrário de outros integrantes da Opep. O Irã será pressionado a elevar sua produção para que possa pagar investimentos feitos por empresas chinesas em campos terrestres, explicou o ministro. Pelos contratos iranianos assinados no passado, os gastos de investidores estrangeiros são reembolsados com barris de petróleo.

Mas Zanganeh ressaltou que o possível aumento na produção só ocorrerá se a Opep concordar. "Acreditamos que a Opep irá entender nossa situação", disse.

"Ficamos muito tempo sob sanções (internacionais) e (perdemos) bilhões de dólares" devido a restrições impostas a exportações de petróleo do Irã, comentou o ministro. Atualmente, o país produz cerca de 3,8 milhões de bpd, número que pode subir para 3,9 milhões de bpd. Zanganeh, porém, disse esperar que a produção iraniana cresça em 600 mil bpd até 2021.

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