Combustíveis

Ipiranga precisa de 30% de reajuste para compensar perdas

A incompatibilidade entre a alta internacional do petróleo e o controle sobre os preços dos derivados no Brasil acarretou perdas de mais de R$ 500 milhões na receita bruta da Refinaria Ipiranga no primeiro semestre deste ano. A diretora superintendente da Refinaria Ipiranga, Elizabeth Tellechea,


12/08/2004 00:00
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A incompatibilidade entre a alta internacional do petróleo e o controle sobre os preços dos derivados no Brasil acarretou perdas de mais de R$ 500 milhões na receita bruta da Refinaria Ipiranga no primeiro semestre deste ano. A diretora superintendente da Refinaria Ipiranga, Elizabeth Tellechea, informou que para compensar as perdas do semestre e garantir um desempenho lucrativo no próximo período o preço da gasolina deveria subir cerca de 30% nas refinarias.
A empresa teve geração de caixa negativo R$ 16,9 milhões em relação ao mesmo período de 2003 e só conseguiu lucro líquido positivo de R$ 22,2 milhões em função da equivalência patrimonial com outras empresas do grupo Ipiranga. A equivalência rendeu R$ 37 milhões à refinaria, que teve um resultado próprio negativo de R$ 14.9 milhões.
Apesar das perdas na área de refino, os diretores da Companhia de Petróleo Ipiranga destacaram o bom desempenho da companhia nos outros setores e relacionaram os resultados positivos, principalmente da Petroquímica, com a recuperação econômica do país.
Considerando todo o grupo, o lucro líquido da Petróleo Ipiranga foi de R$ 116 milhões no primeiro semestre de 2004, enquanto no mesmo período do ano anterior o lucro foi de R$ 238 milhões. O diretor da companhia, Leocádio Antunes Filho, explica que o resultado foi fortemente influenciado pela volatilidade do câmbio. "O real sofreu uma desvalorização de cerca de 8% no primeiro semestre deste ano com relação ao anterior e isso se reflete nos números, embora de forma relativa", ressaltou Antunes.
A geração de caixa (Ebitda) da companhia passou de R$ 390 milhões, em 2003, para R$ 470 milhões, em 2004. O crescimento foi de 20%. O lucro bruto da empresa foi de R$ 10 bilhões, 17% maior do que no mesmo período do ano anterior e a redução da dívida líquida da companhia foi de US$ 50 milhões. No primeiro semestre de 2003, o valor devido era R$ 540 milhões e neste ano o valor passou para US$ 490 milhões.
Na Petroquímica, a Ipiranga alcançou uma receita bruta recorde de R$ 1,05 bilhão no primeiro semestre de 2004. No ano anterior, a receita bruta do período foi de R$ 860 milhões. O lucro líquido de janeiro a junho de 2004 foi de R$ 52,5 milhões, contra uma cifra de R$ 222 milhões no mesmo período do ano anterior. O superintendente da Petroquímica Ipiranga, Paulo Magalhães, lembra que "este valor é relativo, este ano o real esta valendo cerca de 8% menos". O Ebida passou de R$ 124 milhões para R$ 144 milhões. O crescimento foi de 16%.
Segundo Paulo Magalhães, os principais destaques para o bom desempenho da Petroquímica foi o crescimento de 21% nas vendas do mix de resinas no mercado interno, conforme já vem ocorrendo desde o ano passado. Magalhães acredita que o setor petroquímico passa por um ciclo de crescimento sustentado que deve continuar, pelo menos, até o final do ano.

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