Etanol

Importação de etanol pelo Brasil cresce 403% no primeiro trimestre do ano, de acordo com a ANP

Redação/Agência Brasil
21/06/2017 08:27
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Aurélio Amaral, diretor da ANP disse que para um país produtor de cana e maior produtor de açúcar do mundo, o Brasil importou muito etanol no primeiro trimestre. "Foi uma elevação de 403% nos primeiros três meses do ano", disse Amaral. Na visão do diretor, o aumento chama atenção, mas, ele ponderou, que, por questões tributárias, que influenciam a formação do preço no mercado, e de infraestrutura, o Brasil virou um país importador de derivados.

"Estamos importando muita gasolina também em uma quantidade muito grande, quase 70% de aumento, porque o nosso parque de refino não dá conta. Temos grandes desafios de infraestrutura para resolver. É isso que a ANP vem trabalhando de forma a subsidiar, com estes estudos, o governo para que a gente possa formular política para ir buscar superar este gap [lacuna]", disse após participar da apresentação dos dados do mercado de combustíveis no Instituto Brasileiro de Petróleo, Gás e Biocombustíveis (IBP), no centro do Rio.

Amaral disse que os dados do segundo trimestre ainda não estão fechados, mas a tendência é de queda no patamar registrado entre janeiro e março. "A gente ainda não tem esse número [segundo trimestre]. Esse é um número do nosso boletim do primeiro trimestre, agora, como entrou a safra, houve um aumento da safra, entrou a produção e o etanol voltou a ser competitivo, a tendência desse número é reduzir um pouco em função do próprio início da safra e da produção do Centro-Sul, que entra forte agora neste período", disse.

Demanda

Sobre o aumento de demanda para o consumo de derivados, o diretor apontou que as previsões iniciais da ANP sempre estão associadas à evolução do Produto Interno Bruto (PIB). No início do ano a estimativa era de que o mercado manteria a tendência de ficar "mais ou menos estável" perto de zero. No ano passado houve uma queda geral em torno de 5%.

O presidente destacou que se o PIB crescer, em alguns combustíveis, como no caso da gasolina, pode haver um aumento. "Só a reação do PIB, principalmente no diesel, é que injeta energia para crescimento de consumo de combustíveis, está muito associado. Por ora, a gente mantém uma tendência de estabilidade, até porque a economia está patinando ainda, ela está tendo altos e baixos. Por ora, a gente ainda vê com viés de alta, mas os números são checado s mês a mês", disse.

Amaral disse que a crise política não influencia a demanda. "Isso não está dentro do nosso dia a dia. Só economia, PIB, crescimento do PIB e de demanda", disse.

Mesma demanda

O diretor da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), José Mauro Coelho, que participou do mesmo encontro, disse que o órgão espera para 2017 o nível de demanda de etanol e de gasolina semelhante ao nível de 2016. "A gente não vê uma mudança estrutural para 2017. Não dá tempo para mudar a indústria de etanol durante um ano".

Para o diretor, como não há previsão de crescimento na demanda da gasolina, a EPE não estima grande importação do produto para este ano e nem para 2018. "Essa preocupação que se tinha de que o Brasil estava importando muito gasolina, a gente não tem", disse.

Segundo Coelho, este cenário de demanda menor, tem relação ainda com o ritmo mais baixo de licenciamento de veículos leves, afetado pelo endividamento das famílias e falta de crédito, que no futuro deve ser alterado para melhor.

"Ninguém quer entrar em financiamento porque não sabe se amanhã vai estar empregado. Tem todas essas preocupações que ainda não foram vencidas, mas quando a gente olha o cenário macroeconômico, de mais longo prazo, acha que vai ser vencido aos pouquinhos e isso vai retomar", disse, completando, que a retomada nos licenciamentos ainda está longe. "Em relação ao licenciamento de veículos leves a gente acha que o patamar de 3,6 milhões em 2012 só vai voltar a ser visto no Brasil lá para 2024 a 2025. É um mercado que vai andar mais devagar".

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