Combustíveis

IBP e FIESP debatem descarbonização da indústria rumo à COP30

Redação TN Petróleo/Assessoria IBP
29/08/2025 16:12
IBP e FIESP debatem descarbonização da indústria rumo à COP30 Imagem: Divulgação IBP Visualizações: 116 (0) (0) (0) (0)

O Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) realizaram, nesta quinta-feira (28/8), o terceiro evento da série pré-COP30. Iniciativa do IBP e com o tema "Inovação e Soluções Tecnológicas para Descarbonização e Transição Energética", o encontro reuniu especialistas, executivos de grandes empresas e autoridades para debater caminhos concretos para a redução de emissões na indústria e nos transportes.

O seminário destacou o papel central da tecnologia e da colaboração entre os setores para enfrentar os desafios das mudanças climáticas, transformando-os em oportunidades para a economia nacional. Roberto Ardenghy (foto), presidente do IBP, abriu o evento ressaltando a importância estratégica do setor de óleo e gás para a economia e o desenvolvimento sustentável do país. "Temos mostrado muitos avanços na descarbonização, com a produção de petróleo no pré-sal com uma das menores pegadas de carbono do mundo".
 

Estratégias para setores 'hard to abate'
Representando a Fiesp, o diretor Nelson Pereira afirmou que a descarbonização é um caminho indissociável do desempenho da indústria. Atenta aos desdobramentos da COP30, a entidade encomendou estudos sobre as emissões de setores de difícil mitigação (hard to abate). "O acesso a tecnologias de baixo carbono e a instrumentos financeiros adequados são fundamentais para viabilizar projetos de eficiência energética e descarbonização, sendo cruciais para que o país possa enfrentar o desafio de reduzir suas emissões de carbono de maneira competitiva e sustentável".

Já Valentine Mangez, cônsul-geral da Bélgica, enfatizou a necessidade de colaboração internacional e de investimentos conjuntos para acelerar a transição energética e manifestou grande otimismo em relação ao potencial das empresas brasileiras para contribuir com os objetivos climáticos globais. "É importante um esforço conjunto para encontrar os melhores caminhos, unindo capacidades técnicas e recursos financeiros para impulsionar a inovação e garantir que a descarbonização industrial ocorra de forma justa e eficiente, beneficiando a todos".

Carlos Padilla, diretor da APEXBrasil, apresentou um programa inovador da agência para atrair tecnologias estrangeiras de ponta para o Brasil envolvendo 40 empresas com soluções para descarbonização. "O projeto visa facilitar a abertura de operações e parcerias no país e será expandido para incluir também eficiência energética, digitalização e automação, fortalecendo a competitividade da indústria nacional.

A gerente-executiva do Cenpes (Centro de Pesquisas, Desenvolvimento e Inovação da Petrobras), Lilian Barreto, afirmou que a transição energética não acontecerá sem o protagonismo da indústria de energia. "Temos a experiência, a tecnologia e o capital para executar projetos de alta complexidade, além de um portfólio dedicado exclusivamente a projetos de baixo carbono, com foco em diversas frentes tecnológicas, incluindo captura e uso de carbono (CCUS), eficiência operacional e novas moléculas sustentáveis.
 

Nova regulação global de transporte marítimo gera oportunidades
O Comandante da Marinha Flavio Mathuy abordou a descarbonização do transporte marítimo, setor responsável por 90% do comércio brasileiro, ressaltando que a Organização Marítima Internacional (IMO) estabeleceu regulamentos vinculativos que entrarão em vigor em 2027, com limites de emissão de CO₂. "Essa nova regulação global cria um cenário de desafios, mas também abre um leque de oportunidades para o Brasil se posicionar como um fornecedor de soluções e combustíveis de baixo carbono para a navegação mundial, transformando o potencial do país em vantagem competitiva".

Rafael Leme, gerente de sustentabilidade da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), falou sobre a importância do planejamento energético e destacou a necessidade de uma análise detalhada e segmentada. "Incorporar tecnologias emergentes e a participação colaborativa de todos os agentes do setor, público e privado, são fundamentais para construir um planejamento robusto e políticas públicas eficazes que apoiem a descarbonização.

Raildo Viana do Nascimento, Gerente Executivo de Segurança, Meio Ambiente e Saúde da Transpetro, ressaltou que o transporte marítimo, apesar de ser o modal com menor emissão relativa, enfrenta metas ambiciosas de descarbonização. "A Transpetro tem investido em diversas tecnologias, como apêndices hidrodinâmicos e softwares de otimização, que já resultaram em ganhos de 4 a 6% de eficiência no consumo de combustível". Para Douglas Rosa, gerente de engenharia da Constellation, a eficiência energética e a descarbonização "são uma questão de sobrevivência para a indústria de serviços de perfuração".
 

Petrobras atua na mitigação das emissões de metano
Já Roberto Gennaro, gerente de descarbonização da Petrobras, focou na importância de mitigar as emissões de metano, um gás com potencial de aquecimento quase 25 vezes superior ao do CO₂. "A Petrobras já reduziu em 68% suas emissões de metano desde 2015. Vale pontuar que o cenário regulatório está evoluindo rapidamente e o Brasil deve ter uma regulação específica para o metano em breve, o que tornará a gestão dessas emissões ainda mais crucial.

Luciana Campello Soares, especialista em sustentabilidade da ICONIC, compartilhou o case de sucesso da empresa, que atingiu sua meta de descarbonização para 2030 com seis anos de antecedência. "A principal iniciativa foi a substituição do gás natural por biometano em uma de suas principais fábricas, em parceria com a Ultragaz. Essa ação foi responsável por 93% da redução absoluta de emissões da companhia entre 2023 e 2024".

O gerente da Ultragaz, Gabriel Bosso, explicou como a companhia está se posicionando como uma plataforma de multi soluções energéticas para apoiar seus clientes na descarbonização. "O biometano como uma solução estratégica que vem ganhando relevância rapidamente no Brasil, oferecendo uma alternativa de baixo carbono para a indústria. A Ultragaz tem investido para adequar a oferta às necessidades dos clientes, garantindo a confiabilidade necessária para a transição.
 

Empresas apresentam novas soluções de carbono
Janaína Ruas, diretora da SLB, apresentou o portfólio de novas energias da empresa, que inclui soluções de carbono como Captura, Utilização e Armazenamento de Carbono (CCUS), geotermia, extração sustentável de lítio e armazenamento de energia. "Estamos aplicando nossa expertise tecnológica para desenvolver projetos concretos de descarbonização em diversas frentes, tanto no Brasil quanto globalmente", disse ela.

Já Felipe Nascimento, gerente da Petronas, afirmou que a tecnologia de Captura e Armazenamento de Carbono (CCS) está no centro da estratégia global da empresa para descarbonizar o setor e revelou que a companhia enxerga um grande potencial para o desenvolvimento de projetos de CCS no Brasil.

Paulo Marinho Neto, gerente de P&D em CCS da Petrobras, detalhou as pesquisas avançadas conduzidas pela companhia para viabilizar a captura, o uso e o armazenamento de carbono em escala. "O foco é superar os desafios tecnológicos e de custo para implementar o CCUS como uma ferramenta estratégica na agenda de descarbonização do Brasil, aproveitando a vasta experiência da empresa em operações complexas para liderar essa nova fronteira tecnológica".

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