Combustíveis

Governo está incerto sobre pacote de ajuda ao etanol, diz fonte

Agência Reuters
06/06/2012 16:12
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O Ministério da Fazenda ainda tem dúvidas sobre a efetividade de um pacote com redução de impostos e medidas de estímulo pedidos pelo setor da cana-de-açúcar no Brasil, que luta contra os custos de produção, disse uma fonte do governo à 'Reuters'.

Na última semana, notícias na imprensa brasileira davam conta de que o governo estava planejando anunciar redução de impostos para os insumos e equipamentos necessários ao setor, para reativar investimentos e tornar o etanol mais competitivo em relação à gasolina.

Produtores do combustível verde dizem que isto mudaria os rumos de um setor que está estagnado. Apesar disso, o governo pode não estar preparado para mexer na legislação e fazer as medidas avançarem, pelo menos não nos atuais termos.

"Não há consenso ainda sobre o que fazer", disse na terça-feira (5) a fonte do governo, que pediu anonimato devido à complexidade do assunto.

A decisão do governo de ajudar ou não, e o modelo desta ajuda, é fator determinante para retomada de investimentos em etanol. Fontes na indústrias dizem que nenhuma usina será construída enquanto o auxílio não vier.

O setor vive uma crise desde 2008, quando os problemas no mercado financeiro afetaram grupos altamente alavancados. Os anos seguintes não foram muito melhores: custos subiram, investimentos desaceleraram e motoristas passaram a usar mais gasolina, que ficou com melhor relação de preço ante o etanol.

O governo federal tem contido amplamente o preços da gasolina nas bombas, mesmo com os preços internacionais do petróleo duplicando ou triplicando em alguns momentos.

Um executivo graduado do governo disse à 'Reuters' que o Ministério da Fazenda, que precisa chancelar cortes nos impostos e ponderar as consequências de mexer nos preços da gasolina à luz do controle da inflação, não está convencido das propostas que vêm sendo apresentadas.

"Nós temos o Ministério da Fazenda de um lado e temos os outros", disse ele, acrescentando que ministérios da Fazenda, Indústrias e Comércio e Minas e Energia estão a favor de medidas de estímulo. Ele disse que a queda dos preços do petróleo poderiam amortecer o impacto de elevar os limites do preço da gasolina, caso isso fosse feito agora.

Embora o Ministério da Fazenda não estivesse convencido de que o custo das medidas propostas traria bom retorno, a fonte disse que a pasta ainda está aberta para avaliar outras propostas para o setor, mas sem especificar que tipo de ajuda seria esta.

"Existe o problema da receita. (O Ministério da Fazenda) precisa saber se o investimento será produtivo", ele disse.


Custos crescentes

Os problemas do etanol foram agravados no ano passado quando o governo reduziu a mistura do anidro na gasolina, de 25 para 20%, quando os estoques baixos elevaram os preços do produto e ameaçaram elevar os níveis de inflação.

A fonte disse que o governo não deu sinais de que planeja aumentar a mistura mas disse que os custos com a transição para colheita mecanizada - que passa a ser obrigatória em São Paulo - cairiam à medida que os investimentos iniciais fossem feitos.

"(Controlar) os custos de produção está fora do alcance do governo, mas isso vai melhorar com o tempo"," disse ele, dizendo que o governo permanece comprometido com os combustíveis renováveis mesmo com a descoberta de grandes reservas de petróleo na costa brasileira.

Por outro lado, com o pequeno crescimento na produção e com os investimentos no setor diminuindo, a fonte reconheceu uma certa urgência para agir.

"Nós precisamos decidir rapidamente se vamos fazer alguma coisa ou não", ele disse.

Eduardo Carvalho, chefe da consultoria de investimentos em cana Expressão, em São Paulo, disse que a indústria está cética sobre se algum dia as conversas com o governo sobre ajuda ao etanol vão se concretizar.

Mas ele disse que a incerteza significa que para aqueles que ainda quiserem investir e apostar no etanol a longo prazo, talvez não haja momento melhor.

"Você pode comprar usinas a preços baixos, até mais baratas do que no ano passado", disse Carvalho.
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