Combustíveis

Gasolina da Petrobras vai a recorde nas refinarias; analista vê alta no diesel

Reuters, 30/08/2018
30/08/2018 10:43
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O preço médio da gasolina praticado pela Petrobras nas refinarias será elevado ao maior patamar da era de reajustes diários na quinta-feira, com a empresa adotando sua política que segue cotações do mercado internacional e as oscilações do câmbio.

Já a cotação do diesel, congelada desde junho por conta dos subsídios oferecidos pelo governo após a paralisação dos caminhoneiros, será alterada com a aplicação de uma nova fórmula a partir de 1º de setembro. O preço do combustível na refinaria poderia subir cerca de 10 por cento, segundo um analista ouvido pela Reuters.

Conforme informado no site da estatal, o preço da gasolina irá a 2,1079 reais por litro na quinta-feira, alta de 1,20 por cento ante o registrado atualmente.

Com isso, a valorização da gasolina na refinaria em agosto chegará a 7,10 por cento. Desde o início da sistemática de oscilações diárias, há pouco mais de um ano, o ganho é superior a 50 por cento, de acordo com cálculos da Reuters com base em números da Petrobras.

A disparada no valor da gasolina ocorre em meio à firmeza das referências internacionais do petróleo e à apreciação de quase 10 por cento do dólar ante o real em agosto, fatores estes utilizados pela petroleira em sua política de formação de preços de combustíveis.

Para o diretor da consultoria Valêncio, especializada em combustíveis, Bruno Valêncio, os ganhos recentes se dão mesmo em razão do câmbio.

"Em agosto, o dólar teve um forte aumento e é realmente este o impacto que a gente tem nas últimas semanas", afirmou ele, que vê a gasolina mantendo uma paridade "correta" com o exterior.

Procurada para comentar o assunto, a estatal disse que o motivo dos reajustes, "para cima ou para baixo", é o mesmo dos anteriores e faz parte da política de preços da Petrobras, "que reflete os movimentos do mercado internacional e câmbio, seguindo a lógica aplicável a commodities comercializadas em economias abertas".

A estatal disse ainda que o reajuste da gasolina não tem "nenhuma relação com o incidente ocorrido na Replan", principal refinaria da Petrobras, em Paulínia (SP), que sofreu uma explosão em 20 de agosto e ainda não retomou as atividades.

Já o analista disse não ver a Petrobras elevando o preço da gasolina para compensar eventualmente uma perda relacionada ao diesel, cujo preço está congelado.

Em campanhas recentes, a companhia vinha destacando que o preço da gasolina por ela praticado representava cerca de um terço do valor final nas bombas dos postos, sobre o qual incidem tributos e é formado conforme estratégia de distribuidores e revendedores.

Um eventual repasse dessa valorização encareceria a gasolina nas bombas e tornaria o etanol hidratado, seu concorrente direto, ainda mais competitivo. Nos últimos meses, as vendas do biocombustível vêm se mantendo em níveis elevados ou mesmo atingindo recordes.

Diesel

A política de reajustes da Petrobras esteve no cerne dos protestos de caminhoneiros de maio, uma vez que o diesel, combustível mais consumido do país, atingiu patamares recordes pouco antes das manifestações.

Desde junho, o diesel está com seu valor congelado nas refinarias, a 2,0316 reais por litro, uma vez que a Petrobras participa de um programa de subvenção instituído pelo governo como forma de atender as reivindicações dos caminhoneiros.

Os pagamentos dos subsídios ao diesel, contudo, ainda não foram aprovados pela reguladora ANP para a Petrobras.

Mas a partir de 1º de setembro o produto voltará a sofrer reajustes. As oscilações ocorrerão a cada 30 dias, tendo por base um preço de referência estabelecido pela reguladora ANP, que definiu uma nova metodologia nesta semana.

"A tendência é que se tenha um reajuste de 10 a 11 por cento", calculou Valêncio.

Na véspera, analistas do banco UBS escreveram em relatório que a explosão na Replan ocorre em um momento ruim para a Petrobras, que está tendo de importar mais diesel para compensar a parada da refinaria.

Com os preços internacionais em alta, a fórmula para os subsídios não tem sido suficiente para garantir a paridade de importação e uma margem para os agentes do mercado doméstico e importadores, mesmo após mudanças anunciadas pela reguladora ANP na segunda-feira, de acordo com o relatório do UBS.

A Petrobras disse nesta semana que vai comprar 1,5 milhão de barris de diesel no exterior para abastecer o mercado doméstico.

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