Economia
Jornal do Commercio
O lucro líquido de R$ 21,74 milhões registrado pela Brasil Ecodiesel no segundo trimestre de 2009 já é resultado da reestruturação financeira que a empresa iniciou no ano passado e do foco que resolveu dar à soja na sua produção, informa o diretor financeiro e de relação com investidores, Eduardo de Come. Segundo ele, o resultado positivo, depois do prejuízo de R$ 84 milhões verificado em igual período do ano passado , decorrente de uma estratégia que incluiu redução drástica de despesas, reestruturação da dívida, conversão de dívida em aumento de capital e a utilização do dinheiro novo que entrou para reativar a capacidade operacional de suas usinas de biodiesel.
"Atualmente, praticamente de 100% de nossa produção de biodiesel é feito de soja. Futuramente, quando a empresa estiver totalmente reestruturada, voltaremos a investir em outras oleaginosas. Neste momento, o importante é conseguir fazer a empresa voltar a normalidade, o que está sendo obtido", acrescentou. Eduardo de Come.
O executivo disse também que uma decisão importante na reestruturação da empresa foi a concentração do capital de giro na produção de biodiesel, paralisando a expansão de outras áreas da Brasil Ecodiesel, como a agrícola, que possui fazendas de produção de mamona e pinhão manso.
Em maio, foi feita a primeira etapa da conversão de dívida em capital, com aporte de um total de R$ 104 milhões, dos quais R$ 52 milhões vieram de bancos credores, R$ 45 milhões de novos recursos aportados e R$ 7 milhões de dívidas com fornecedores. "Estes R$ 45 milhões de novos recursos que foram incorporados à empresa em junho já foram suficiente para elevar nossa produção de 3 mil metros cúbicos de biodiesel para 13 mil metros cúbicos", disse. Com a crise sistêmica de liquidez iniciada em 2008, a falta de capital de giro levou a Brasil Ecodiesel a suspender parte de sua produção.
"Hoje estamos operando as empresas que possuem produção contratada nos leilões da Petrobrás", disse. Segundo ele, das 6 unidades da empresa, 4 estão operantes mas unidades de Crateús, no Ceará, e de Floriano, no Piauí, encontram-se com as operações suspensas. "As empresas não fecharam, elas estão paradas por falta de demanda. Seus funcionários estão em licença remunerada. Assim que participarmos dos novos leilões de venda, elas voltarão a operar", disse.
Ele informa que a segunda etapa da conversão de dívida em capital está em curso, com a expectativa de aporte de mais R$ 118 milhões, dos quais R$ 106 milhões deverão ser de dívidas junto a bancos e R$ 12 milhões de recursos novos feitos pelo novo fundo que está sendo criado para a gestão destes recursos.
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